Samba na Pedra do Sal (Foto: Michela Bevilacqua)

Um dos pontos mais frequentados da Cidade Maravilhosa, inclusive no atual momento de pandemia, quando não deveria estar recebendo cariocas e turistas, a Pedra do Sal é um dos maiores redutos de samba e história do Brasil. Localizada no Centro do Rio, em um trecho onde os arranha-céus, tão comuns nessa região, não tem vez, o espaço reúne democraticamente todas as cores e credos embaladas pela trilha sonora mais popular do país.

A Pedra do Sal, mais precisamente situada no Largo João da Baiana, nos pés do Morro da Conceição, no bairro da Saúde, foi pioneira na realização de rodas de samba em espaços urbanos, difundindo essa prática que hoje é tão procurada em todos os cantos do Brasil pelos amantes de música.

A primeira vista, a localidade nada mais é do que uma escadaria, cercada por paredes com desenhos que traduzem a história do local, mas ela é muito mais complexa e misteriosa que os nossos olhos podem alcançar.

O point é palco de animadas rodas de samba, principalmente as segundas e sextas-feiras Não se paga ingresso, nem existe reserva de lugar. Todo mundo fica em pé, pede sua cerveja gelada e aprecia o samba rolando solto e a atmosfera única que toma conta do público.

Roda de Samba na Pedra do Sal (Foto: Reprodução Internet)

História da Pedra do Sal

Nome Pedra do Sal

No início dos anos 1600, no mesmo local onde hoje se encontra a Pedra do Sal, aos pés do Morro da Conceição, ficava um lugar conhecido como Pequena África: ali escravos trabalhadores da estiva se reuniam para fazer oferendas tocar seus tambores e compartilhar momentos de alegria em rodas de samba marcados na palma da mão, no pandeiro e no prato-e-faca.

O sal, que há tempos atrás era usado como moeda, era escoado naquela região, próxima a Praça Mauá e o Cais do Porto. O nome Pedra do Sal, se deu por causa dessa atividade. O lugar histórico também é conhecido por ter sido ponto de venda de escravos que vinham nos navios negreiros. Os primeiros sambistas da região, inclusive eram estivadores que trabalhavam por conta do sal que chegava nos navios.

Placa histórica localizada na Pedra do Sal (Foto: Reprodução)

Ali um neto de escravos escreveu a maioria dos seus versos: o famoso João da Baiana. Trabalhador da Estiva, João escrevia canções bem-humoradas mas cheias de críticas ao racismo e ao regime desigual que imperava na época. A Famosa canção “Batuque de Cozinha” é um exemplo da maneira criativa que João encontrou de dar visibilidade ao cenário de injustiças daquele tempo . Na Pedra do Sal, João se reunia com os amigos de infância de Donga e Heitor dos Prazeres, além de se encontrar com Pixinguinha para cantar seus sambas.

Em 2021, o que todo carioca amante da arte e da história mais quer, é que todos sejam vacinados contra Covid-19 para podermos voltar o mais breve possível a desfrutar de grandes momentos na icônica Pedra do Sal.



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