Velório no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio, em 31/03 - Foto: Pilar Olivares/Reuters

O Rio de Janeiro apresentou, entre janeiro e junho de 2021, pela primeira vez desde a criação da série histórica do Portal da Transparência do Registro Civil, em 2003, um primeiro semestre com maior quantidade de mortes do que de nascimentos em todo o estado.

Até o final de junho, os cartórios fluminenses registraram 99.104 óbitos, número este o mais amplo desde então nos 6 primeiros meses do ano. O índice ultrapassa em 54,4% a média histórica de 64.100 mortes no RJ. O levantamento aponta também que 28.717 (29%) dos óbitos foram ocasionados pela Covid-19.

Com relação aos nascimentos, o Rio de Janeiro teve a menor quantidade em um primeiro semestre desde o início da série histórica. Ao todo, foram 96.416, número 13,6% menor que a média de nascidos no estado desde 2003.

De acordo com o Portal, da diferença de 99.104 para 64.100 (ou seja, 35.004) – entre a quantidade de óbitos do primeiro semestre de 2021 e a média histórica do período – a maior parte é de óbitos por Covid-19 (82%).

Para Victor Grabois, médico sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o recorde está diretamente relacionado com a situação da pandemia no estado. ”Esse excesso de óbitos não tem outra justificativa a não ser as mortes causadas pela Covid-19. O quadro tende a se amenizar com parcelas cada vez maiores da população estando vacinada com as duas doses, talvez mais para a segunda metade do segundo semestre. No entanto, a existência de variantes, como a delta, pode segurar essa queda”, disse.

Vale ressaltar que a base de dados do Portal da Transparência do Registro Civil é abastecida em tempo real através dos nascimentos, casamentos e óbitos registrados nos cartórios de todo o país e administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui