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Para ingressar em uma universidade pública, uma pessoa precisa ser aprovada em um vestibular ou conseguir uma transferência através de editais públicos. No entanto, perfis no Instagram garantem que a há outra forma — mesmo que seja crime. Conversando pelos stories destas páginas (mostradas abaixo), um número de Whatsapp é enviado. Então, começa a ilegal negociação. O “vendedor” cobra R$ 130 mil e diz que só recebe o dinheiro após o aluno ser matriculado.

Os perfis dizem que conseguem vagas tanto por transferência como por acesso no início do curso, como se a pessoa estivesse sido aprovada no vestibular, seguindo todo o processo normal.

As negociações precisam ocorrer de forma bem direta. É assim que eles operam. A reportagem do DIÁRIO DO RIO, em contato com um dos perfis que dizem vender as vagas, foi avisada que teria como pagar para uma matrícula no curso de medicina, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segue a conversa por Whatsapp, após os primeiros contatos no Instagram:

Segundo as informações recebidas pelo DIÁRIO, a prática acontece, também, em outros estados do país e os perfis afirmam que a ocupação de parte das vagas já está ocorrendo. Para isso, de acordo com os “vendedores”, quem comprou a vaga precisa comparecer à universidade entre os dias 15 e 20 de março. Tudo é tratado pelos mesmos perfis e números de telefone, no mesmo procedimento citado na matéria.

Procurada para comentar a situação, a UFRJ explicou que desde o ano retrasado não há transferência para medicina e que só entra no início do curso quem passou no vestibular:

A Pró-Reitoria de Graduação da UFRJ (PR-1) classifica como fantasiosa e desrespeitosa a declaração de perfil de rede social que diz vender vagas sob transferência externa para acesso à graduação no curso de Medicina da UFRJ. O ingresso por esta modalidade, como qualquer outro na Universidade, é feito por edital público e todos os atos são divulgados com transparência e publicidade integral no site https://acessograduacao.ufrj.br.

Além disso, desde o ano retrasado, não foram disponibilizadas vagas para o curso de Medicina sob esta forma de acesso, haja vista que dificilmente existem vagas ociosas neste curso, porque é um dos mais concorridos do Brasil.

Sobre o acesso em início de curso, lembramos que a operacionalização da lista para ingresso na UFRJ é produzida pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), coordenado unicamente pelo Ministério da Educação (MEC), a partir das notas dos candidatos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cabendo à UFRJ tão somente a execução dos procedimentos para fins de matrícula. Ou seja, não é possível a inserção de nomes alheios à relação gerada pelo MEC, o que, por si só, demonstra o descabimento da declaração.

Lembramos, ainda, que a UFRJ abriu um canal exclusivo para receber denúncias de fake news, para que a Universidade verifique a veracidade do que circula na internet sobre a instituição. É o email fakenews@ufrj.br. Já as denúncias de irregularidades são apuradas a partir dos canais da Ouvidoria da UFRJ, no site ouvidoria.ufrj.br“, informa a nota.

1 COMENTÁRIO

  1. É claro que não há transferência pra medicina desde o ano passado, vocês venderam todas as vagas que eram para prova de transferência.
    Esse é o Brasil, todo mundo querendo levar vantagem. Por isso que universidades apoiam tanto um milhão de cotas. O índio, quilombola, transsexual, cadeirante e pobre que passar com 600 na UFRJ vai abandonar o curso no 1º período, daí é 130 mil garantido na venda da vaga dele.

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