Rodrigo Amorim (de preto) com aplaca quebrada de Marielle Franco (Foto: Reprodução Internet)

O Deputado Estadual Rodrigo Amorim, conhecido por ter quebrado uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, em 2019, enviou uma proposta ao Governo do Estado para que seja criada uma casa de acolhimento à mulher em situação de vulnerabilidade na Vila Mimosa, no Centro do Rio, área que abriga estabelecimentos voltados a prostituição.

O deputado propõe que a unidade receba o nome da vereadora, assassinada em 2018 junto com o motorista Anderson Gomes. Rodrigo Amorim também emoldurou parte do placa quebrada em homenagem a Marielle em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio.

O pedido de Amorim tem sido alvo de críticas por parte da cúpula do PSOL, ao jornal Extra, a vereadora Monica Benício (PSOL), viúva de Marielle, comentou a indicação legislativa, afirmando que “deputado bolsonarista não é digno de propor tal iniciativa“.

A despeito da evidente desfaçatez desse parlamentar, posso garantir que para Marielle, para mim e para todas as pessoas que lutam por um mundo melhor, as casas de acolhimento são fundamentais para a garantia de direitos. Sejam elas construídas em qualquer lugar da cidade, desde que atendam às pessoas que mais precisam, sobretudo numa sociedade capitalista patriarcal, extremamente violenta, como a que ele defende. Minha conclusão: esse deputado bolsonarista não é digno de propor tal iniciativa“, afirmou.

Anielle Franco, irmã de Marielle, se mostrou surpresa com a inciativa do parlamentar e pediu respeito à memória da irmã.

Marielle merece ser lembrada e homenageada em todos os âmbitos possíveis, pois ela trazia em seu único corpo inúmeras representações que hoje tanto defendemos e lutamos. Toda homenagem que respeite isso e a trajetória dela será bem-vinda. Mas muito me admira esse movimento de um deputado, que quebrou a placa dela e tripudiou em cima de sua morte diversas vezes, querer agora, quase em 2022, prestar homenagem a ela. Torço para que ele passe, então, a respeitar minha irmã e a memória dela a partir de agora, já que ele tem achado conveniente usar o nome dela em diferentes espaços“, disse ao Extra.

AO DIÁRIO DO RIO, o deputado Rodrigo Amorim se defendeu das críticas e deu sua versão sobre o episódio da placa quebrada em homenagem a Marielle Franco.

A minha proposta de dar o nome de Marielle Franco a uma casa de acolhimento – iniciativa mais do que necessária – na região conhecida como Vila Mimosa foi feita com plena consciência de quais seriam as reações. E todas, claro, viriam do partido que abrigou Marielle e que um dia em 2018 decidiu fazer uma homenagem ilegal, cobrindo o nome original de um logradouro e confundindo pessoas que não conheciam a cidade. A reação dos militantes é sempre com ódio, desprezo e repugnância – mesmo que o projeto em si não afronte suas convicções. Mas se sentem “invadidos”. Logo eles, que gostam tanto de invasões.


Tudo porque um parlamentar que não é do PSOL, depois de passar meses presenciando inúmeras violações de direitos humanos na Vila Mimosa, decidiu que o Estado precisa estar presente naquela comunidade. E quem deveria dar nome a uma casa de acolhimento de pessoas em situação de extrema miséria, de risco (incêndios, violência, doenças)? Que personalidade – independentemente de partido – já falecida é, ao mesmo tempo, mulher, negra, favelada e representante de excluídos?


Há nas redes sociais quem diga que “o deputado que quebrou a placa da Marielle” não tem o direito de fazer tal homenagem. Ora, como assim? Em primeiro lugar, um deputado eleito com 140.666 votos, o mais votado do Rio, tem direito, sim, de fazer a proposta que melhor lhe aprouver. Em segundo, há dois erros: eu não quebrei placa alguma e a mesma não era “placa da Marielle”. Este é um erro semântico do qual vive o PSOL: eles querem associar um objeto – a placa – a uma pessoa de forma que fique parecendo que eu agredi ou ataquei a memória de uma mulher assassinada.
A placa de 2018 não era e nunca foi da Marielle.

A placa era de militantes do PSOL que se acham donos da verdade e acima da lei. Usaram a memória de uma mulher covardemente assassinada para “lacrar”, para impor o nome errado a uma praça. O que eu fiz foi retirar a mesma. Dias depois, em outro evento de Petrópolis, a placa apareceu lá, quebrada, e até hoje não tenho certeza se era a mesma. Afinal, hoje em dia se vendem placas da Marielle via internet, assim como canecas, copos, quadros, camisetas, numa exploração atroz, tal e qual vendilhões do templo, do partido que hoje quer rejeitar a minha ideia.


O PSOL que impôs uma placa é o mesmo que, quatro anos antes disso, havia invadido e ocupado a Câmara dos Vereadores somente porque haviam perdido uma eleição para a presidência da CPI dos ônibus. O PSOL é viciado em usar o monopólio das virtudes como um instrumento de poder, e aqueles que ousam denunciar isso, acabam sendo retaliados.Seguem a cartilha certa do esquerdista americano Saul Alinsky, o pai do terrorismo psicológico de esquerda: “Escolha o alvo, congele-o, personalize-o e polarize-o”. Só que dessa vez eles deram de cara com um alvo que tem capacidade de enfrentá-los.

4 COMENTÁRIOS

  1. Este jornal faz campanha para este deputado, com matérias frequentes e sempre dando muito espaço para suas respostas. Parece mídia favorável, com um lado claro.

    Ao menos essa posição é bem explícita e definida.

    Gosto da proposta de uma visão carioca, mas vou filtrar muita coisa nessa pre-campanhabpara 2022

  2. Esse deputado é de um cinismo impressionante, que bem representa a Direita brasileira. Querer homenagear quem a Direita mata todos os dias. Querer acolher a miséria e a pobreza fruto de suas políticas. Falar de uma forma tão hipócrita que chega dar ânsias de vômitos. Casas de Acolhida são uma necessidade neste Sistema explorador e excludente e devem ser uma ação gestora do poder executivo, municipal, estadual e/ou federal. No mais o que esse deputado quer é garantir mais um mandato legislativo em 2022, e deveria estar pedindo votos entre os da sua laia.

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