Eles são dinâmicos, trabalham, empreendem, constroem, namoram, praticam atividades diversas. O público 50+, responsável pela movimentação de quase R$ 2 trilhões na economia brasileira em 2019, acaba de ganhar sua primeira plataforma digital multissetorial: viveravida.org. Diferente dos sites voltados apenas a assuntos específicos, mais comuns quando se trata do público maduro, a plataforma reúne conteúdo relacionado a diversos temas, como saúde, educação e notícias, além de entretenimento e benefícios “dentro dos padrões que a maturidade ativa requer”.

“O futuro é sênior. Finalmente o mercado global acordou para esse imenso público que não para de crescer e que, definitivamente, precisa ser reconhecido no Brasil. Em 20 anos ele será mais numeroso que os 50- e, há tempos, não se reduz às regras de idade e sim de comportamento. A Viver a Vida é ampla, baseia-se no fato de que a Geração X ou Baby Boomers não possui uma área específica de interesse e, sim, de interação ampla com todos os assuntos, gerações, hábitos e comportamentos. É um engano segregá-los a classificações antigas como ‘terceira idade’, ‘melhor idade’ ou ‘idosos’”, afirma um dos idealizadores da Viver a Vida, o publicitário Gui Bamberg.

Iniciativa de um grupo de profissionais multidisciplinar e intergeracional, a Viver a Vida surgiu com base em experiências pessoais dos seus idealizadores e, especialmente, para despertar o potencial do público maduro brasileiro. 

Estima-se que existam 54 milhões de pessoas com mais de 50 anos no país, de acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até 2030, o Brasil terá a quinta maior população idosa do mundo. A população de brasileiros com mais de 60 anos cresce 3% ao ano, mais que qualquer outro grupo, em especial, o de jovens. Já há mais avós no Brasil do que crianças com até 5 anos. A chamada “silver economy” ou economia da longevidade é potente e representou, no ano passado, US$ 15 trilhões de consumo no mercado mundial.

Esquecidos

Apesar do volume, o público maduro ainda é ignorado, por exemplo, pelas marcas. Segundo Bete Marin, cofundadora da Hype60+, “em Cannes de 2019, mais de 70% das agências de publicidade afirmaram nunca ter recebido um briefing voltado para o público sênior, apesar de serem responsáveis por 50% do consumo global”.

“Não se trata de moda ou gênero e sim de uma realidade a penetração dessas pessoas em todas as camadas da sociedade. São cada vez mais ativos. Tem um estilo de vida e hábitos de consumo que, há 30 anos, eram associados aos jovens. É urgente entender, pesquisar, interagir cada vez mais com ele, pois a diversidade de perfis é algo espetacular”, afirma Martins Vieira Jr., també publicitário e idealizador da Viver a Vida, ao lado de Gui Bamberg. 

“As marcas e suas agências até aqui – com raras e especiais exceções – trata essa imensa camada da sociedade como ‘vovôs e vovós’ ou os infantilizam, criando estereótipos do velhinho, do bebê grande ou do ‘jovem de qualquer idade’. Um grande erro é achar que essa geração quer parecer jovem. Ela quer ser ela mesma: com vitalidade, jovialidade, presença e atributos naturais de um ser humano”, grifa Bamberg.

O lançamento da Viver a Vida vem contribuir para mudar esse cenário e confirma tendências informadas pela pesquisa Wellness & Beleza Prateada, conduzida pela Dezon, Hype60+ e Tsunami60+, lançada no início deste ano. Entre os Territórios de Inovação, o levantamento aponta para o Wellness Educativo – plataformas de comunicação que tragam conteúdos para além das marcas e produtos; que abordem, por exemplo, bem-estar e estilo de vida.

Programada para crescer nos próximos meses, a Viver a Vida já vem ampliando sua base de colaboradores, produtores e criadores de conteúdo. “Já temos como parceiros programas semanais, como o do cantor e humorista Falcão, uma agenda de eventos diversos, um Clube de Benefícios com mais de 9.000 marcas atuantes e até uma rádio fm. Em breve, lançaremos ainda um e-commerce totalmente voltado aos interesses da maturidade e isto ainda é só parte do projeto”, revela Gui Bamberg.

Renata Granchi é jornalista, publicitária com mestrado em psicologia. Passou pela TV Manchete, TV Globo, Record TV e TV Escola. Escreveu dois livros didáticos e atualmente presta consultoria em comunicação e marketing para empresas do trade, como o canal de TV Like, Dom Produções Criativas, Audima, entre outras.

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