Pesquisa feita pela Comissão RJ Ciência no Combate à covid-19 traz levantamento dos diagnósticos não notificados da doença no Estado. Os dados são colhidos por meio de 1 formulário on-line, disponível para preenchimento de toda a população.

O trabalho é coordenado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro e conta com a participação da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

A subsecretária de Ensino Superior, Pesquisa e Inovação, Maria Isabel de Castro Souza, que também é professora da Uerj, explica que a ferramenta vai produzir dados geoposicionados da população, o que vai permitir o cruzamento das informações do percentual de casos notificados e subnotificados da covid-19.

“O questionário visa demonstrar o que não está aparecendo nos registros oficiais. Vários trabalhos realizados até o momento indicam que existe 1 percentual da população que não está sendo testado, pessoas expostas de várias formas à doença e que se apresentam assintomáticas, muitas das vezes em ambientes contaminados”, diz Maria Isabel de Castro.

A especialista também afirma que a análise dos dados possibilita a implementação de medidas mais efetivas no combate à pandemia, como a criação de novos leitos para internação de acordo com os locais com mais casos subnotificados, além do reforço do isolamento nas regiões mais afetadas.

O pesquisador Fernando Sanches, do Departamento de Segurança e Saúde do Trabalhador da Uerj, explica que o preenchimento do formulário é voluntário e vai contribuir para a análise nacional sobre a pandemia.

“Os grupos de pesquisa pegam esse dado e fazem 1 cruzamento com os dados oficiais. Com isso, o estado vai conseguir ver mesmo aqueles que ainda não foram notificados, ou por falta de teste ou por demanda muito grande dos laboratórios. Tem pessoal o suficiente para fazer a análise dos testes? Pode estar demorando pra sair o resultado. Quando você disponibiliza o formulário para a população ajudar nesse monitoramento, facilita e mais pra frente vamos ter a avaliação desse impacto”.

Ele cita também o formulário do Conselho Federal de Enfermagem, criado para monitorar a situação da doença entre os trabalhadores da área, que deve ser preenchido apenas por enfermeiros. Os dados coletados estão disponíveis no site Observatório da Enfermagem. Pela atualização feita na manhã desta 2ª feira (18.mai.2020), já são 14.987 casos confirmados e 116 óbitos de enfermeiros em todo o Brasil por covid-19.

ESTIMATIVA DE CURVA E SUBNOTIFICAÇÃO

As estimativas de subnotificação de casos de covid-19 apontam que o Brasil pode ter até 16 vezes mais casos do que mostra a estatística oficial divulgada diáriamente pelo Ministério da Saúde.

O último balanço divulgado na noite deste domingo (17.mai) apontou 241.080 casos no país. Logo, o número real de infectados pelo coronavírus no Brasil pode chegar a 3,6 milhão.

O acompanhamento é feito por 1 grupo de pesquisadores de várias instituições do país, como USP  (Universidade de São Paulo), UnB (Universidade de Brasília), Uerj, UFRJ, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal da Bahia e Fiocruz, entre outras. As análises estão disponíveis no site Covid-19 Brasil.

Fernando Sanches é 1 dos participantes do grupo. Ele explica que a estimativa de casos totais é feita com base em dados oficiais sobre a doença no Brasil e em outros países, como a Coreia do Sul e a Espanha, e leva em conta a taxa de testagem para o novo coronavírus. Segundo ele, no cenário mundial, o Brasil ainda precisa aumentar muito o número de testes diagnósticos.

“O Brasil hoje está na faixa de 3.500 testes por milhão de habitantes e tem 244 mil casos notificados. A Espanha está da ordem de 65 mil testes por milhão e tem notificado hoje 277 mil casos. Então, nessa proporção de testes, você consegue ver que há uma diferença muito grande em termos de notificação. A Espanha está testando 20 vezes mais que o Brasil e tem praticamente o mesmo número de casos”, afirmou o pesquisador.

Os dados que Sanches cita são do site Wordometer, feito por 1 grupo internacional de pesquisadores e voluntários para reunir informações da pandemia.

De acordo com este site, a Espanha está em 3º lugar em número de casos de covid-19, atrás de Estados Unidos e Rússia. Em 4º lugar aparece o Reino Unido e em 5º lugar vem o Brasil.

O pesquisador destaca que outro indicativo da subnotificação é que a letalidade típica da covid-19, com base nos dados da Coreia do Sul, país que tem conseguido fazer testes em massa, com 14 mil por milhão, é de 1,11%, já corrigido para as faixas etárias da população brasileira. No Brasil, a letalidade registrada oficialmente está em 6,7%.

Pela estimativa do grupo de pesquisadores do site Covid-19 Brasil, seguindo a tendência preditiva dos casos confirmados oficialmente, na próxima 2ª feira (25.mai) o país vai alcançar os 400 mil casos da doença, com 26,6 mil óbitos.

Sanches explica que esses dados são calculados de acordo com as medidas adotadas atualmente de isolamento social, capacidade da rede de saúde e testagem da população, bem como o avanço da doença já registrado no Brasil.

As informações são da Agência Brasil.

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