Esta semana o fechamento da Livraria Cultura, entristeceu vários cariocas. Mas quantas vezes aqui no Rio já não entramos de luto pelos nossos entes queridos de leitura? Nossos templos sagrados onde ler era o hábito e silêncio era a conversa parecem rarear cada vez mais. Como nerd, nosso cenário não é muito melhor. Já perdemos tantas bancas de quadrinhos queridas, mas nenhuma perda soa mais sentida que a da Gibimania, reduto da nerdice tijucana.

A Gibimania marcou toda minha adolescência. Por muito tempo, todas as vezes que deixava o Méier e ia para a Tijuca estudar ou encontrar amigos precisava parar naquele ponto. Com uma mudança da Jurupari para a Conde de Bonfim, dentro do Shopping este amor continuou. Era um relacionamento sério, mas nos víamos pouco. E, confesso, eu mesmo comprava menos do que deveria. Lembro de ter visto a edição de Fun Home (uma graphic novel relançada este ano, inclusive), mas ao invés de comprar pedi de presente de Natal. Quem me deu, não comprou por lá.



Um dia, fui a Gibimania e já não estava lá. No lugar, uma loja vazia. Curiosamente, uma Igreja construiu um púlpito no mesmo shopping, o que talvez seja uma das coisas mais repetitivas do êxodo cultural do Rio. Marquinhos Moraes, que nunca tive a chance de me apresentar por timidez, nos deixou e, espero, que seja então feliz, como diria aquela música sertaneja. Quem não ficou feliz, fui eu, sem as revistas e brinquedos para colecionadores que poderia contemplar ali. Um tempo em que ser nerd, era para poucos e pobres.

O Rio de Janeiro é uma cidade em que não falta diversão. E tem sua vocação cultural inegável, mas ainda vemos nossos espaços de livros como sebos e livrarias partirem. Resta torcer por tempos melhores em que a gente veja por aqui mais entretenimento para nossos olhos cansados de tanta beleza.

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