Circulação de pessoas na Praça XV, no Centro do Rio - Foto Cleomir Tavares/Diário do Rio

Como você pensaria em criar empregos em uma cidade que, num ranking das 405 principais cidades do país, está no 200º lugar no quesito sustentabilidade fiscal? E em 380º lugar na lista de endividamento?

Esses tristes números se referem ao nosso Rio de Janeiro e fazem parte de uma pesquisa do Ranking de Competitividade dos Municípios, lançado em 2020 pelo Centro de Liderança Pública. O Ranking analisa a capacidade competitiva de 405 municípios do país com mais de 80 mil habitantes, e que corresponde a 59.5% da população brasileira. Em números gerais, o Rio está em 71º, entre todos os municípios, e em 9º entre as capitais.

Não é que não existam números bons. O Rio é o 8º em inovação e dinamismo econômico e o PIB per capita está em 44º. Mas sabemos que a realidade é mais cruel.

No Rio de Janeiro, a taxa de desemprego praticamente triplicou nos últimos 6 anos, a média anual passando de 6,3% em 2014, para 17,4% em 2020, com pico de 19,1% no último trimestre. Já são 1,5 milhão de fluminenses desempregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somos também o estado com o maior número de desempregados no Sudeste e o quarto maior do país. Ficamos atrás apenas de Bahia, Alagoas e Sergipe.


Com a pandemia a situação se agravou ainda mais. Segundo dados da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), o setor de serviços, responsável por 70% da geração de riqueza do estado, teve uma queda de 4,8% em 2020. Foi a maior queda no setor na história do estado.

Por que o Rio é tão pouco competitivo? Burocracia, dívidas, falta de transparência e organização financeira inexistente.

Alguns passos foram tomados com a aprovação da reforma da previdência municipal. O próximo, é aprovarmos reformas tributárias amplas que atinja todos os níveis do poder público do Estado e simplifiquem a vida do empreendedor. Sem essa reforma, fica difícil manter e dar competitividade às empresas cariocas e o ambiente de negócios fica ainda menos atrativo para novos investidores.

Há outras oportunidades nos esperando com a criação de novos parques tecnológicos e a melhora da conexão dos parques já existentes com as empresas. Considerando a quantidade de intuições de ensino superior que temos, UFRJ, UERJ, UFF, UniRio, Rural e Institutos Federais, isso não só aumentaria a retenção de talentos e de empresas, como atrairia novas para o Rio. Nossa cidade, que já foi líder nesse setor, vem nos últimos anos perdendo empresas de tecnologia para centros como Florianópolis e Recife e até mesmo para municípios do interior do nosso estado.

A transformação também passa pelo Centro do Rio. Ao alterar prédios de escritório para moradia, chamamos mais emprego e moradores para reviver a região que é uma das mais icônicas da nossa cidade.

A realidade não é fácil, mas há oportunidades em nosso caminho. Porém, o tempo corre e o Rio tem pressa. Precisamos agarrá-las logo.

O Rio precisa assumir o seu protagonismo natural e se portar como a capital inovadora e atraente que tem o potencial para ser. Eu, você, e o mundo inteiro espera isso.



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