Projeção da Estação da Gávea

A Estação Gávea do metrô, quando estiver pronta, terá impacto na mobilidade, na geração de empregos e no desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro. A obra precisa ser retomada imediatamente, e há inclusive recursos financeiros para isso. Essas foram as conclusões de especialistas que debateram o tema na internet, em webinar promovido pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (Sinicon), na terça-feira (29/06). A estação é parte da maior obra de infraestrutura urbana do país, a linha 4 do metrô carioca, e a única não entregue à população, das seis previstas.

Para o vereador Pedro Duarte (Novo), “Faz todo sentido que a estação Gávea seja o destino prioritário dos recursos da venda da CEDAE. Não se trata de apenas mais uma parada da linha, não se trata apenas do entorno do bairro. É partir dali, conectando na Uruguai, que nosso metrô enfim deixa de ser um linhão para se tornar um sistema circular, integrado. Precisamos urgentemente concluir essa obra e avançar nisso”.

Benefícios à população 

Por dia, 22 mil passageiros serão beneficiados quando a estação Gávea for concluída. No site do movimento Anda, Metrô Gávea , no espaço dedicado a ‘O que está na mídia’, é possível rever o debate.

A construção da estação está paralisada desde 2015 pelo governo do Estado, que alega não ter recursos. Um laudo do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou sobrepreço e superfaturamento na obra da Linha 4 e recomenda que ela só seja retomada se forem praticados preços da planilha usada pelo tribunal.  No debate na web, porém, ficou demonstrado que o TCE usou referências equivocadas em sua planilha, o que levou a resultados bem distantes da realidade.  

O professor Aldo Dórea Mattos, consultor independente e especialista em engenharia de custos, com trabalhos citados como referência pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e outros tribunais de contas estaduais, relatou que não foram levados em consideração pelo TCE, por exemplo, as características únicas da obra e os custos com adicional noturno e seguranças dos operários.

Sou a favor de auditoria de obra pública, claro. É um trabalho árduo de comparar preços da construção com o preço paradigma, utilizado em obras públicas. Mas nesse trabalho é necessário ter cuidado para não comparar alhos com bugalhos. Essa obra da Linha 4 é singular em tudo. Ela tem um tatuzão, que não é um serviço corriqueiro. Tem ponte espraiada e sistema de ventilação que não existe em nenhum outro lugar. Os auditores buscam os preços paradigmas em bancos de dados. Nesse caso, é preciso pegar a composição referencial e aproximá-la o máximo possível das condições reais de execução de serviço. Foi o que fiz”, explicou Mattos no debate.

USP também aponta equívocos nos cálculos do TCE 

A Fundação de Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), da Universidade de São Paulo (USP), também fez perícia na obra da linha 4. Assim como o professor Mattos, chegou a conclusões bem diferentes das apresentadas pelos auditores do TCE, que usaram parâmetros equivocados para seus cálculos.  

O Tribunal de Contas do Estado concluiu por superfaturamento devido a um erro grave de metodologia. As conclusões por sobrepreço e superfaturamento não têm fundamento técnico, estão equivocadas. Não houve dano algum ao erário”, revelou o engenheiro André Gertsenchtein, coordenador do Grupo de Controvérsias Contratuais da FDTE.

Obra tem aval legal para ser concluída 

João Paulo da Silveira Ribeiro, presidente da Comissão Especial de Obras, Concessões e Controle da Administração Pública do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), destacou que não existe impedimento legal para a conclusão da estação Gávea. Segundo ele, o que há é uma condicionante do TCE para que sejam utilizados preços da planilha elaborada com equívoco pelos auditores do tribunal.

O que estarrece é que o parecer do professor Aldo Mattos, colocado nos processos em curso no TCE há um ano, até hoje não tenha sido objeto de análise de mérito pelo tribunal. É preciso saber de fato qual foi o custo da obra, a partir de bases da boa engenharia de custos”, alertou.

FIRJAN espera uso de recursos da CEDAE para concluir estação Gávea 

Sobre a alegada falta de dinheiro pelo Estado, o presidente do Conselho Empresarial de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Mauro Viegas, mencionou recursos obtidos pela concessão da Cedae à iniciativa privada.

A Firjan fez um levantamento sobre 22 obras inacabadas que precisam ser retomadas já. Entre elas, a do metrô Gávea.  

Essa é uma estação de integração, não é de fim de linha. No futuro, poderá ligar à Zona Norte, até a estação Uruguai, na Tijuca, atravessando a rocha. Também há uma rota pelo Jardim Botânico, até o Centro, além da ligação atual, da Zona Sul com São Conrado e Barra. O Estado lançou edital para obras emergenciais de estrutura. Mas isso não traz benefício direto à população e aos usuários do metrô”, destacou Viegas.

3 COMENTÁRIOS

  1. Nem receberam o dinheiro do leilao da Cedae e ja estao planejando torrar rapidamente. Sou a favor que o dinheiro da Cedae seja imvestido em educacao, que eh o maior obstaculo ao crescimento do Estado no momento. O RJ perde competitividade para outros estados em atracao por empresas por falta de mao de obra qualificada, pelo ensino no geral desde o basico estar tao ruim. Me admira a Firjan, uma Federacao que vive reclamando da falta de qualificacao dos profissionais pra justificar o alto desemprego na cidade, estar appiando enfiar o dinheiro do leilao da cedae em uma estacao de metro que neste momento, nao vai alavancar o RJ em nada. Ate porque, segubdo pesquisa recente, o setor metroviario esta penando com a baixa utilizacao do sistema devido a pandenia, e futuramente se o home office vingar apos a normalidade, o metro continuara as moscas.

  2. Fechem o TCE! Muito carpete, muitos empregados que demoram muito analisando, analisando, analisando e quando terminam – como se vê acima – concluem ERRADO! Fechem esta birosca! Serve pra nada, a não ser para viver gostosamente do esforço do povo.

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