Fernando Ferry, ex-secretário de Saúde do RJ - Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Me perdoem pelo desabafo, mas os últimos movimentos do ex-secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Fernando Ferry, tem me irritado um pouco. Um pouco não, muito. Ele vem agindo como uma virgem vestal, alguém que entrou na Secretaria de Saúde achando que era um convento, só de almas santas e puras e descobriu que não era nada disso.

Ferry vem fazendo denúncias, dizendo que não queria sujar o CPF e que havia muitos problemas nos contratos. A não ser que ele estivesse de quarentena total antes, sem nenhum acesso às informações e não analisou onde se meteu, os problemas da Secretaria de Saúde do estado eram tão conhecidos, mas tão conhecidos, que levou a prisão de vários funcionários, e chegou a iniciar o processo de impeachment do governador.

O ex-secretário age como se aceitasse ser policial, mas acabasse pedindo demissão porque teria de combater o crime e poderia levar um tiro… Afinal, ele foi nomeado exatamente para botar ordem na casa, verificar os contratos, ver o que estava errado. E, acima de tudo, aguentar a pressão.

Diz Ferry, em depoimento à Alerj, que saiu após um relatório da Controladoria Geral do Estado apontar várias irregularidades. Mas, oras, ele não sabia destas irregularidades? Diz que não conseguiria gerir pelas demandas dos órgãos de controle, mas não teria equipe para isso? Controle interno, advogados, subsecretários?

As reclamações de Ferry parecem a de quem nunca geriu nada. Mas, por incrível que pareça, ele foi diretor do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, onde, de acordo com o jornalista Rubem Berta, teria pago mais caro pela compra de EPIs sem licitação. Ele teria autorizado pagar 3 vezes mais que o próprio hospital pagou a outras empresas. São coisas que acontecem em uma gestão e devem ser resolvidas.

Talvez o único acerto de Ferry seja ao dizer que há muitos hospitais de campanha, afinal, o número de infectados e prováveis óbitos acabou sendo superdimensionado e o isolamento fez sua parte, deixando o número menor do que o esperado. Mas é algo difícil de explicar a população que se gastou por excesso de cuidado.

Mas, enfim, seria mais digno da parte do ex-secretário dizer que assumiu a Secretaria de Saúde sem saber os desafios que seriam colocados, e que não teve condições, ou competência, para resolvê-los. E que fique marcado aos próximos gestores, Ferry não nasceu para resolver crises.

2 COMENTÁRIOS

  1. Que artigo horrível – quer dizer que só ha um modo de gestão, o na irregularidade. Uma pessoa que queira fazer o certo está fadada ao fracasso e o articulista pressupôes isso, e ao invés de se insurgir contra um sistema corrupto se volta contra uma pessoa que ia tentar fazer o certo. Absurdo como aceitamos isso.

  2. Não é por nada, mas achei esse artigo uma coisa desnecessária e exdrúxulo mesmo…
    Até eu poderia ter assumido se alguém promete carta branca.
    E ele tem em seu histórico haver reerguido um hospital. É médico. Capacitado em gestão. Levou dezenas com ele. Todos preparados.
    Mas vendo que a promessa foi uma mentira, e que, pelo contrário, tinha que lutar contra todos no governo e interesses que extrapolavam o que antes imaginava (respiradores era uma ponta do iceberg), então caiu fora.

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