Naquela madrugada, vi um filme chamado “A Caverna” (Time Trap), sobre um tipo de armadilha do tempo. Explico, na caverna da película, o tempo passa diferente. As coisas acontecem e mudam ao redor, passam dias, anos, estações, eras – e lá está você tentando escapar. Passado, presente e futuro enrolados. Foi aí que pensei no Rio de Janeiro. Antes mesmo dessa crise que veio a partir da pandemia, já parecia que tínhamos voltado aos anos 90. A cidade não evolui, as desigualdades continuam crescendo. E o mundo continua girando. Rio deve correr e seguir até o mar. Mas esse nosso Rio aqui parece paralisado.

Lá no filme da caverna fica todo mundo preso enquanto o mundo lá fora não para. Convenhamos que sou um grande entusiasta da ficção científica e desse tipo de história que brinca com paradoxos e a maleabilidade do espaço-tempo. Aliás, quantos não se sentiram parados no tempo durante a pandemia? Presos, exatamente como no filme. Para alguns o dia não passava dentro da rotina do isolamento; para outros, passava rápido até demais. O tempo pode ser amigo ou inimigo, depende do seu momento. Depende do sofrimento, ou da alegria. No sofrer, é lento e tortura; na alegria, voa ágil.

Além disso, voltando para a Cidade Maravilhosa, parece que as pessoas estão presas na caverna carioca. Afinal, deu no Diário do Rio, segundo pesquisa do Ibope, 57% gostariam de deixar a cidade. É como aquele velho desenho, “Caverna do Dragão” (que eu adorava), onde os heróis nunca conseguiam deixar aquele lugar perigoso em que foram parar. Semana passada eu já falava sobre essa questão de emigrar, sair do Rio de Janeiro, deixar o país.

Maya

Na caverna do filósofo Platão tudo era ilusão em um mundo de sombras. Nesta vida terrena em que vivemos, fica sempre a dúvida do que é a realidade. Buda chamava nosso mundo de Maya, a grande ilusão. Ou seja, viveríamos numa matrix que pretende nos deixar entorpecidos, presos numa armadilha do tempo. O tal filme acaba por apresentar esse subtexto de uma busca pelo passado que esbarra em obstáculos inesperados, mas vai de encontro a um futuro imprevisível.

Otimista inveterado, acredito que sempre possa haver uma escada para fora do buraco. Por mais que você perca algum tempo, em algum momento, vai subir e abraçar a liberdade. O Rio de Janeiro merece evoluir e sair dessa caverna – para a Luz.

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