Foto: Leo Aversa/Divulgação

Passados sábado e domingo, vem o meio da semana e, com ele, um deserto de opções musicais, obrigando quem quer curtir um som ao vivo a esperar até a sexta-feira, não é mesmo? Não, não é. Em diversos palcos pela cidade, entre terça e quinta desta semana, espalham-se apresentações nacionais e estrangeiras, que vão do samba ao jazz-funk, passando pelo experimentalismo, pelo suíngue e pelo virtuosismo, de A Cor do Som ao Spiritual Galaxy, de Bebeto a Nilze Carvalho e Marcelo Powell, em uma breve vista que segue agora:

Terça (17)
Em dois horários seguidos, no Teatro Riachuelo, Adriana Calcanhotto leva ao Passeio “Margem”, seu trabalho mais recente, lançado neste ano e que fecha o que acabou se tornando sua “Trilogia do Mar”, com  iniciada em “Marítimo” (1998) e prosseguida com “Maré” (2008) – sem contar faixas avulsas com a mesma temática, como “Maresia” (Antonio Cícero/Paulo Machado), gravada inicialmente por Marina em 1981 e relançada, com sucesso, por Adriana em “Público”, de 2000. 

Ela sobe ao palco com os mesmos músicos que participaram da gravação: Bem Gil (guitarra), Bruno Di Lullo (baixo) e Rafael Rocha (bateria, percussão e programações).

A diferença de uma década entre cada álbum é coincidência, segundo a cantora e compositora, que afirma não ter pensado em uma sequência conceitual quando lançou “Marítimo” – mas que diz ter começado a conceber “Margem” logo após lançar “Maré”. 

O fato é que o novo álbum reitera a paixão pelo mar reforçada quando Adriana saiu da sua Porto Alegre natal para morar no Rio de Janeiro e reforçada pelas temporadas em que ela costuma passar atualmente em Portugal. Assim, não é de estranhar que, em “Margem”, ela retome compositores de discos anteriores da trilogia e de sua predileção, como Péricles Cavalcanti, de quem canta “O Príncipe das Marés”, e José Miguel Wisnik, de quem gravou “Os Ilhéus”. 

Sete das nove músicas, porém, são da própria Adriana, da faixa-título à crítica “Ogunté”, cuja letra contrapõe “pacote de cruzeiros pelas Ilhas Gregas” a “crianças encalhadas na costa de Lesbos” – referência a naufrágios de refugiados. Adriana Calcanhotto – Margem
Adriana Calcanhotto – MargemVídeo oficial da música “Margem” da Adriana Calcanhotto. Escute aqui nas plataformas digitais:

Teatro Riachuelo. Rua do Passeio 38/40, Cinelândia. Tel.: 2533-8799. Às 18h e às 20h. Ingressos de R$ 25 a R$ 120. 
Adriana Calcanhotto – Show “Margem” – TEATRO
Quase ao lado, uma revelação atual do samba lança seu primeiro álbum solo. Com participação de Moacyr Luz, seu parceiro em “Camisa Desabotoada”, Douglas Lemos canta as músicas de “Ruas da Minha História” e sucessos de alguns de compositores como Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc e João Nogueira, com Bidu Campeche, Marcos Thadeu e Vitor Valadão na linha de percussão, além de Rafael Mallmith (violão e direção musical), Victor Solis (cavaco) e Marcelo Cebukin (flauta, sax e clarinete).

Teatro Rival. Rua Álvaro Alvim 33/37, Cinelândia. Tel.: 2240-9796. Às 19h30. Entrada: R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia).


Músico com passagens pelas bandas de gente como Gilberto Gil, Milton Nascimento, Paulo Moura, João Bosco, Pepeu Gomes, Tim Maia e tantos outros da primeira linha, o lendário percussionista Reppolho apresenta seu “Batukantu” na Audio Rebel.

Nesse show Reppolho canta e toca violão e percussão, acompanhado pela base disparada por ele próprio no computador, das três décadas de seu trabalho solo, do primeiro disco “Tribal Tecnológico” (1989) ao mais recente, “Juntos”, lançado em 2018, em parceria com o cantor e compositor pernambucano Ednaldo Lima. 

Audio Rebel. Rua Visconde de Silva, 55, Botafogo. Às 20h. Ingresso: R$ 20.

Quarta (18)
De volta ao Passeio, A Cor do Som comemora seus 40 anos de carreira, com o virtuosismo de Armandinho (guitarra/voz), Dadi (baixo/voz), Mu Carvalho (teclado/voz), Gustavo Schroeter (bateria) e Ary Dias (percussão), fundindo samba, rock, reggae, ecos de trios elétricos, afoxés e muito mais em “Zanzibar”, “Arpoador”, “Beleza Pura”, “Abri a Porta” e outras. 

Teatro Riachuelo. Rua do Passeio 38/40, Cinelândia. Tel.: 2533-8799. Às 19h. Ingressos de R$ 25 a R$ 80. 
A cor do som – TEATRO

(Daryan Dornelles/Divulgação)


Virtuosismo também estará, novamente ao lado, na Cinelândia, e, partindo à zona sul, no Jardim Botânico. No Rival, o violonista Marcel Powell homenageia o pai em “Sambas de Baden”, em parceria com a cavaquinista Nilze Carvalho

Teatro Rival. Rua Álvaro Alvim 33/37, Cinelândia. Tel.: 2240-9796. Às 19h30. Entrada: R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia).

Já no Manouche, o guitarrista Jorge Shay intercala o repertório jazzístico de sua carreira solo com o pop, em participações especiais de Leoni (baixo), Alfredo Dias Gomes (bateria) e Lulu Martin (piano), seus antigos parceiros da banda Heróis da Resistência. 

Manouche. Rua Jardim Botânico 983, subsolo da Casa Camolese (anexo ao Jockey Clube). Tel.: Às 21h. Entrada: R$ 60 (inteira) / R$ 40 (com 1kg de alimento não perecível).

Quinta (19)
Mais um guitarrista toca no Manouche, dessa vez o italiano Nicola Conte, com sua banda Spiritual Galaxy, que combina funk, psicodelia, acid jazz e variações de música africana.

Manouche. Rua Jardim Botânico 983, subsolo da Casa Camolese (anexo ao Jockey Clube). Tel.: Às 21h. Entrada: R$ 70 (inteira) / R$ 50 (com 1kg de alimento não perecível).

Recuperado de um AVC que o obrigou a se afastar s em 2017 e 2018, Bebeto emenda cinco meses de volta aos palcos, levando sua voz, seu violão, sua banda e seu suíngue em sucessos como “Menina Carolina”, “Salve Ela”, “Praia e Sol” e “A Beleza é Você, Menina”.Teatro Rival. Rua Álvaro Alvim 33/37, Cinelândia. Tel.: 2240-9796. Às 19h30. Entrada: R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia).

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Cinema
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Teatro

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Entrada: R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia). 

Carta a um jovem ator
Dirigido por Tiago Herz, João Vithor Oliveira faz monólogo sobre o texto de seu tio-avô Domingos Oliveira, que versa sobre as mudanças na juventude e o próprio teatro. Teatro Municipal Maria Clara Machado. Av. Padre Leonel Franca, 240, Planetário da Gávea. Tel.: 2274-7722. Quarta e quinta, às 20h. Até 3 de outubro. Entrada: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia). 

Um dia a menos
Teatro Petra Gold — Sala Marília Pêra: Rua Conde de Bernadotte 26, Leblon, Tel.: 2529-7700. Sábado e domingo, às 17h. Até 13 de outubro. Entrada: R$ 60 / R$ 30 (meia).

Um beijo em Franz Kafka
O texto de Sergio Roveri remonta ao um encontro entre Franz Kafka e o também escritor Max Brod, ao qual ele pede que queime seu acervo.

Teatro Petra Gold — Sala Marília Pêra: Rua Conde de Bernardotte 26, Leblon — 2529-7700. Sexta a domingo às 20h. Até 29 de setembro. Entrada: R$ 50/R$ 25 (sexta e domingo); R$ 60/R$30 (sábado).

A mentira
Miguel Falabella adapta, dirige e também atua no texto de Florian Zeller, sobre uma mulher que flagra o marido da melhor amiga com outra e não sabe se conta. Com Zezé Polessa, Karin Hils e Frederico Reuter. Teatro Casa Grande: Avenida Afrânio de Melo Franco 290, Leblon. Tel.: 2511-0800. Sexta e sábado, às 20h. Domingo, às 18h. Até 29 de setembro. Ingressos de R$ 40 a R$ 180.

Monstros
O musical de Emiliano Dionisi, com Com Claudio Lins e Soraya Ravenle, sob a direção de Victor Garcia Peralta conta a história de um casal que se conhece casualmente porque seus filhos estudam no mesmo colégio. Teatro das Artes. Rua Marquês de São Vicente 52, Shopping da Gávea (2º piso). Tel.: 2540-6004. Sexta e sábado, às 21h. Domingo, às 20h. Até 27 de outubro. Entrada: R$ 80 (inteira) / R$ 40 (meia). 

Uma fortuna para doi$
Dois netos aparecem quando uma idosa rica quer deixar sua fortuna para um deles.

Teatro dos Quatro. Rua Marquês de São Vicente 52, Shopping da Gávea (2º piso). Tel.: 2274-7246. Quinta, às 20h30. Até 26 de setembro. Entrada: R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia).

Exposições

Diversas. Animais coloridos, lendo livros, são o mote da mostra que Augusto Herkenhoff expõe até 12 de novembro no espaço Zagut (Shopping Cassino Atlântico. Av. Atlântica, 4240, loja 315, Copacabana-Posto 6). Tel.: 2235-5946. Das 10h às 13h e das 14h às 18h, de segunda a sexta. Sábado, das 10h às 13h. Até 12 de novembro.

Zanine 100 anos – Forma e Resistência
Com curadoria de Tulio Mariante, estreia neste sábado mostra de obras de José Zanine Caldas (1919-2001). Feitas em madeira maciça, as obras arquiteto, que completaria um século neste ano, denunciavam, desde a década de 1960, o desmatamento das florestas brasileiras. Museu de Arte Moderna. Av. Infante Dom Henrique, 85, Aterro do Flamengo (altura do Castelo). Tel.: 3883-5630. Terça a sexta, das 12h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h. Até 17 de novembro. Entrada: R$ 14 (inteira) / R$ 7 (meia). Grátis às quartas-feiras.

Darwin: Origens e Evolução
Estreia nesta sexta (30), com 295 peças que vão de acervos históricos a obras de arte atuais, mostrando a trajetória do naturalista inglês Charles Darwin até a Teoria da Evolução das Espécies, incluindo sua passagem pelo Brasil, em 1832. Museu do Meio Ambiente. Rua Jardim Botânico, 1008. De terça a domingo das 10 às 18 horas (com entrada até as 17 horas). Até 30 de outubro. 

Ai Weiwei – Raiz
Uma imensa instalação com mil bicicletas em frente ao cultural dá as boas vindas à exposição do chinês, que inclui uma imersão pela cultura brasileira em seu método de trabalho. CCBB. Rua Primeiro de Março, 66, Centro (em frente à Candelária). Tel.: 3808-2020. Até 4 de novembro, de quarta a segunda-feira, das 9h às 21h.

Da linha, o fio 
Com 23 artistas, entre eles Pedro Varela, Rodrigo Mogiz, Laura Lydia e Bispo do Rosário, a mostra reúne técnicas diversas como esculturas, instalações, pinturas, fotografias, vídeos, desenhos e objetos que têm em comum o uso da linhas e fios, até 20 de setembro, de segunda a sexta, das 10h às 19h, no Espaço Cultural BNDES (Av. Chile, 100, Carioca). Tel.: 2172-7447. Até 20 de setembro.

Campo
Coletiva reúne ex-alunos da Escola de Artes Visuais, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Ernesto Neto, Laura Lima e Luiz Zerbini, sob a curadoria de Ulisses Carrilho. Parque Lage. Rua Jardim Botânico, 414. Tel.: 3257-1800. Quarta a segunda das 10h às 17h. Até 20 de outubro.

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