Imagem meramente ilustrativa de trecho do Largo do Guimarães, em Santa Teresa - Foto: Reprodução/Internet

A forma com que se conta uma história é que define os protagonistas e os antagonistas. Uma prova disso é que constantemente se fazem discursos de contraponto nos quais um homem é descrito como um governante que ”melhorou a economia de um país e acabou com o desemprego” – e de repente, revela-se que o mesmo é Adolf Hitler. Aliás, consta no histórico livro Festival de Besteiras que Assola o País (do carioquíssimo Stanislaw Ponte Preta), que o líder nazista havia sido réu em um julgamento simulado no interior do Estado do Rio e… fora absolvido, graças ao ”talento” dos estudantes de direito que haviam assumido sua ”defesa”.

No fim de semana passado, mais uma história foi contada de forma a definir protagonistas e antagonistas e, tal e qual muitas vezes fazem com Hitler, os papéis foram completamente invertidos – e inclusive por jornalistas ditos profissionais, que na hora de defenderem o seu lado do espectro ideológico não hesitaram em divulgar fake News sem nem sequer cogitar o espaço ao contraditório. A senhora Hildegard Angel, o filho de Ricardo Noblat (cujo nome me escapa agora) e o colunista Ancelmo Góis, de ”O Globo”, foram três desses jornalistas – além de outros de menor importância e que trabalham em veículos não muito lidos no Rio.

A história é simples: depois de receber centenas de pedidos de socorro de moradores de Santa Teresa, que não aguentavam mais roubos, furtos e uso/tráfico de drogas no bairro, pedi ao governador Cláudio Castro e ao secretário de Polícia Militar coronel Henrique que fosse instalado naquele bairro um posto do programa Bairro Seguro, que consiste em policiais especializados em relações com a comunidade e policiamento de proximidade.

A ideia é dar ao bairro condições de retomar o comércio pós-pandemia, os bares, a velha e boa boemia que sempre marcou aquele bairro do Rio de Janeiro. Mas com a ressalva de que a maconha e a cocaína, esses flagelos que há décadas se espalham por metástase em nossa cidade, deveriam ficar de fora.

Conto também com o moderno batalhão chamado Recom (Rondas e Controle de Multidões) para essa missão, mas essa é uma indicação que ainda depende de ser escolhido um bom local para um posto avançado dessa unidade de referência. A sede principal é na Rua Heitor Beltrão, na Tijuca, e a filosofia e padrão de atuação do Recom me levam a entender que este batalhão, que tem técnicas de abordagem semelhantes à paulista ROTA, pode fazer excelente trabalho em Santa Teresa.

No sábado passado, no entanto, fui à inauguração do Bairro Seguro e, no instante em que cheguei, já me receberam com vaias e agressões. Não me importei com aquilo – sempre tive, como político, as minhas convicções, sempre as deixei claras de modo a não me permitir mudar de lado como muita gente faz por aí (inclusive certa deputada federal de São Paulo). Entendo que quem quer agradar a todos acaba não agradando a ninguém. Segui com minha programação, fiz meu discurso, parabenizei o governador e o secretário pela iniciativa e segui para outro compromisso, não sem antes ser novamente alvo (e NUNCA vítima) de ataques grosseiros, xingamentos e agressões.

Qual não foi a minha surpresa ao ver vários jornalistas, a começar pela senhora Hildegard (sim, a mesma que certa vez propôs colocar catracas nas praias para controlar o acesso das pessoas e ”prevenir arrastões”), espalhando a fake news de que eu havia sido EXPULSO do bairro. E mais curioso: aos gritos de ”miliciano” e ”assassino” – sendo que não tenho nenhuma relação com milícias, apoio sempre quando são presos, e jamais estive envolvido em qualquer investigação de homicídio.

Os jornalistas usaram os gritos da turba para me chamarem de ”miliciano” e de ”assassino”. E mais: não se preocuparam em nenhum momento em checar a informação. Alguns, como o site ”Metrópoles”, foram contactados e receberam a versão correta – mas MANTIVERAM a fake news. Um dia depois, quando vários sites já tinham publicado, o sr. Ancelmo Góis, que ”só publica coisas inéditas e exclusivas”, reproduziu o mesmo vídeo já exaustivamente divulgado na internet, publicou a mesma notícia e novamente não deu espaço para o contraditório.

E assim foi criada uma história. Os ”autores”, sabemos, preferem a esquerda – e não necessariamente a verdade. Todos foram abordados por mim no Twitter e cobrados, todos usaram a estratégia canalha de fingir que não me viram reclamando – assim seus leitores não os veriam respondendo. A forma com que cada um desses jornalistas trata um parlamentar que não é adequado ao espectro ideológico deles chega a ser cínica.

No resumo da história? Atacaram as ovelhas e pouparam o lobo! O parlamentar que pediu MAIS POLÍCIA para Santa Teresa foi tratado como ”miliciano” e ”assassino” (novamente: usaram de forma covarde os gritos dos manifestantes para escreverem livremente essa difamação sobre minha pessoa), e os que RECUSAVAM a polícia (sob o manto de cordeirinhos de ”pedindo melhorias no bondinho”) foram enaltecidos como ”lutadores”, como ”defensores da lei e da ordem”.

Que tipo de jornalismo é esse, que simplesmente impede a outra parte de dar sua versão, de expor a verdade, inclusive GRAVADA EM VÍDEOS? Será que eles também absolveriam Hitler? Ou quem sabe Stalin, Lênin, Fidel, Chávez? Talvez estes últimos já tenham sido absolvidos!

Texto escrito pelo deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL).

1 COMENTÁRIO

  1. Acho importante dar voz a todos, mas não posso confiar num cara que invade colégio público pra fazer vistoria ideológica, não quer ser xingado amigo? Entregue o cargo!

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