Greve dos Professores no RioJá sinto as pedras “virtuais” voando em minha direção. Antes de tudo, um esclarecimento, quem lhes escreve não é o Quintino, dono do Diário do Rio, e sim o autor convidado Jan Krüger, do Caos Carioca. Por algum motivo o dono desse espaço meu deu liberdade para abordar os temas, e espero que esse não seja meu ultimo post. Apesar de estar distante, a 10.202 quilômetros da pancadaria de professores e policias na câmara municipal do Rio, venho acompanhando o que acontece na minha cidade natal, mesmo que seja apenas por vias digitais.

A primeira coisa que tenho a dizer sobre a greve dos professores não tem muito a ver com os professores ou o governo. Tem a ver com a cobertura jornalística da questão. Tentei entender pelos jornais qual era a proposta do sindicato dos professores, e a do governo, e nenhuma matéria ajudou. Decidi então ir direto à fonte do que reivindicam os professores, através do sindicato, que ocuparam a câmara municipal.

E ai a coisa desanda. Quem se der ao trabalho de ler o documento da SEPE, com o plano de cargos e salários proposto pelo sindicato, e tiver o mínimo de senso crítico vai acabar no mínimo com algumas perguntas, e em alguns casos com sérias dúvidas sobre a seriedade do documento.

É inegável que professores devem ter um salário digno (tal qual bombeiros, policiais, médicos e outros profissionais que provem serviços essenciais para o desenvolvimento da nossa nação). Por outro lado o atrelamento do salário a um índice elaborado por um instituto de pesquisa das centrais sindicais parece criar um risco bastante alto para a administração financeira de um município.

Se não bastar isso, pergunte se o piso salarial de aproximadamente R$ 2.400 para a merendeira e porteiro é alguma coisa factível nos dias de hoje. Novamente, não que eu não defenda salários dignos a todas as categorias. Mas será que é hora de pagar mais ao porteiro de uma escola do que ao Policial Militar? E se você quiser uma visão mais ampla dos cargos e salários dos professores, boa sorte, o documento é bastante vago quanto a isso.

Só não é vago quanto a aposentadoria. Integral após 25 ou 30 anos de serviço, respectivamente para Mulheres e Homens. Significando que um professor(a) que começou a trabalhar com 26 anos irá se aposentar com 51 ou 56 anos respectivamente. Cinco a menos que no setor privado, dez a menos do que na maioria dos países Europeus. Aposentadoria paga com dinheiro público para pessoas que ainda estão em plenas condições (na maioria das vezes) de trabalhar. Quem vai pagar essa brincadeira é o contribuinte.

No final das contas fica a triste constatação que um tema sério e relevante é mais uma vez tomado de refém por sindicatos que tentam se valer da oportunidade para ganhar poder politico. A proposta do sindicato não é feita para ser aceita. Ela é feita para ser absurda a ponto de não poder ser aprovada por qualquer gestor com mínimo de responsabilidade. Mas comunicada de tal maneira que professores entrem em greve e acampem na câmara municipal até entrar em conflito com a Policia, colocando a população contra o gestor incumbente.

A mesma falta de transparência e responsabilidade de qual acusamos os nossos gestores públicos esta presente como vicio de origem no texto proposto pelo sindicato para o plano de cargos e salários. E ai fecho com a pergunta. Se esse é o fato, o que diferencia entre estes e aqueles?

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