O Fundo Geral do Turismo (Fungetur) é uma iniciativa do Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo, voltado para melhoria da infraestrutura turística. Durante a pandemia da Covid-19, o Fundo recebeu R$ 5 bilhões para auxiliar empresas de turismo. Micros e pequenos empresários podem dispor de linha de crédito de até 1 milhão, os de médio porte até 3 milhões e os de grande até 30 milhões.

No caso do Rio de Janeiro, a instituição responsável pelas solicitações é a AgeRio. Entretanto, quando comparados os números do Rio com os de outros estados, fica claro que a AgeRio não solicitou verba o suficiente para atender a demanda do estado.

Segundo o relatório de operações contratadas disponibilizado no site do Fungetur, as operações contratadas pela AgeRio somam R$19.949.900,00. O total de repasses fornecidos pelo Fungetur, em todos os estados, soma a quantia de R$845.488.019,91, sendo realizadas 3172 operações para empresas que solicitaram os recursos.

Além disso, apesar de ser responsável pela demanda estadual, boa parte dos valores ficam apenas na cidade do Rio de Janeiro. Dessa forma, o interior tem acesso a muito pouco dos valores da linha de crédito.

Dessa forma, as operações contratadas pela AgeRio têm um percentual de, aproximadamente, 2,30% do valor total repassados pelos estados brasileiros. Isso fica claro no gráfico abaixo, que mostra a distribuição da verba pelos estados brasileiros.

Thomas Weber é empresário do turismo há 40 anos e, atualmente, é Presidente do Sindicato de hotéis, restaurantes, bares e similares de Armação dos Búzios. Ele relatou que tentou solicitar o crédito por duas empresas, mas não conseguiu.

A expectativa gerada e a necessidade do setor de turismo foi muito grande. Infelizmente, desconheço alguma empresa que tenha conseguido qualquer valor. Para nós, foi uma iniciativa bastante frustrante”, contou.

O Presidente da Federação de Convention & Visitors Bureaux do Estado do RJ e Presidente do Conselho Regional de Turismo da Costa do Sol, Marco Navega, também não obteve sucesso ao solicitar o crédito. Ele contou que a empresa teve que pagar uma taxa para análise de crédito, o pedido não foi aceito e não responderam qual seria o motivo. Sobre o trabalho da AgeRio, ele considerou distante da realidade do Rio.

Muito aquém da realidade do Estado do Rio de Janeiro, até mesmo como agente financeiro de recursos da União, principalmente do Fungetur do Ministério do Turismo. Foi alocado 5 Bilhões de Reais no âmbito federal e o Rio acessou apenas 19 milhões deste montante até o mês de novembro”, ele afirmou quando foi questionado sobre o trabalho da AgeRio.

Assim como Marco e Thomas, muitos outros profissionais do setor, que foi muito afetado pela pandemia, não conseguiram solicitar o crédito. Vale ressaltar que o PIB do Turismo do Rio representa 11% do PIB do Turismo Nacional, mostrando a importância do setor e o quanto essa dificuldade enfrentada pelos profissionais para acessar esses valores precisa ser solucionada.

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