Ciclista na região da Praça Antero de Quental, no Leblon
Ciclista na região da Praça Antero de Quental, no Leblon - Foto: Rafa Pereira/Diário do Rio

As lojas já tinham até feito suas liquidações de Inverno, muitos cariocas já estavam tentando descobrir como pagar a conta de luz do ar condicionado, mas é quase frio de outubro e o frio continua no Rio de Janeiro. O pessoal do ClimaTempo bem que tenta responder a razão das temperaturas atípicas no Rio e em São Paulo.

No Rio, os termômetros marcaram temperaturas abaixo do normal para o mês. Os estados da Região Sul também sentiram dias com frio atípico e houve até registro de geada em áreas mais elevadas da serra catarinense. O ar frio aliviou o calor em Mato Grosso do Sul e fez o Sul de Minas Gerais se sentir no inverno novamente.

Eventos de tempo severo, com chuvarada de água e de granizo, ventania com rajadas de mais de 100 km/h e tempestades de poeira foram destaques desde o início de outubro. A chuva se espalhou pelo país e várias capitais brasileiras vão terminar outubro de 2021 com volumes acumulados de chuva acima da média para este mês. O que é excelente notícia, já que estávamos, e ainda estamos, as margens de um problema de desabastecimento e de apagão.

Temperatura do Atlântico Sul favorável

Basicamente, a baixa temperatura nas capitais São Paulo e Rio de Janeiro pode ser explicada pelo excesso de dias com muita nebulosidade e chuva e a presença de ar frio de origem polar.

O ar frio e parte da chuva foram provocados pela passagem de frentes frias sobre a Região Sudeste, mas as condições da temperatura superficial da água do mar no Atlântico Sul facilitaram o deslocamento das frentes frias.

A água do mar mais quente do que o normal, na região oceânica próxima da costa da Argentina e da Região Sul, favoreceu o avanço mais lento das frentes frias pela costa do Sul e do Sudeste do Brasil. Isto estimulou a formação de mais áreas de instabilidade sobre o centro-sul do país.

La Niña

O fenômeno oceânico-atmosférico La Niña se estabeleceu de vez na porção central-leste do oceano Pacífico Equatorial. O La Niña é o período em que a temperatura da água nesta região do Pacífico fica abaixo do normal, tanto na superfície quanto em profundidade.

As observações mostram que o fenômeno La Niña contribui para que a temperatura fique amena nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Sem Bloqueio

No começo da primavera de 2020, uma situação de bloqueio atmosférico dificultou a passagem das frentes frias e das massas de ar frio de origem polar pelo centro-sul do Brasil. Houve também uma parada no deslocamento das áreas de instabilidade associadas com a oscilação Madden-Julian. Este foi um dos principais motivos para instalação da super onda de calor que o Brasil viveu em parte de setembro e de outubro de 2020.

Em outubro de 2021, sem bloqueio na circulação de ventos na média e na alta atmosfera, e com a temperatura da água do Atlântico Sul favorável, as frentes frias avançaram mais facilmente pela costa do Sul e Sudeste. A frente fria da semana de 18 a 22 de outubro de 2021 chegou ao sul da Bahia e ajudou a formar áreas de chuva sobre o Nordeste e sobre o Tocantins.

Alta da Bolívia

Uma situação pouco comum também foi observada em alguns dias de outubro de 2021: a formação da Alta Bolívia. Este sistema meteorológico ocorre em torno de 10 km acima da superfície e é a resposta da alta atmosfera a um grande aquecimento em superfície. É um sistema meteorológico típico de verão.

O calor acima do normal de setembro de 2021 estimulou a formação da Alta da Bolívia em outubro, que contribuiu para a organização de áreas de instabilidade pelo interior do Brasil. A passagem das frentes frias combinada com a Alta da Bolívia organizou um grande corredor de umidade sobre o Brasil. Em alguns dias, as imagens da nebulosidade captadas pelos satélites meteorológicos mostraram uma situação muito semelhante a de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), embora outras condições técnicas não permitissem a caracterização efetiva deste sistema.

Novembro ainda pode ter frio atípico?

Clima tempo no leblon. Praça Antero de Quental. Foto: Rafa Pereira / Diário do Rio

Outubro vai terminar com tempo instável na maioria das áreas do Brasil.

A frente fria que virou o tempo em São Paulo no domingo, 24 de outubro, vai fazer com que a última semana de outubro seja úmida e fria em São Paulo. Volta a esfriar também no Rio de Janeiro.

Grandes áreas de instabilidade se formam sobre o país provocando chuva generalizada. Poucas áreas do Nordeste, do Tocantins, de Minas Gerais e do Sul do Brasil ficarão sem chuva na última semana de outubro de 2021.

Novembro ainda pode ter frio atípico? A resposta é sim. Para o próximo mês, não se pode descartar a ocorrência de mais episódios de frio atípico no centro-sul do Brasil, com temperaturas dentro a abaixo da média em algumas partes da Região Sudeste. O fenômeno La Niña persiste no Pacífico Equatorial e vai continuar auxiliando no aumento de nebulosidade e temperaturas mais próximas da normalidade.

Curiosidade

Outubro de 2021 está sendo com temperatura muito abaixo do observado na mesma época do ano passado. A média das temperaturas máximas de 1 a 24 de outubro de 2020 foi de 28,5°C, 4,6°C acima da média das máximas no mesmo período de outubro de 2021

No Rio de Janeiro, o dia 20 de outubro de 2021 foi um dos mais frios do ano até agora, com temperatura máxima de apenas 19,6°C, na região da estação meteorológica da Vila Militar, na zona oeste carioca. É uma temperatura muito baixa para os padrões normais da cidade do Rio de Janeiro em outubro.

A média das máximas de 1 a 24 de outubro de 2021 foi de 27,6°C, sendo que a média climatológica de temperatura máxima para este mês é de 28,2°C. Em 24 dias, o termômetro na Vila Militar marcou mais do que 30°C em apenas 8 dias.

4 COMENTÁRIOS

  1. Ta perfeito, nao suporto calor nem me pagando, so comeca a esquentar pra aparecer insetos por toda casa, suar de madrugada, quedas de luz constantes e uma fadiga, prefiro 1000x o frio do que esse calor desgraçado.

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