Rua Dias Ferreira, uma das mais conhecidas no Leblon, Zona Sul do Rio - Foto: Reprodução/Internet

A crise econômica pela qual estamos passando, ocasionada pela pandemia do Coronavírus, não é brincadeira. Das pequenas empresas às de grande porte, bem como das lojas mais simples às mais sofisticadas, o isolamento social afetou o comércio de maneira geral, em todos os segmentos.

E, utilizando um exemplo para representar bem a situação em relação aos estabelecimentos requintados – que, teoricamente, por terem um alto faturamento, conseguiriam resistir mais tranquilamente à crise -, podemos citar os restaurantes da famosa Rua Dias Ferreira, no Leblon, um dos bairros mais caros da Zona Sul do Rio de Janeiro. Por lá, as tradicionais casas gastronômicas ou fecharam ou estão tendo que se reinventar.

Rua Dias Ferreira – Foto: Fábio Guimarães/Agência O Globo

O Nola, por exemplo, que segue a linha de comfort food, está operando via delivery, bem como o Venga (culinária espanhola) e o Sushi Leblon (japonês).

Sushi Leblon divulgando uma das opções de seu menu para entrega

Já em relação à gastronomia italiana, o chef Pedro Siqueira, do Massa + Ella, diz que o restaurante está tendo uma quantidade maior de entregas do que anteriormente à quarentena, e que a experiência tem sido positiva.

Opção de prato à moda italiana no Massa

”O isolamento mexeu com nossa criatividade e nos fez enxergar novas possibilidades em relação ao delivery. Tivemos um aumento significativo do número de pedidos e começamos a criar novas opções para atender os nossos clientes. Por exemplo, toda terça-feira é o ‘Dia do Mimo’, onde o cliente ganha um presente quando pede um de nossos pratos pelo nosso aplicativo próprio ou por telefone. Antes da quarentena, nós fazíamos entregas, mas nossa operação era voltada principalmente para o restaurante [presencial]. Nos readaptamos, tivemos que diminuir nossa estrutura para ser viável trabalhar apenas com o delivery, mas ficamos muito felizes com o reconhecimento que ganhamos nesse período. Está sendo muito proveitoso”, disse ele.

A mesma ”sorte”, porém, não teve o Quadrucci, também voltado a pratos italianos. Segundo Maria Augusta Nobili, uma das responsáveis pela casa, as entregas não são o ponto forte do restaurante e, por isso, preferiram interromper o serviço para focar no planejamento à retomada das atividades quando o isolamento terminar.

Quadrucci em período anterior ao isolamento social – Foto: Reprodução/Internet

”Testamos o delivery por um período, mas achamos melhor interromper o serviço. A entrega não está no nosso ‘DNA’, dependemos de serviço terceirizado, como aplicativos de entrega, e isso era um complemento ao nosso negócio, e não o foco principal. Preferimos fazer uma pausa para pensar como será o processo de reabertura, preservando o emprego e saúde de nossos colaboradores”, explica ela.

Na mesma situação do Quadrucci, pode-se dizer, está o Celeiro, uma das principais opções da Zona Sul para quem busca pratos orgânicos/saudáveis. O restaurante também aderiu ao delivery durante a quarentena, mas, em 18/05, anunciou que estava fechando as portas por 15 dias ”ou até que a situação da cidade esteja mais tranquila”.

Já o Zuka, que apostava no ramo de culinária contemporânea, até tentou se enquadrar às entregas, mas, além de não ter obtido êxito, anunciou na última terça-feira (26/05) o encerramento definitivo de suas atividades. O DIÁRIO DO RIO tentou contato com a casa para comentar a situação, porém, até o fechamento desta matéria, não obteve retorno.

E para quem aprecia um ambiente de bar, o Boteco Boa Praça, um dos principais points da região atualmente, está fechado desde o início da quarentena. Na última postagem do estabelecimento no Instagram, realizada em 19/03, a casa informa que seguiria acompanhando a evolução da situação e, assim que houvesse alguma novidade, comunicaria ao público.

”Gosto muito do Boa Praça, justamente pelo clima de bar em meio ao requinte da Dias Ferreira. Espero que consigam sobreviver à situação e retornem do jeito que sempre foi, com muita boemia e agradável frequência de pessoas”, diz Letícia Castro, moradora do Leblon.

Em abril, o DIÁRIO DO RIO já havia noticiado o fechamento de alguns outros estabelecimentos, pertencentes ao badalado polo gastronômico do Jardim Botânico, como o Puro e o Avenca, e duas das 3 filiais do conhecido restaurante de gastronomia mediterrânea Ráscal na cidade.

Nesta semana, foi a vez do icônico restaurante Espírito Santa, em Santa Teresa, encerrar suas atividades após 15 anos devido à crise financeira.

Em meio à total indefinição em relação ao futuro, certo é que, mesmo quando acabar, a pandemia já deixou marcas profundas na economia e gastronomia carioca.



Siga nossas redes e assine nossa newsletter, de graça

Jornalismo sério, voltado ao Rio de Janeiro. Com sua redação e colunistas, o DIÁRIO DO RIO trabalha para sempre levar o melhor conteúdo para os leitores do site, espectadores dos nossos programas audiovisuais e ouvintes dos nossos podcasts. O jornal 100% carioca faz a diferença.

6 COMENTÁRIOS

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui