Uber x Taxi

A busca do setor empresarial por maiores rentabilidades e a dos consumidores em melhores benefícios, principalmente em relação ao custo, faz com que a engrenagem econômica funcione e consequentemente, viva em uma constante transformação.

Se no final da década passada a gigante Kodak praticamente monopolizava o setor fotográfico, pouco mais de um década depois, o crescimento das câmeras digitais fez com que abrissem falência. Este caso pode parecer única, mas ao longo da história dos anos repetiu-se com diversas empresas. Em geral, de setores que enxergaram e se adaptaram às mudanças de mercado.

O que você diria se hoje soubesse que há muitos anos atrás os vendedores de óleo para lampião forçavam o governo a proibir a luz elétrica? Parece absurdo, mas a história se repete.

A briga do ano na cidade não foi travada entre os candidatos à Prefeito, e sim entre a tradição dos taxistas, com os novatos do Uber. E o governo do Rio, mais uma vez, parece não ter feito o dever de casa.

Sem juízo de valor, ou determinar preferências pessoais por um ou por outro, é óbvio que o Uber apropriou-se de uma enorme fatia de mercado, por isso criou a insatisfação dos taxistas com o serviço.

Mas vamos voltar na história para a era pré-Uber. Taxistas no Rio nunca foram uma categoria tida como simpática pela população. Muitos cariocas têm uma história própria para contar, ou de alguém próximo que teve problemas de ser recusado como passageiro pela localização de destino. Nada que não seja direito dos taxistas, afinal, ninguém é obrigado a atender quem não quer. Mas agora enfrentam algo que não existia antes, e não é o Uber, é a concorrência.

O Uber é um símbolo de um novo modelo de negócios, que foi uma evolução para um público que passou inclusive pelos apps de táxis e que busca um serviço melhor. Como em quaisquer áreas da economia capitalista, a concorrência faz parte do jogo, então por que para os taxistas seria diferente?

Entretanto, a briga está injusta para os taxistas. Se antes tinham o monopólio do transporte público “confortável” na cidade, em 2016 a malha melhorou com o metrô com a da Linha 4, o Uber ganhou muito espaço e certamente o rendimento do taxista caiu, consequentemente, gerou insatisfação da classe.

Mas de quem é a Culpa? do Uber que invadiu o mercado? Da população que busca novas alternativas? ou daquele Taxista “que não sabe trabalhar”?

Na verdade, de nenhum deles, a culpa é do desequilíbrio do jogo. Durante anos os taxistas pagavam altas taxas à Prefeitura, que fazia vista grossa em máfias que acumulam autonomias, exploravam o “motorista” e negligenciavam os passageiros.

Agora, a Prefeitura prefere pegar um táxi na contramão da história e proibir o Uber. Talvez a medida seja eficiente nos próximos meses, mas em breve novos serviços serão criados, novAs opções de transportes serão oferecidas e o antigo modelo, que já não faz mais sentido, será um problema novamente.

Para um motorista que paga diária em um táxi, o Uber é uma opção de começar o dia não devendo a diária à ninguém. Para o passageiro é uma opção de serviço prestado com mais qualidade (aparentemente, mas não obrigatoriamente). E para o setor de táxi é uma opção de renovação de seu modelo de negócio, mas que em uma estratégia ruim, prefere pressionar o governo para proibir o Uber, e não para que o Estado equilibre o jogo e deixe mais justa a disputa no setor.

A briga é de mercado, mas a estratégia adotada não irá salvar os táxis, no máximo adiar o problema. A nova economia mostra que pensamentos modernos e novos modelos podem chegar a qualquer momento, como o Autolib, um modelo de carros elétricos compartilhados, parecidos com a bicicletas do Itaú, que já faz sucesso na França.

A prefeitura pode ajudar o taxista a vencer a briga de hoje, mas não conseguirá segurar a evolução para sempre.

Diretor de Criação da MESA Comunicação e professor da ESPM - RJ. É graduado em Publicidade e Propaganda, Pós-Graduado em Marketing Digital e Mestrando em Gestão da Economia Criativa. É também apaixonado pelos seus filhos Théo e Sophia e pelo Rio de Janeiro.

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