Teresa Cristina é a capa da primeira edição carioca da revista Traços. Imagem: Divulgação.

Ele viveu em ruas do Centro do Rio de Janeiro e não sabia ler. Com a pandemia, perdeu os trabalhos autônomos de eletricista e pintor. Adailton Padre dos Santos, de 61 anos, é agora porta-voz da informacão carioca e gera renda vendendo, nas ruas, a Traços, revista de cultura e economia criativa que foi lançada oficialmente no Rio nesta segunda-feira, dia 26/07, em encontro para a imprensa e convidados no Museu de Arte do Rio (MAR).

Adailton Padre dos Santos é um dos 80 moradores em situação de rua no projeto apoiado pela Prefeitura do Rio, por meio das secretarias de Assistência Social, Cultura e Ordem Pública. Num único dia, Adailton vendeu dez exemplares da publicação, cuja unidade sai por R$ 10. A comissão é de 70%.

Geração de renda e reinserção social

Cada vendedor recebe 20 exemplares para levar às ruas, crachá de identificação, colete e acompanhamento personalizado que inclui planejamento financeiro e de vida, encaminhamentos para os acessos à rede socioassistencial e inserção em atividades e ações culturais. Os porta-vozes passam por treinamento com oficinas, respeitando os protocolos de segurança sanitária. A estimativa mensal é de até R$ 3 mil para cada.

A revista Traços existe no Distrito Federal há seis anos, tornando-se referência no meio cultural, reunindo nomes como Ney Matogrosso, Ellen Oléria, Hamilton de Holanda, Zélia Duncan, Camila Márdila, Murilo Grossi, Vladimir Carvalho, GOG, entre outros. A edição carioca estreia com a cantora Teresa Cristina na capa e o perfil de Antônio Videres Neto, morador em situação de rua de 57 anos, estampando as páginas internas. Ele é um dos atendidos pela rede de Assistência Social, emergindo de uma longa vivência com drogas e desemprego.

A publicação também atravessou a vida de Thifanny Isabella Branco, 40 anos, mulher trans acolhida pela Assistência Social, com histórico de excessivo consumo de álcool e drogas.

Agora acordo cedo e saio para trabalhar com a autoestima lá em cima. Na noite anterior, cuido dos meus cabelos e das minhas unhas, escolho o que vestir. Muito emocionada com as novas perspectivas“, relata Thifanny, oriunda de uma família vulnerável que nunca aceitou sua transição, levando-a cedo para as ruas. No primeiro dia, ela vendeu sete exemplares.

Mais informações e aquisição dos exemplares, neste link

Que a iniciativa da revista Traços continue por muito tempo e inspire outros projetos.

carioca, estudante de Letras na UFRJ. Nascida numa segunda-feira de carnaval, se apaixonou muito cedo pela arte das Escolas de Samba. Moradora da Taquara, é Zona Oeste desde os onze anos; não dispensa um passeio pelo Centro, uma ida ao Parque de Madureira, uma volta pela Cidade das Artes ou qualquer outro evento que consiga ir. Gosta de teatro e música, às vezes se arrisca nessas áreas. Também é pseudônimo de Bárbara de Carvalho.

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