Um restaurante está sendo construído, com tijolos e alvenaria, bem em cima do calçadão tombado da Avenida Atlântica, em Copacabana. Para piorar, a construção deixa um espaço por demais estreito para a passagem de pedestres junto ao Hotel, que é de uma rede israelense.

A rede de hotéis israelense Selina é conhecida por seu clima jovem e informal. Assumiu há poucos anos o controle do antigo Hotel Debret, bem na esquina da Avenida Atlântica com a rua Almirante Gonçalves, no coração de Copacabana.

A cidade foi surpreendida com o início de uma obra promovida por uma rede hoteleira em frente ao seu hotel na orla de Copacabana. A calçada de pedras portuguesas mais famosa do mundo, que forma os conhecidos desenhos e moisacos coloridos do paisagista Roberto Burle Marx, costuma ser utilizada pelos restaurantes com mesas, cadeiras, vasos de plantas e outras estruturas que sejam móveis. Mas a Selina foi além: está construindo uma estrutura com alvenaria, bem em cima do calçadão, e praticamente colado no hotel, sem deixar nem mesmo espaço razoável para o trânsito de pedestres. O calçadão da orla de Copacabana é tombado, e não deveria receber estruturas permanentes, segundo especialistas.

A audaciosa construção sequer deixa espaço razoável para as pessoas passarem com conforto, em grupo, como é habitual num calçadão“, diz Heloísa Palhares, moradora da Almirante Gonçalves. De fato, o DIÁRIO esteve no local e notamos que o espaço para passagem entre a nova construção (que fica na calçada!) e o prédio do hotel é bem estreito, diferente do habitual. (vide fotos comparativas, acima).

A Sociedade Amigos de Copacabana afirmou que entrará com uma representação no Ministério Público do Rio por causa da obra, que acredita ser irregular. O presidente da Sociedade, Horácio Magalhães, avisa que já procurou a sub-prefeitura da Zona Sul, que teria se limitado a dizer que a obra foi “autorizada“. Segundo ele, “A construção dessa varanda dessa forma é um verdadeiro absurdo, que vai atrapalhar a passagem de pedestres e a saída de veículos do prédio ao lado“.

O hotel Selina disse à rádio Bandnews FM que possui alvará da Prefeitura para a realização da curiosa obra. O secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação (SMDEIS), Chicão Bulhões, disse que “a SMDEIS não licenciou. Até porque não tem licença. Eles foram autorizados a título precário a usar o espaço apenas para fins temporários de mesas e cadeiras. Essa autorização foi dada pela Coordenadoria de Licença Fezendária, da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) Mas o que eles estão fazendo descumpre a autorização e é ilegal. A autorização será cassada imediatamente e a Conservação fará com urgência uma operação de demolição dessa construção irregular”.

O licenciamento surpreendeu diversas pessoas, devido ao tombamento do calçadão de Burle Marx. “Num momento em que a Prefeitura tem demolido tantas construções pitorescas e irregulares, os moradores de Copacabana não imaginavam que este tipo de construção permanente fosse licenciado“, disse ao DIÁRIO Adriano Nascimento, administrador de um edifício próximo.

O Secretário de Planejamento Urbano, Washington Fajardo, informou neste sábado (2/10) em seu instagram que a construção é de fato irregular. Fajardo também disse que o hotel foi notificado e multado pela Secretaria de Conservação, e irá remover a construção.

22 COMENTÁRIOS

  1. Esse ano eu vi uma matéria as retroescavadeira colocando abaixo as lojinhas do pobre trabalhador da zona oeste no chão e os grandes empresários podem sem problema?
    Quem votou nesse safado deve estar muito satisfeito com as atitudes dele.

  2. O Rio de Janeiro ta precisando de choque de ordem, estamos perdendo as calçadas. Precisando de fiscalização séria pois carro em cima das calcadas e comércio usando as calçada.

  3. Existem vários outros argentinos, italianos, alemão, francês, etc…há decadas e que nunca incomodaram em nada esses oportunistas, que até campanha de boicote estão sugerindo. Muito estranho isso . Esse incomoda muito menos do que o quiosque do PEPÊ lá na Barra que ocupou totalmente o calçadão da praia , obrigando os pedestres a andar dentro da ciclovia correndo risco de ser atropelado. Parem de hipocresia. Todos são iguais perante a lei.

  4. Mesmos subornos, mesmos subornados e a culpa é do povo que continua votando nos mesmos canalhas e depois passam 4 anos reclamando. Brasil, terra de quem tem mais pra pagar preço mais alto. Terra de quem tem cacife pra subornar melhor.

  5. De modo algum. Este é mais um ABUSO que empresários estrangeiros fazem em nosso país. Cara de pau. Expulsa agora, antes que seja construído. Cobra deles a recomposição da calçada, e uma multa gorda pela falta de vergonha. Se foi autorizado por agentes público deve ser investigado. Tem ares de corrupção, já que a calçada é tombada como patrimônio público. Faz isso no país deles, pra ver o que farão com você! Cara de pau. Respeitem nosso povo, nossa história.

  6. Alguém ou algum dos que comentou ou até quem fez a matéria, já reparou por acaso que há vários outros assim há décadas ali na Av. Atlântica e todos passam por ali tranquilamente? Falta de assunto ou sei lá. A única coisa que concordo com alguns é que PODE ter havido algum favorecimento como acontece.

  7. Os cariocas deveriam aplaudir o investimento. Tem um monte de restaurante em cima do calçadão e ninguém se incomoda, mas basta uma rede ‘israelense’ tentar fazer a mesma coisa que aparecem oportunistas por todo lado, ignorando precedentes e desdenhando os tributos que serão gerados em meros vinte metros de calçada …

  8. Essa é a política do *vai que cola*, a bandalheira disfarçada de inocência-velhaca. A prefeitura deveria ter dito ao dono da obra que os cariocas nao vão ceder nem mesmo um palmo do Nosso calçadão. Já nasce com cara corrupta, jeito corrupto, atitude corrupta…boicote esse estabelecimento!!

  9. Essa prefeitura do Rio de janeiro é uma vergonha, isso tudo sem contar com os péssimos engenheiros da prefeitura feitos nas coxas fazendo um monte de merda por aí, basta olhar os prédios avançando com gradeamento nas calçadas e isso tudo com consentimento da secretaria municipal de obras.

  10. E muito cômodo e econômico usar o espaço público, pago por todos os contribuintes…
    Conquistar 20 m² no calçadão de uma das regiões mais valorizadas do mundo é um superlucro…
    Graças à incompetência ou à prevaricação dos funcionários públicos…
    É vergonhoso para os que pagam seus impostos ver a desfaçatez do empresário e a canalhice dos órgãos públicos…
    Afinal, a cultura na faixa de Gaza é a mesma…

  11. É bem possível a rede ter conseguido, realmente, uma autorização para a construção, afinal, tais licenças – como outras – são obitidas no balcão de negócios mediante favores ou pagamento, sempre sob interesse privado.

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