Foto: Ana branco

Dados de um relatório elaborado pelo Centro de Controle Operacional (Cecopom), divisão ligada a Polícia Militar do Rio, apontam que a PM atende ocorrências na Zona Sul duas vezes mais rápido do que na Zona Oeste da cidade.

Segundo o levantamento, os três batalhões mais rápidos no atendimento aos chamados são ficam localizados na Zona Sul. As unidades de Copacabana, Botafogo e Leblon levam menos de 19 minutos entre o momento da ligação para o 190 e a chegada ao local. Já na outra ponta do ranking da eficiência está o batalhão de Santa Cruz, o 27º BPM, que demora uma média de 40 minutos para chegar aos locais dos chamados.

Os números foram obtidos com base em ligações atendidas pelo 190 ao longo do último mês de junho. Segundo o documento, o 35º BPM (Itaboraí) é a unidade com maior tempo de espera entre todas as da Região Metropolitana: em média, as viaturas do batalhão demoram 41m43s para chegar ao local da ocorrência, contados a partir do momento em que a chamada é atendida. Também estão entre os batalhões menos eficientes duas unidades da Baixada Fluminense, o 34º BPM (Magé) e o 24º BPM (Queimados) — com, respectivamente, 40 e 39 minutos de espera.

O levantamento também calculou as médias de tempo que cada batalhão leva para mobilizar uma viatura para a ocorrência após receber a chamada. Novamente, o 19º BPM (Copacabana) e o 2º BPM (Botafogo) tiveram os melhores resultados, respectivamente 2m48s e 2m53s. O terceiro lugar ficou com o 7º BPM (São Gonçalo), com 2m54s — a unidade, entretanto, não ficou nem entre as dez mais eficientes, levando em consideração o tempo total, da ligação até a chegada dos agentes ao local. Já o batalhão que levou mais tempo para despachar suas viaturas foi o 34º BPM (Magé), 6m02s.

Os batalhões que mostraram os melhores resultados no atendimento de ocorrências também são aqueles com os maiores efetivos em relação à área de atuação e à população do local. O 2º BPM, que apresentou o segundo melhor tempo entre as unidades, tem um efetivo de 423 agentes — sendo 205 no patrulhamento ostensivo — para policiar uma área de 16,4 km², onde vivem 260 mil habitantes. Já o 24º BPM (Queimados), que teve o quarto pior resultado, tem quase o mesmo efetivo — 473 agentes, segundo dados de junho —, e precisa patrulhar uma área mais de 50 vezes maior (cerca de 900km²), com o dobro da população (530 mil habitantes).

A defasagem no tempo de atendimento aos cidadãos também se repete nos indicadores criminais e índices socioeconômicos. A área do 2º BPM registrou seis mortes violentas no primeiro semestre; já na região patrulhada por agentes do 24º BPM, foram 69. Os bairros de Botafogo, Flamengo e Humaitá, patrulhados pelo 2º BPM, tem uma renda per capita acima de R$ 3 mil. Já os moradores de Itaguaí e Queimados, sob responsabilidade do 24º BPM, tem renda média de, respectivamente, R$ 484 e R$ 635.

O relatório do Cecopom também detalha o perfil das ocorrências mais comuns na área de cada batalhão. Enquanto nas unidades da Zona Sul, denúncias de perturbação do sossego — casos de festas em condomínio, barulho alto vindo de casas ou apartamentos vizinhos durante a madrugada, por exemplo — são as mais recorrentes, na Zona Oeste e na Baixada Fluminense, a maior parte das chamadas é para relatar ocorrências de violência contra mulher.

Na área do 2º BPM, ocorrências de perturbação do sossego foram as mais frequentes, 66 ao todo, e chegaram a 5,7% do total. Já na região patrulhada pelo 23º BPM (Leblon), casos do tipo também são as mais corriqueiras e chegaram a 6,3% do total. Ocorrências relacionadas à pandemia de coronavírus ocupam o segundo lugar no ranking da região, que registrou casos de aglomeração em bares e restaurantes ao longo do mês.

Já em Santa Cruz, área do 27º BPM, denúncias de violência contra a mulher representam 15% do total — 448 de 2.846. Casos do tipo também estão no topo do ranking de outros quatro batalhões da Zona Oeste do Rio. A mesma situação se repete em toda a Baixada. Na área do 34º BPM (Magé), ocorrências de violência contra a mulher chegam a 12% do total de denúncias, maior percentual entre os quarteis da região.

Ocorrências de violência contra a mulher estão no topo do ranking das mais reportadas via 190 em junho em toda a Região Metropolitana: foram 5.148 denúncias, 8,8% do total. Já entre os batalhões, o que mais recebeu chamados pelo 190 em junho foi o 20º BPM (Mesquita): 6.216 de um total de 58.290, mais de 10%.

Segundo o decreto 43.624, de maio de 2012, o efetivo da PM deve ser distribuído com base na extensão territorial da área patrulhada pelo batalhão, tamanho da população e indicadores de criminalidade. A corporação, entretanto, tem autonomia para remanejar seus agentes.

O sistema de atendimento de chamadas via 190 é centralizado pela PM no Centro de Comando e Controle, na Centro do Rio. Após a ligação, a ocorrência é passada, via rádio da corporação, para as radiopatrulhas do batalhão da região. A viatura mais próxima vai até o local do chamado.

A PM alega que “o tempo de atendimento de ocorrências acionadas pelo Serviço 190 está relacionado, entre outros fatores, ao grau de urbanização e à densidade demográfica da região. As aferições mensais realizadas pelo Cecopom têm por objetivo identificar obstáculos e ajustar a performance de atendimento, com base em informações e avaliações técnicas“.



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2 COMENTÁRIOS

  1. Calou Grande é um bairro super bem policiado…
    Enquanto fiquei esperando um transporte observei isso.
    A cada dois, três ou, no máximo, quatro minutos passava uma viatura.
    Não entendo como seja um bairro dominado pelo crime organizado da milícia.

  2. O aparato todo policial – da cidade toda – não é de hoje ineficiente.
    Se considerar a realidade, as unidades com mais policiais estão naquelas áreas de UPPs.
    Mesmo assim isso não significa qualidade no pronto atendimento… E por quê?
    Um erro de achar que a Polícia brasileira, como formada, é para o trabalho de prevenção ao crime. Não faz há tempos!
    Hoje a Polícia Militar nessas regiões está mobilizada contra o tráfico. Já parte da milícia, apenas para não entrar em conflito com aquele.
    Já a Polícia Civil apenas investiga alguns casos. O Registro de Ocorrência não passa de uma folha de papel…
    Como nas áreas da Zona Sul aquele trabalho de guerra violenta realizada em outras regiões da cidade causaria maior atenção e descontentamento das elites, então não é feito.
    Logo, as duas Polícias mais atuam nas suas funções tradicionais e você encontra mais disponíveis para o pronto atendimento.

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