Rodrigo Maia, é deputado federal pelo DEM-RJ.

Rodrigo MaiaÉ inegável que a cidade do Rio de Janeiro vive um momento ímpar na sua história diante da quantidade de obras prometidas. Se bem que algumas delas, as mais importantes, como a revitalização do Porto, não tenham saído do papel e seu reflexo seja visível apenas na valorização do metro quadrado. Muitas dessas obras estão apenas nas páginas dos jornais, mas o dia a dia do cidadão carioca mudou muito pouco. De um lado, os empresários da construção civil ou aqueles beneficiados pelas milionárias obras sem licitação. E, do outro, o proprietário de carro que toda hora troca o pneu por ter caído em um buraco, os que não podem andar nas calçadas lotadas de camelôs, os que não têm transporte público, os sem escola e sem creches, e os que conhecem as maravilhas do programa Saúde da Família apenas na propaganda de tevê.

Somos o estado do pré-sal, a capital que vai sediar a Copa e as Olimpíadas, mas somos também a cidade esburacada, da escola onde morrem crianças, dos hospitais com os corredores lotados e da desordem urbana. Afinal, somos uma cidade partida. De um lado, a especulação imobiliária e a Câmara de Vereadores dominada. E, do outro, a diarista que leva duas horas para ir e voltar do trabalho, a iminência de um surto da dengue no próximo verão (que promete ser forte), as praças abandonadas e os funcionários municipais desvalorizados.

 

Alguém já disse que um bom prefeito é um bom gerente. É aquele que não deixa os bueiros explodirem e que constrói a Cidade do Rock, bancada pela prefeitura, mas que também realiza a manutenção da Cidade das Crianças, abandonada pela mesma. Que acaba a Cidade da Música, largada por “picuinha” política. Que revitaliza o Porto de verdade, e não apenas realiza contratos imobiliários megalômanos. Que ajuda a qualificação dos seus funcionários, e não privatiza a saúde e a educação para organizações sociais cheias de reclamações na Justiça do Trabalho.

 

Um bom prefeito é aquele que estende o metrô até a Barra, mas também aproxima Campo Grande e Santa Cruz da cidade. Que não abandona a Avenida Brasil. Que permite que a saúde não seja somente um filme de 30 segundos na tevê e que o remédio volte a chegar à casa dos idosos. Acima de tudo, é aquele que valoriza o esporte através das vilas olímpicas. E que não emprega o dinheiro da prefeitura na compra de restaurantes. Afinal de contas, a cidade não pode ficar dividida.

*Artigo publicado em O Globo no dia 18 de setembro de 2011.

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