Foto Cleomir Tavares / Diario do Rio

Que o sistema de transporte coletivo no Rio de Janeiro já estava em crise antes da pandemia do coronavírus, ninguém discute. Se focarmos nos ônibus, principal modal, a crise se revela através da queda de demanda de passageiros, da deterioração dos veículos e da qualidade de serviço, e da insustentabilidade financeira operacional. Além do ciclo vicioso do aumento da tarifa, que leva a queda na demanda, que leva a um novo aumento de tarifa…

Com a pandemia, um novo capítulo: de uma hora para outra, as concessionárias perderam em média 50% da receita. Segundo a Rio Ônibus, que reúne os quatro consórcios da cidade, o número de passageiros transportados chegou a cair 80%, em 2020, o que ocasionou a redução de frotas e linhas, e até o fechamento de empresas.

Agora, enquanto rumamos para o capítulo final da pandemia – mas não da crise do transporte, a Prefeitura do Rio de Janeiro apresentou um possível solução. O novo modelo de bilhetagem eletrônica que deve ser implantado no sistema de transportes da cidade, denominado de Sistema de Bilhetagem Digital (SBD). O objetivo é dar maior transparência financeira ao sistema de passagens e coletar dados a fim de possibilitar melhorias às linhas de ônibus. Segundo a Prefeitura, o sistema atual não permite apurar as receitas para saber quando ele é lucrativo ou não, e também não informa o número diário de passageiros. Em agosto, a prefeitura lançará o edital buscando empresas interessadas na gestão do sistema.

O novo modelo, semelhante ao usado em outros países, vai possibilitar o pagamento das passagens com celular, cartão, Pix, QR Code ou passes mensais. E, além de ônibus, vans, metrô, BRT e trens, integra, também, os sistemas Bike Rio e Táxi Rio. Em um ano e meio, não teremos dinheiro circulando dentro dos ônibus, com o fim da função dupla de motoristas que hoje manuseiam notas e moedas e dirigem. Uma das possibilidades futuras será a diferenciação de preços para usuários eventuais e permanentes, com a redução de tarifas para os frequentadores assíduos.

O modelo prevê uma Câmara de Compensação Tarifária com o dinheiro indo para a Prefeitura, que ficará responsável pela distribuição aos operadores, permitindo o controle em tempo real da entrada das receitas. A gestão ainda pretende gerar receitas por meio de publicidade digital. Apenas nos primeiros 5 anos do contrato, a administração municipal prevê faturar R$ 55 milhões em anúncios no app. Se de fato acontecer, possibilitará no futuro socorrer o sistema e garantir a circulação de todas as linhas. 

Apoiar o desenvolvimento de tecnologias para soluções de problemas que tragam benefícios para o povo carioca é meu compromisso. Se isso vai garantir o fim da caixa preta do transporte de ônibus no Rio de Janeiro e um serviço de melhor qualidade para a população? Ainda não podemos afirmar, mas estarei de olho, fiscalizando de perto.

Concordamos totalmente com a administração pública quando afirma que a gestão dos transportes de maneira transparente é um dos maiores desafios do Rio do presente. Todos os cidadãos pagam a conta desse problema.

3 COMENTÁRIOS

  1. Olá aqui em campo grande na zona oeste do Rio já sumiram milhares de linhas inclusive as que vão para o centro do como as linhas 366 e a 398 que sai de Campo grande em direção a praça Tiradentes que não circulam mas.
    Você liga para 1746 da prefeitura e eles não tomam nenhuma atitude foras as outras linhas como 738, 851 841, 822,850 e etc sinceramente a prefeitura do Rio e sua secretária de transporte não fiscalizam nada e nós não temos mas ônibus aqui.

  2. Um das maiores metrópoles do mundo, o transporte público do Rio de Janeiro como ônibus, trem … é uma vergonha. Num mix de má gestão(proposital), falta de estratégia, enfrentamento de problemas, o Rio está pelo menos com 20 anos de atraso nos transportes públicos, de ônibus então nem se fala.

    Linhas como a 409, 410 – motoristas competem por passageiros e as vezes tenho que me indispor com algum deles… Já a linha 433 não sei qual ônibus é o pior…
    Tudo isso pago, um concessão fracassada e um sistema estudado nas coxas pelo então prefeito Dudu Paes que deteriorou ainda mais o sistema.

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