Em seu ex-blog de hoje, 2/9/15, o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM) comenta que grandes eventos no Rio podem ser verdadeiras armadilhas para as eleições seguintes. Quase um recado para Eduardo Paes (PMDB) que vem se garantindo em um eventual sucesso dos jogos olímpicos de 2016 para catapultar o seu candidato Pedro Paulo (PMDB) à Prefeitura do Rio, que hoje não chega a 5% das intenções de votos nas pesquisas.

Maia cita dois grandes eventos da cidade, o ECO 92 e o PAN 2007, em que os então prefeitos do Rio, Marcelo Alencar e o próprio Maia não conseguiram fazer seus sucessores. A razão estaria ligada ao uso de recursos nas obras relacionadas ao evento, que acabam sendo retiradas de setores como obras e conservação que aumenta a sensação de abandono. Ao noticiários que exponencia os problemas da cidade e o descontentamento dos servidores pela concentração de recursos no evento, e também acabam focalizando o excesso de gastos, os desperdícios e os desvios –sempre destacados

Soma-se também problemas diretos dos eventos, como engarrafamentos, restrições a mobilidade, férias escolares em períodos diferentes e atrapalhando os pais. Tudo isso acaba gerando um descontentamento ao governante no período. E até uma disputa interna no partido da situação, acreditando que terá um verdadeiro passeio eleitoral graças ao evento.

Ou seja, Paes pode ter mais problema a frente do que ele poderia esperar. Mas ainda, para mim, Pedro Paulo é franco favorito para vencer em 2016.

OS GRANDES EVENTOS NO RIO SÃO ARMADILHAS PARA AS ELEIÇÕES SEGUINTES!
1. Há uma ilusão por parte dos políticos de que grandes eventos internacionais –exclusivos- no Rio, que mobilizam a imprensa e parcela da opinião pública, geram uma enorme vantagem eleitoral na eleição seguinte. Essa é uma ilusão. Não que quem governa obrigatoriamente tenha que perder as eleições, mas a realização desses grandes eventos é um complicador e não um facilitador para a vitória eleitoral.

2. São 2 os grandes vetores explicativos destas dificuldades. O primeiro é que a máquina pública desvia atenção e recursos para esse tipo de evento. A qualidade –e quantidade- dos serviços públicos de rotina decaem. A reorientação dos recursos para o evento gera centralização das aplicações, reduzindo obras e intervenções em vários bairros, que têm a sensação de abandono.

3. O noticiário termina exponenciando os problemas que ocorrem na conservação da cidade, nas escolas, na área de saúde, na falta de investimentos capilares, etc. A concentração de recursos nesses eventos amplia o descontentamento dos servidores que, no caso do Rio, alcançam quase 200 mil, incluindo aposentados e pensionistas, além de suas famílias.

4. O segundo é que apenas uma parte da população está mobilizada para esses eventos. A maior parte mantém seu cotidiano. Esse cotidiano é afetado pelas restrições ao tráfego –engarrafamento, proibição de acesso em certos horários-, pelas restrições à mobilidade, pelo deslocamento de segurança para as áreas do evento, pelas férias determinadas para esse período, afetando a rotina dos pais, por exemplo…. Da mesma forma, os preços sobem no comércio, nos restaurantes e serviços diversos.

5. A resultante é dupla. A primeira é dos que não estão mobilizados, têm pouco interesse…, que se sentem prejudicados. A segunda é dos que estão mobilizados, mas apontam os problemas todos que afetaram os seus cotidianos e responsabilizam os eventos. O próprio acompanhamento do noticiário, prévio e posterior aos eventos, focaliza o excesso de gastos, os desperdícios e os desvios –sempre destacados. E depois afirmam que os legados ficaram aquém do que se esperava e que pelo dinheiro aplicado não valeu a pena o evento.

6. No Rio de Janeiro, desde 1992, tivemos dois grandes eventos desse tipo. A ECO-92 e o PAN-2007. A Eco-92 ocorreu no próprio ano eleitoral. Criou uma enorme expectativa de que o Rio -como capital do mundo, recebendo quase 200 chefes de Estado e de Governo- teria como desdobramento um passeio eleitoral. Essa perspectiva afetou até a disputa interna partidária, de quem seria o candidato para essa eleição tão fácil. A candidata do prefeito e do governador, favorita, não foi ao segundo turno.

7. No PAN-2007 da mesma maneira. A prefeitura concentrou recursos no evento afetando a conservação da cidade e a capilaridade das obras e intervenções. A associação do evento a esses fatos cobrou responsabilidade política ao prefeito. Se não bastasse, no início de 2008, quando a prefeitura normalizava e retomava a sua ação, veio uma epidemia de dengue que o boca a boca das pessoas relacionou ao evento e ao prefeito. A candidata do prefeito ficou longe do segundo lugar. O fato dos JJOO-2016 serem o grande legado do PAN-2007 só foi destacado nos documentos.

8. Os Jogos Olímpicos de 2016 ocorrerão –como em 1992- no mesmo ano da eleição. Os problemas que afetam o dia a dia da população serão multiplicados pelo porte e duração do evento. A concentração de recursos já afeta os serviços públicos e até a data-base de reajuste salarial foi atrasada em 2 meses. Os benefícios para a cidade não terão tempo de decantar. Os problemas sim. Até uma lei limitando a mobilidade das pessoas e horários especiais, férias, etc., durante o evento foi aprovada. Outra vez os desafios para formar opinião pública serão muito maiores do que se imagina.

9. Curiosamente, nos 3 casos, os prefeitos não puderam ser candidatos e tiveram que apoiar outros nomes.

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