Imagem meramente ilustrativa da Baía de Guanabara - Foto Cleomir Tavares/Diário do Rio

O economista Milton Friedman já disse ”Se colocarem o governo para administrar o deserto do Saara, em cinco anos faltará areia“, e a CEDAE representa muito bem isso. Vale lembrar que ela não foi privatizada, que houve uma concessão de água e esgoto, a captação permanece com a estatal, ainda assim já podemos prever e esperar grandes melhoras, um avanço que só quem viveu a transição da Telerj para a privatização sabe o que significa.

Primeiro é o que entrou nos cofres, 3 dos 4 blocos foram outorgador por 35 anos por R$ 22,69 bilhões, um ágio de 114%! O governo previa que chegasse a no máximo 50% de aumento do valor durante o leilão. Isso em um momento que o estado, e vários dos municípios, precisam mais do que nunca reequilibrarem suas finanças, alquebradas por diversos motivos e piorados com a pior pandemia das últimas gerações.

O futuro da água e do esgoto do Rio só, espero, encontra comparação quando foi criado o Aqueduto da Carioca, hoje conhecido como Arcos da Lapa, matando a sede dos cariocas. Concluída em 1723, a obra estava prevista desde os anos 1600! O problema da água e a demora do governo tem uma história prodigiosa no Rio de Janeiro.

Hoje cerca de 10% da população do estado não tem acesso a água encanada, e quando tem pode vir com geosmina e outros problemas. Já 60% de um dos estados mais importantes da federação, não tem esgoto tratado!

O leilão não era apenas para dar dinheiro ao Estado e municípios naquele momento (na verdade, 60% serão pagos na assinatura do contrato, por volta de julho-agosto, outros 15% 6 meses depois, e o restante 2 anos depois.), os vencedores serão obrigados a fazer investimentos nos próximos anos. O BNDES prevê que seja de R$ 33,5 bilhões, na coleta de esgoto, a meta é sair de 44% hoje para 90% em 20 anos. No tratamento, sair de 26% para 100% no mesmo prazo.

O investimento, diz o Brazil Journal, deve multiplicar em 10, da atual média de R$ 178 milhões para R$ 2 bilhões anuais até 2031. Isso, além da da melhora nos serviços, é mais emprego, mais impostos, mais dinheiro circulando neste momento.

Vale lembrar que a cidade do Rio de Janeiro deve receber R$ 5,5 bilhões, pressão do prefeito Eduardo Paes (DEM) que entrou com várias ações sobre o leilão, afinal, a menina dos olhos do leilão foi a capital e sem ela nunca se atingiria tamanho ágio. O principal argumento de Paes era que o Rio precisava ter um tratamento diferenciado, uma vez que a capital é a principal fonte geradora de recursos para a Cedae. Desta forma o Rio, depois da gestão desastrosa e da pandemia, pode respirar e voltar a ter seus investimentos em infra estrutura.

Sem contar o efeito indireto, a outorga pode significar que finalmente teremos uma Baía da Guanabara limpa. Quem sabe os rios da cidade, hoje verdadeiros valões, voltem a ter peixes e plantas. Que as lagoas de Barra e Jacarepaguá se tornem pontos turísticos? Pode até ser um sonho, mas nunca esteve tão próximo.

10 COMENTÁRIOS

  1. Basta privatizar que está garantida a qualidade do serviço prestado? Se fosse assim, não teríamos tantos litígios envolvendo empresas privadas. Além disso, o mais revoltante é saber que precarizam a empresa pública de propósito para depois argumentarem que presta um mal serviço, que é ineficiente, com o objetivo de vendê-la à iniciativa privada. Se houvesse interesse do governo, a Cedae e outras estatais receberiam investimento suficiente para prestar excelente serviço para a sociedade. Mas um governo neoliberal tem horror a isso. E parte da imprensa ainda aplaude.
    O último que sair apaga a luz.

  2. O transporte público está privatizado. E o que temos? Um caos. A saúde pública em algumas funções está privatizado. E o que temos? Um caos. A energia foi privatizada. E o que temos?…
    Não sei o que dizer dos governos dos últimos 25 anos.

  3. Então só quero ver!! E nada desse papinho de “20 anos” não!! Tem que ser o quanto antes: REDE DE ESGOTO aqui na ZP, por exemplo… Aguardemos!

  4. Agora que o Estado do Rio de Janeiro vai ganhar essa ajuda em sua infraestrutura, é a hora do Estado garantir que as empresas poderão entrar em suas áreas de concessão para fazer as obras e para cobrar as suas contas! Como em tudo, teremos os benefícios mas também devemos cumprir com nossas obrigações.

  5. Esse critino sempre defendendo empresas e seus lucros.
    Na visão dessa gente, que continua elegendo os mesmos, corrigir o rumo do serviço público não é possível. Então tem que privatizar tudo…

    A terceirização do serviço público está aí. Veja a Saúde. Sócios das empresas em carrões, políticos com suas doações e o emoregado na precarização do trabalho tendo que assinar com subcontratada (numa quarterização do serviço) e o dinheiro deixando de cair na conta começando com pequenos atrás até que meses sem receber a empresa, um belo dia, ou da noite para o dia, aparece de portas fechadas, falida… e aquele empregado nem esperança de receber na justiça tem porque a empresa não tem bens.

  6. Afirmo sem medo de errar: todo processo de privatização que não contiver metas muito bem estabelecidas a serem cumpridas, será um desserviço ao povo. Uma meta, qualquer que seja, que tenha um prazo de 20 anos para ser atingida, não beneficiará, pelo menos, um terço da população, pois ao final deste tempo já terá morrido. essas metas deveriam ser cumpridas no máximo em 10 anos. Outra coisa: que não aconteça como aconteceu na privatização da Supervia, onde o Estado, por contrato, tem direito a receber um percentual da arrecadação da empresa. Porque em sendo assim não se trata de um processo de privatização e sim de uma sociedade. No caso da CEDADE o que importa é que as metas a serem atingidas sejam fiscalizadas e no caso do não cumprimento das mesmas que o processo de concessão seja cancelado. Vele para este processo de privatização uma máxima muito usada por minha querida mãe (já falecida): “No princípio tudo são flores”.

        • Ainda assim. Olha no mundo que temos protestos muito mais pesados que daqui. Quantas reformas propostas o governo francês dos liberais teve que recuar que defendia outros interesses que não da população? Na Coreia do Sul?
          Há tempos que sociedades mais desenvolvidas que a nossa perceberam que a manifestação não violenta – na luta de classes – como apregoada por Gandhi é impraticável.

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