A deputada estadual Alana Passos (PSL) é uma bolsonarista raiz, com todas as qualidades e defeitos que carrega a nomenclatura. Entre os defeitos estão as lutas meio sem sentido, quem nem chegam a ser quixotescas, pois seria um elogio. Um exemplo é o Projeto de Lei 2019/2023 apresentado pela deputada na Alerj e que prevê a vedação da utilização de linguagem neutra em todas as produções e veiculações audiovisuais infantis, bem como em peças teatrais para o mesmo público em todo o Estado do Rio de Janeiro.

Parece censura? E é. Também acho a chamada linguagem neutra uma estupidez, vai contra a gramática, o manual de redação do DIÁRIO DO RIO o veda (a não ser aos colunistas de opinião, a qual é dado o direito de manifestá-la como quiser). Mas não cabe a um político querer proibir, especialmente com aquela velha e clássica desculpa de “proteger nossas crianças“.

Em sua justificativa Alana diz que quer proteger a Língua Portuguesa, bem, conhecendo a maioria de seus aliados, devo dizer que vai ter que mudar de grupo político e vai ser difícil achar um. Mas claro, a deputada não conhece como funciona nossa língua, ela é viva, ela muda, ela não precisa de proteção. Palavras se modificam, mudam de sentido e de forma.

Repito, a linguagem neutra é uma invencionice de quem se incomoda com tudo. Não basta ser redundante em eventos e dizer “Todos e Todas” quando se basta um “Todos“, agora se mete um “Todes“. Se a pessoa se incomoda com o formato de tratamento, que passem a me chamar de Vossa Graça, o Visconde Gomes Freire, é como prefiro, infelizmente só o fazem de forma jocosa.

O projeto de Alana também ultrapassa as fronteiras do estado, porque não censura apenas peças no Rio de Janeiro, mas qualquer obra audiovisual infantil em streaming ou internet. Como faria esse controle? Nem com a criação de um novo DOPS, a criação de conteúdo é tão absurda nos dias de hoje que simplesmente é impossível acompanhar.

Ela também fala de gêneros não existentes e considera tudo aquilo que não é macho, é fêmea, e o que não é fêmea, é macho. Eu não entendo as divisões atuais, mas também não entendo a Lei da Gravidade mas ela existe e respeito, evito pular de um prédio de dez andares, por exemplo.

Sou uma pessoa de direita e me considerava conservador, até esse pessoal ser eleito. Depois disso virei comunista (ao menos para eles) e sou obrigado a escrever um texto como esse e defendendo algo que acho um absurdo, mas nunca posso ficar do lado da censura, especialmente como jornalista.

7 COMENTÁRIOS

  1. Que título RIDÍCULO, MENTIROSO!!!
    Ela está CERTÍSSIMA,e defende a LÍNGUA PORTUGUESA,seu boçal!!!
    Num país com tanto analfabeto funcional,qual o idiota q quer embaralhar mais ainda o ensino q já é deficiente???
    Precisa ser uma mula juramentada para defender esse estupro em nossa língua!!!
    Sei lá….esse jornalzinho tá começando a cansar com essas pautinhas estúpidas!!

  2. Vamos fazer um teste… Alguém pode fazer um comentário inteligente com pelo menos 2 linhas com a linguagem neutra

    Sou esquerdista raiz e não essa nova esquerda que só sugere besteira, tenho nojo do Bozo e sua patota, mas linguagem neutra não vai rolar.
    Vão estudar a língua portuguesa pelo AMOR DE DEUS!!!

  3. A proibição de comercialização de pornografia a menores de 18 anos é censura ?
    Se não existe gênero masculino e feminino, então homens que desejem engravidar e (logicamente) não conseguem, sâo portadores de alguma sindrome ou anomalia ?

  4. O articulista tem razão SE e SOMENTE SE a obra com essa linguagem neutra – seja lá o que isso signifique – seja bancada com dinheiro 100% privado. O diabo sempre mora nos detalhes. Antes de dizer que é censura, vejamos estes detalhes: se um ente privado quiser jogar dinheiro fora com estultices, que o faça. É direito das pessoas escolherem ser idiotas e ficarem mais idiotas, inclusive editando livros para ensinar isso! Mas se a deputada está propondo que o Poder Público seja impedido de comprar e fomentar isso, que a princípio é um barbarismo da Língua Portuguesa, tem razão – porque o dinheiro público é escasso e não deve ser usado como forma de ativismo positivo nem como forma de regresso educacional.

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