Pelas Bandas do Rio: a estrada percorrida pela Barbie Suburbana

Pelas Bandas do Rio: a estrada percorrida pela Barbie Suburbana

2 de janeiro de 2016 6 Por Felipe Lucena
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No meio musical, muito se discute sobre estar no underground ou no mainstream. Por diversos motivos, as opiniões se dividem. Contudo, há também um caminho do meio. Artistas que já têm um bom público, um relativo sucesso, uma boa visibilidade, mas não são “celebridades”. A banda Barbie Suburbana, de Itaboraí, pode ser considerada um desses casos.

Na estrada desde 1999, o grupo tem dois álbuns independentes gravados, está preparando o terceiro e já fez mais de mil shows. A música “Meu Fusquinha”, em 2013, foi uma das 23 finalistas do Brasil inteiro do Prêmio Multishow de Música. Nos últimos dois meses, a mesma canção tem ficado assiduamente no top-3 de pedidos do programa “A Vez do Brasil” da Rádio Cidade 102,9 RJ, ficando mais de 17 semanas em primeiro lugar, sendo sete semanas sem interrupção.

Além disso, recentemente, a banda ganhou a promoção “Exagerado 3.0” da Rádio Cidade do Rio de Janeiro. Em comemoração aos 30 anos desse grande clássico do Cazuza, a rádio promoveu um concurso: a banda que fizesse a versão mais original da música ganharia 15 mil reais em equipamentos e uma gravação da versão em estúdio, produzida pela Cidade.

Formada por: Eric Maia (vocal e guitarra), Felipe Machado (baixo e vocal), Alex Oliveira (bateria) e Ramon Guitarra (guitarra e vocal), a Barbie Suburbana tem muitas referências musicais. “São influências diversas. Cada integrante bebe de uma fonte e nosso processo criativo é uma catarse! O Ramon, por exemplo, tem influências marcantes de um som mais pesado, como Alice In Chains e Pantera; Eu [Felipe] sou influenciado pelo punk rock dos anos 90, como Green Day, Blink 182 etc; o Alex é um músico que bebe da fonte do progressivo e do fusion, e o Eric tem influências do rock clássico, do reggae, da surf music e de ritmos brasileiros. Quando compomos, temos o cuidado de não fazermos uma salada musical”. [Risos] destaca o baixista.

O nome da banda tem muito a ver com a situação que a Barbie Suburbana vive. Tendo que ralar muito para alcançar os feitos que já têm, os integrantes, ao batizarem o grupo, decidiram adotar um tom crítico e com humor em relação à nossa estrutura social.

Esse nome é uma crítica ao que o sistema nos faz. As bonecas são um exemplo de um projeto de sociedade pré-estabelecido, engessado, que te obriga a ser algo que você não é, apenas por estética ou conveniência. O subúrbio é o lugar onde você pode ser você mesmo, onde as pessoas não ligam tanto pra sua aparência ou pro que você tem. E uma antítese bem humorada” afirma Eric Maia.

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O vocalista da Barbie Suburbana tem uma visão otimista em relação a atual cena musical de rock no Rio de Janeiro:

Sou bastante otimista com a cena atual. É preciso evoluir sempre, mas comparado com outros tempos que vivemos, agora é infinitamente melhor. Temos 15 anos de estrada e pegamos a fase dos festivais com vendas de ingressos, que são nada mais nada menos do que corrupção. O produtor terceiriza a venda antecipada de ingressos pra banda, o resultado disso eram shows vazios e produtores com dinheiro, sem ter trabalhado pelo evento, pois a própria banda comprava os ingressos que não tinham sido vendidos. Agora, os produtores estão muito mais profissionais, estão dominando as mídias eletrônicas e os eventos têm dado muita gente. Sem falar no consumo de música digital que é bem grande. Há uma sede muito grande por parte do público por música boa. Quem estiver pronto nos próximos anos, oferecendo um material artístico de qualidade, vai colher excelentes frutos de seu trabalho” pontua Eric.

Além do novo disco, que terá 11 faixas e sairá em fevereiro de 2016, a banda está preparando uma série de cinco webclipes que sairão na metade do próximo ano.

A Barbie Suburbana está trabalhando diariamente para em 2016 oferecer um material de excelente qualidade pro nosso público e com isso, fazer chegar a eles nossas mensagens de amor, paz e otimismo” diz Eric Maia. Talvez o maior hit da banda seja Meu Fusquinha. Música de relativo sucesso de um grupo que já tem quilometragem e pretende continuar percorrendo essa árdua estrada que é fazer arte no Brasil.

Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.


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