Revisão da bilhetagem no Rio de Janeiro: o que pode mudar para o usuário do transporte público?

Para esclarecer ainda mais os benefícios socioeconômicos das inovações na bilhetagem, três exemplos que impactam diretamente o consumidor final

Ônibus rodam no Rio de Janeiro | Foto: Rafa Pereira - Diário do Rio

O sistema de bilhetagem brasileiro é majoritariamente gerido por operadores do sistema de transporte público. No entanto, algumas regiões já trabalham para alterar o cenário. O Rio de Janeiro, por exemplo, se torna a primeira cidade a ter seu sistema de bilhetagem licitado, formato que traz mais transparência e capacidade de gestão para o poder público, e também contempla pontos que incentivam a inovação e fomentam a melhoria do serviço para os usuários.

Segundo Luisa Peixoto, especialista em Políticas Públicas da Quicko, startup de mobilidade urbana recentemente adquirida pelo player finlandês MaaS Global, o novo edital traz exigências quanto à implementação de tecnologias disruptivas e fomenta ações que podem aperfeiçoar a experiência dos passageiros, aumentando a facilidade e a acessibilidade na compra de créditos de transporte de forma integrada. “A ideia é possibilitar a utilização do sistema de transporte sem a necessidade de pagamentos físicos, com desbloqueio de catracas por QR Code e a aproximação por cartões, por exemplo. Também encontramos endossos à implementação de sistemas de gestão por conta de usuário e não por cartão (Account Based System), integração com os transportes intermunicipais e abertura de a comercialização para diversas plataformas digitais fazerem a venda de créditos e desbloqueio de catracas. A utilização dos dois últimos pontos ficará a cargo do operador da bilhetagem.“, explica.

Transportar-se pelas cidades é um direito social, previsto no artigo 6º da Constituição Federal. Por isso, o acesso ao transporte deve ser sempre facilitado, buscando sempre integrar as soluções já disponíveis no mercado para tal. “Ter a possibilidade de utilizar meios mais práticos de compra, recargas e desbloqueios sem pegar filas é uma forma de atribuir ao usuário cada vez mais facilidade e dignidade no transporte.” reforça Peixoto.

Mas os benefícios se estendem para além disso. Novos produtos de bilhetagem também podem surgir, já que cada plataforma irá buscar formas de atrair seu cliente. “Podemos ter a possibilidade de implementar desde descontos em recargas a planos mensais de assinatura de mobilidade, incluindo serviços público e privados de modo ilimitado, (Mobilidade como Serviço) como acontece na Finlândia ou Londres. Assim, estimulamos uma mobilidade mais sustentável, oferecendo alternativas competitivas em relação ao uso de carros particulares.”, conclui a especialista.

Para esclarecer ainda mais os benefícios socioeconômicos das inovações na bilhetagem, a equipe da Quicko listou três exemplos que impactam diretamente o consumidor final. Confira:

  1. Aumenta eficiência do serviço

Com a diversificação de iniciativas envolvidas no serviço, a concorrência estimula a busca pelas melhorias da experiência digital e de suas ofertas. Diversas plataformas também ampliam o alcance do produto digital aumentando o número de pessoas que fazem a recarga pelo celular e melhorando a operação do sistema de transporte. Além disso, a comercialização multiplataforma reduz a dependência de um único agente de comercialização, reduzindo a dependência de uma única plataforma em casos de falhas. 

  1. Abre oportunidade para a criação de novos produtos e melhora a experiência do usuário

Aliando a bilhetagem aberta com a implementação de tecnologia nos processos (compra de créditos por conta, desbloqueio digital e integração de pagamento de vários serviços), o setor privado vira uma espécie de catalisador da inovação no transporte público, proporcionando o surgimento de novos produtos que visam a oferecer uma melhor experiência e maior controle ao usuário, a exemplo da flexibilização das formas de pagamento, assinaturas de créditos mensais, passagens válidas para multimodais (públicos e privados), integrações metropolitanas, entre outros.

  1. Torna a gestão do transporte público mais eficiente

Com a união dos setores público e privado, há a possibilidade de a inteligência de dados do setor avançar em complexidade e qualidade, tornando a gestão do transporte muito mais eficiente. Dessa forma, os recursos poderão ser mais bem aproveitados e a experiência do usuário, que será colocado no centro do planejamento urbano, deve melhorar, considerando que os serviços serão entregues com mais qualidade e precisão, incentivando a mobilidade coletiva.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Já que o sistema de cobrança é por aproximação (NFC), nada destas mirabolantes idéias seriam necessárias.
    Bastava o passageiro usar o cartão de débito do seu Banco…. Simples assim….
    Se quisesse mais passagens, compraria créditos no cartão da operadora….

  2. Enquanto isso o VLT pratica venda casada em suas venda de passagens debaixo do nariz do Proconrj, não querendo lembrar do Riocard+ porém é preciso dizer q é péssimo!! Máfia do transporte público no estado é q ganha, principalmente capital.

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