Romper a hegemonia de Porto e Benfica é tarefa quase impossível no futebol português. Porém, na temporada 1986-87, o Vitória de Guimarães esteve muito perto de quebrar essa tradição. O treinador Marinho Peres, coadjuvado pelo auxiliar Paulo Autuori, foi o responsável pela formação de um dos melhores planteis já montados na história dessa agremiação. 

Logo em seu primeiro ano em Portugal, o técnico implantou um esquema de jogo inspirado nas ideias de Rinus Michels de quem foi jogador no Barcelona. Para quem não sabe, Michels foi o comandante do inesquecível Carrossel Holandês, a seleção holandesa que encantou o mundo com um modelo de jogo revolucionário e inovador na Copa de 1974, na Alemanha. Não por acaso, Marinho Peres, então zagueiro do Santos, esteve como titular da Seleção Brasileira durante todos os jogos daquele mundial, atuando até de forma bem viril quando o Brasil capitulou diante dos holandeses. 

No mesmo ano foi contratado pelo Barcelona e participou da implantação do mesmo “futebol total” apresentado na equipe catalã. Apenas em 1976, regressaria ao Brasil, passando a jogar pelo Internacional. Em 1978, vestiu a camisa do Palmeiras e veio a encerrar a sua prestigiosa carreira no America, o qual passou logo a treinador. Atualmente vive em Sorocaba e tem passado por graves problemas de saúde.
À sua disposição havia um elenco recheado de jogadores de grande classe, principalmente de  brasileiros. Naquele tempo uma grande profusão de atletas tupiniquins abundava no futebol lusitano. No caso do Guimarães, o grande destaque era Paulinho Cascavel, atacante reserva campeão brasileiro, em 1984, pelo Fluminense que tivera uma breve passagem pelo Porto. 


Os outros representantes eram o lateral-direito Heitor, ex-Flamengo,Vasco e campeão mundial de juniores pela Seleção Brasileira, em 1983, o meia Ademir Alcântara, ex-Internacional, o zagueiro Nenê, ex-Atlético Paranaense, o atacante Nivaldo, ex-São Bento, e o ponta-esquerda Roldão, artilheiro no futebol paranaense que também atuara no Guarani. Os zairenses N’Dinga, meia, e o atacante N’Zama completavam o esquadrão que praticou um futebol de grande consistência, o qual chegou a se intrometer na luta pelo título máximo do Campeonato Português e que ainda brilharia na Copa da UEFA, após alcançar no ano anterior o quarto lugar no Campeonato Nacional.


Naquela que foi a sua melhor campanha em nível europeu, o Vitória eliminou Sparta de Praga, Atlético de Madrid e o holandês Groningen. Somente os alemães do Borussia M’gladbach, orientados por Jupp Heynckes, conseguiram travar, nas quartas de final, a turma portuguesa. No Campeonato Português, os alvinegros terminaram a competição em terceiro lugar, a 7 pontos do campeão Benfica, e com mais três que o Sporting. A primeira derrota apenas aconteceu na oitava rodada frente aos benfiquistas. João Alves, na altura treinador do Boavista, chegou mesmo a afirmar que o Vitória de Guimarães era candidato ao título. Vale frisar que a equipe ainda contou com a artilharia máxima de Paulinho Cascavel com 22 gols. A única que vez na qual o time vimaranense terminara em terceiro foi na temporada 1968/69. Além disso, quatro jogadores foram cedidos à seleção portuguesa: Jesus, Costeado, Adão e Nascimento.


Guardo vívidas lembranças dessa época por um motivo bastante particular. Meu saudoso tio, vítima de um infarto fulminante há quase três anos, Ronaldo Nunes, era um advogado, empresário e procurador de grande prestígio e competência junto a jogadores e profissionais brasileiros em Portugal. Infelizmente não nos víamos com frequência, mas quando nos encontrávamos, ficava sabendo de seus êxitos em terras lusitanas. Na ocasião era o representante do Guimarães e dos atletas brasileiros supramencionados, além de Marinho Peres, Renê Weber, Jorge Baidek, Caio Júnior, Jorge Andrade, Fernando Pires e Paulo Autuori, cujo filho é casado com uma prima minha. Ainda foi o descobridor e procurador de Alex, o habilidoso meia que fez imenso sucesso na Seleção Brasileira e no futebol internacional.



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