Foto: Guito Moreto/Agência O Globo

Dados da Secretária Estadual de Saúde, SES, desta quinta-feira, 26/11, revelam que a taxa de ocupação da rede estadual destinadas à Covid-19 está em 79% em leitos de UTI e 48% em leitos de enfermaria. Ao todo, 276 pacientes aguardam transferência para leitos de internação, sendo 153 para enfermaria e 123 para UTI, que podem ser regulados para a rede municipal, estadual ou federal de saúde.

Já segundo a Secretaria Municipal de Saúde, SMS, no município do Rio, a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 na rede SUS, que inclui leitos de unidades municipais, estaduais e federais é de 94%. Nos leitos de enfermaria a taxa de ocupação é de 71%.

A rede municipal possui 901 leitos para Covid-19. Deste total, 271 são leitos de UTI. Nas unidades do município há 512 pacientes internados, sendo 255 em UTI.

No momento, 239 pessoas aguardam transferência para leitos na capital e na Baixada Fluminense, sendo 92 para leitos de UTI Covid. A SMS ressalta que as pessoas que aguardam leito de UTI estão sendo assistidas em leitos de unidades pré-hospitalares, com monitores e respiradores.

O pesquisador Marcelo Gomes, da Fiocruz, confirma a tendência de aumento dos casos da doença. Apesar da taxa de ocupação dos leitos ainda se apresentar menor do que durante a ocorrência do pico, em maio, a situação já representa um estado de alerta.

De acordo com o pesquisador, levar em conta que ainda estamos com dados muito abaixo do que foi o pico, é enganoso. “Agora já estamos com rede hospitalar com mais atendimento por outras doenças, reduziu a quantidade de leitos disponíveis e nesse cenário aumentam os casos graves de covid-19. Então mesmo que estejamos muito distante do que foi o pico, estamos em uma situação muito preocupante. Estamos dando uma largada do meio da pista, não estamos partindo do zero como foi no início.”

Em reunião realizada na última terça-feira (24/11) com o governador Cláudio Castro e prefeitos da Região Metropolitana, a Prefeitura mostrou a viabilidade de abrir cerca de 400 leitos no Hospital de Campanha do Riocentro e no Ronaldo Gazolla. No entanto, a medida ainda depende de liberação recursos financeiros do Estado.

A partir de 7/12, as cirurgias eletivas que não sejam de alta complexidade serão suspensas pelo SUS. Para Marcelo Gomes, é melhor reavaliar agora, do que esperar chegar um novo pico, pois o nível de ação a  implementar é menor e a capacidade de controle é mais facilmente alcançada. Portanto, já é o momento de reavaliar as medidas adotadas.

O boletim semanal do Ministério da Saúde mostra que, neste momento, a estimativa é existir uma média de 400/500 casos por semana. No período de pico, este número era de 1.800 semanalmente. Mas mesmo assim, a taxa de ocupação tem ficado próximo aos 90%, pois a capacidade de resposta, atualmente, é menor.

Marcelo Gomes esclarece que ainda não é possível afirmar se em um novo pico os índices serão mais elevados, embora a hipótese não seja descartada. “Não temos como saber se o pico será maior do que em maio. Mas pode ser uma possibilidade ser pior. Está no campo das possibilidades. Estamos partindo um ponto mais elevado. Podemos chegar a um cenário de superlotação mesmo com um pico menor do que em maio”.

De acordo com o último boletim da SES, até esta quarta-feira (25/11), 343.995 casos confirmados e 22.256 óbitos por coronavírus no estado. Há ainda 366 óbitos em investigação e 2.243 foram descartados. Entre os casos confirmados, 315.467 pacientes se recuperaram da doença. Só na capital são 133.836 casos e 13.115 mortes.

Vanessa Costa
Costa do mar, do Rio, Carioca, da Zona Sul à Oeste, litorânea e pisciana. Como peixe nos meandros da cidade, circulante, aspirante à justiça - advogada, engajada, jornalista aspirante. Do tantã das avenidas, dos blocos de carnaval à força de transformação da política acreditando na informação como salvaguarda de um novo tempo: sonhadora ansiosa por fazer-valer!

1 COMENTÁRIO

  1. A SAÚDE SEMPRE DE COBERTOR CURTO…
    Enquanto isto, os pacientes fazem fila e merecem o nome que têm, porque haja paciência para aguentar tanta incompetência e má administração.
    Afinal, onde está o dinheiro do contribuinte, nas campanhas e nos conchavos políticos?

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