Parte mais turística de Santa Teresa tem crateras lunares no lugar de calçadas

A situação das calçadas no bairro é preocupante. Sem qualquer tipo de conservação há anos, os buracos obrigam os pedestres a andarem pelo meio das ruas, competindo com bondes e carros, e inviabilizando a mobilidade de idosos, deficientes e carrinhos de bebê. Santa sofre com o abandono generalizado

As imediações do Largo do Guimarães, parte mais badalada do bairro, sofrem com calçadas destruídas, praças abandonadas, esqueletos de automóveis e calcamentos de paralelepípedos em péssimo estado.

Há tempos o bairro de Santa Teresa se tornou uma das regiões mais cult do Rio, visitada por turistas de todo o Brasil, e por uma legião de estrangeiros apaixonados pelo seu clima ameno, casarios históricos, pelo gracioso bonde – que aliás é outro serviço que funciona precariamente, com apenas três carros e um complicado sistema que não permite o pagamento do serviço na própria viagem – hotéis e pousadas de alto padrão e barzinhos emblemáticos. Sua área mais valorizada e visitada por turistas e pelo público em geral, é, sem dúvida, o Largo do Guimarães, formado pelo entroncamento das ruas Pascoal Carlos Magno, Ladeira do Castro, Almirante Alexandrino e do Aqueduto. A microrregião conta com um hotel de 5 estrelas badalado internacionalmente, o Hotel Santa Teresa MGallery, da rede francesa Accor Hotéis, com milhares de estabelecimentos pelo mundo.

Uma pessoa normal pensaria que seria uma região bem cuidada pelas autoridades municipais, cientes que o local tem diversos restaurantes famosos, além dos hotéis. É a região do Sobrenatural, do Bar do Portella, Bar do Mineiro, Armazém São Joaquim, Café do Alto, Simplesmente, Bar dos Descasados, Adega do Pimenta, Armazém São Thiago e vários outros, que formam um verdadeiro pólo gastronômico, que conta até mesmo com um Cinema de Rua e com atuação firme do programa Bairro Presente, da polícia militar, que conta com um posto bem no coração do Largo. Tudo seria perfeito, se não fosse o fato de que a prefeitura da cidade, a subprefeitura do centro e a secretaria de conservação parecem não saber e nem dar valor a nada disso.

Uma simples caminhada do Hotel Santa Teresa, descendo a Almirante Alexandrino em direção ao Largo do Curvelo mostra o mais completo e absoluto descaso com a mobilidade de turistas, idosos, crianças e deficientes. Só no trecho da Almirante Alexandrino entre o 660 e o 470, a reportagem do Diário do Rio encontrou 17 buracos enormes na mesma calçada. Uma calçada de cimento, bem estreita, mas suficiente para um carrinho de bebê, por exemplo, tem tantos buracos que é melhor caminhar pela rua. Em frente à casa 588, são tantos buracos que é melhor competir com o bonde e os carros, andando no meio da avenida. A mesma coisa ocorre em frente da casa 560. Neste trecho, tem buracos com 25 centímetros de profundidade.

Em frente ao castelinho, recém restaurado, da Almirante Alexandrino 301, o problema se agrava. Na calçada oposta a ele, quase junto à Adega do Pimenta, não existe mais calçada. Todo o passeio público entre o número 296 e o número 256 da Almirante Alexandrino está completamente destruído, e, para piorar, é transformado num verdadeiro depósito de lixo, que se acumula em frente a um muro todo pichado, com grades, como uma espécie de filial do lixão de Gramacho. “Os buracos no chão são tão profundos, que o pé entra quase que até metade da canela“, disse ao Diário o morador local Augusto Chaves, que informou que se tornou comum as pessoas andarem no meio da rua tendo em vista as calçadas no entorno do Largo estarem destruídas há mais de 10 anos.

A Prefeitura em muitos momentos argumenta que as calçadas dos imóveis é responsabilidade dos mesmos, ao contrário do que diz o Código Nacional de Trânsito, lei Federal que regula o tema. Todavia, ainda que fosse como diz a Prefeitura, o que fazer em casos de calçadas em pontos tão turísticos e que por vezes ficam na frente de imóveis invadidos, abandonados ou sem dono?

O abandono da Gerência Local, Subprefeitura e Secretaria de Conservação não se restringem ao que restou das calçadas do bairro. As ruas de paralelepípedos estão completamente abandonadas. Os buracos na Ladeira de Santa Teresa junto à esquina da rua Gonçalves Fontes já viraram folclore local. E os ridículos remendos feitos pela prefeitura no cruzamento da rua Áurea com a rua Tenente Maurício de Medeiros são um caso à parte. Arte Contemporânea? (Foto abaixo) Enquanto isso, a Prefeitura não consegue entender porque os taxistas e motoristas de aplicativo se recusam a subir as ladeiras de Santa Teresa.

Uma das poucas praças do Bairro com equipamentos e brinquedos para as crianças se divertirem, jogarem futebol, e se reunirem com os pais e amigos, também agoniza. É a Praça Odylo Costa Neto, entre a Almirante Alexandrino e a Rua Áurea. Lá, não há pedra sobre pedra. Bancos destruídos, balanços quebrados, brinquedos em situação precária. Uma porta da quadra de esportes caiu – ou foi furtada – e a outra está prestes a cair na cabeça de alguém. A pracinha continua bem frequentada pela população local, mas cada dia mais destruída. O descuido é uma pena, pois são poucas coisas necessárias para fazer com que fique tudo bonito de novo.

.Banco na Praça Odylo Costa Neto. Todos estão assim, à exceção de um. Foto: Leitor do Diário do Rio

“Parece que as autoridades têm preguiça de subir até Santa Teresa e verificar que nossas calçadas viraram crateras lunares, nossa pracinha está abandonada, e nem vou falar da quantidade de automóveis velhos, abandonados, com os 4 pneus arriados, por todo o bairro”, diz uma senhora que se identificou como Naná, que encontramos ao vistoriar a Pracinha. Ela chamou a atenção da reportagem para o uso das ruas de Santa Teresa como cemitério de veículos, o que verificamos ser verdade.

A reportagem encontrou quase 10 carros em situação de abandono, em apenas 25 minutos de caminhada. Dois deles, na rua Filadélfia, uma das mais nobres do bairro (um fusca totalmente podre, e um fiat abandonado que virou viveiro de ratos). Uma kombi-baú bege, com pneus arriados há anos, jaz na rua Dias de Barros, em frente ao Mirante do Curvelo, e encobrindo a vista! Na Almirante Alexandrino, entre o famoso edifício Raposão e a Delegacia de Policia, mais uma meia dúzia de carros largados pelas ruas.

Enquanto isso, no último sábado, havia mais de 400 pessoas na fila para conhecer o bairro de bondinho, na estação de bondes da Carioca. Parece que o interesse das autoridades municipais de ordem pública e conservação em Santa Teresa é mesmo inversamente proporcional ao carinho que o carioca e o turista têm para com o bairro mais ‘diferentão’ da cidade.

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1 COMENTÁRIO

  1. Que dizer do mirante no Largo do Curvelo, com uma bela vista da baía de Guanabara, danificado a anos pela queda de uma amendoeira? Ficou meio destruido e abandonado, um verdadeiro cartao postal do Rio de Janeiro atual! Da realmente dor trazer amigos para neste lindo lugar

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