Simulação Cobal do Leblon (Foto: Divulgação)

O governo do Estado do Rio tem projetos para começar revitalizar ainda este ano dois espaços que são patrimônios da cidade: o Complexo Lagoon, na Lagoa, e a Cobal do Leblon. A ideia é fazer licitações para a que a iniciativa privada assuma os negócios com foco na vocação gastronômica da Zona Sul. Os polos revitalizados seriam entregues ao público em 2022.

No entanto, para dar prosseguimento ao cronograma, o estado precisa, entra outras questões, entrar em acordo com Ministério da Agricultura, que desde 1971 administra a Cobal do Leblon. A pasta federal, contudo, já sinalizou o desejo de ceder o local, situado em uma das áreas mais valorizadas do bairro, para o governo do Rio.

A expectativa, é de que até novembro, a Secretaria estadual da Casa Civil resolva essa questão, para aí sim, poder lançar um edital que atraia investidores que ficaram responsáveis pelas obras de modernização do espaço.

O Mercado da Ribeira, famoso complexo gastronômico em Lisboa, capital de Portugal, e os bares da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina, são as principais inspirações para o projeto que deve ser implantado no Leblon. Tombado desde 2011, o mercado também é, desde 2004, Área de Especial Interesse Funcional, o que preserva suas atividades de comércio de alimentos. Com 6.400 metros quadrados, a Cobal sofre hoje com o abandono e a deterioração das suas estruturas.

Em março deste ano, uma parceria entre o Sistema Fecomércio RJ (Senac e Sesc) e o Sebrae Rio manifestou odesejo de transformar, mediante uma ação de revitalização, a Cobal do Leblon em um espaço agregador de gastronomia no Rio de Janeiro. A iniciativa inclui, entre outro pontos, a retomada da vocação original do local como entreposto de alimentos e a inclusão de novidades que atraiam público em busca de alimentação, convivência e lazer. A proposta também contempla o desenvolvimento das comunidades do entorno, por meio da capacitação profissional, empreendedorismo, emprego e geração de renda.

O que se sabe dessa iniciativa, é que ela é inspirada em grandes centros gastronômicos como o Time Out Market, em Lisboa, em Portugal, e o Polo de Budapeste e o Mercado del Río, em Medellín, na Colômbia, o projeto de arquitetura e paisagismo amplia a proposta original da Cobal e prevê o desenvolvimento de novas utilizações para o espaço. A ideia é fazer melhor uso dos 6.4 mil m² e aproveitar áreas que, atualmente, encontram-se ociosas. Uma ampla seção será destinada à comercialização de produtos, inclusive de pequenos e microprodutores, para que o espaço realmente funcione como polo de abastecimento de hortifrutigranjeiros tanto para empresas quanto para os moradores da região.

Lagoon em meio a imbróglio Jurídico

A administração estadual ainda tem outro obstáculo para superar na ambição de revitalizar do Lagoon, que foi sede de modalidades esportivas na Olimpíada de 2016, no Rio. O prazo de concessão da área deveria ter acabado no ano passado, mas a empresa que administra o espaço, a Glen Participações, conseguiu uma liminar na Justiça que permite a prorrogação do período em função dos prejuízos gerados pela crise sanitária da Covid-19. Mesmo assim, o governo já realiza estudos para definir os valores da nova licitação.

Todavia, mesmo ante da pandemia, mais precisamente em novembro de 2018, o Lagoon já apresentava sintomas de que a crise tinha chegado. Os restaurantes do complexo gourmet foram despejados por conta de dívidas. As casas de shows que integravam a área também fecharam as portas.

A Miranda, inaugurada em 2012, encerrou as atividades em 2015, e o clube de jazz nova-iorquino Blue Note, em 2019, após dois anos de funcionamento. O motivo, mais uma vez, foram as altas dívidas contraídas. Hoje, apenas os cinemas seguem abertos.

Ao jornal O Globo, o secretário Nicola Miccione disse que o estado pretende instalar uma administração mista no espaço Lagoon, que contemple investimentos da iniciativa privada, com a abertura de restaurantes e lojas, mas também eventos relacionados ao calendário cultural da cidade.

Assim que a questão (da licitação) for concluída, o estado estuda uma ocupação mista, considerando as vocações do espaço. A expectativa é fazer uma nova concessão que também possibilite uma utilização multidisciplinar, abrigando a iniciativa pública e privada, em um espaço voltado para gastronomia, entretenimento, cultura, turismo, lazer e eventos, além de atividades para a população e serviços ao cidadão“, afirmou.

Os projetos para o Lagoon e a Cobal do Leblon, segundo Miccione, integram um programa que também inclui as licitações da Cedae e do Maracanã, conduzidas pelo estado. Estudos de impacto econômico realizados pelo governo mostram que todas as concessões somadas devem trazer algo em torno de R$ 1 trilhão ao longo de 35 anos, entre investimentos diretos e indiretos para o estado.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui