Por Bernardo Moura

Ensaio 1 Depois do toró inesperado que alagou a cidade e estragou a máquina deste blogueiro, a segunda noite de ensaios técnicos foi muito boa. Até peço desculpa pela ausência de vídeo da Vila Isabel. Pois foi justamente nesta hora que pifou…rs. Com erros e acertos, as escolas da noite mostraram o que prometem para o carnaval.

 

O Império Serrano foi a primeira  entrar no Sambódromo. Quando o relógio digital marcava sete e meia da noite, a escola de Madureira tocava seus primeiros acordes de cavaquinho. A comissão de frente revelava alguns passos da coreografia oficial. Mas, já se podia ver que  um bêbado fazia parte do time. Logo adiante, a escola trouxe, mais uma vez, o tripé do padroeiro da escola, São Jorge guerreiro. O imponente santo já passou a ser marca do ensaio da verde e branco.

 

Atrás dele, veio a comunidade. Ao contrário de sua fama, o povo da Serrinha apenas "passou" na Sapucaí. As primeiras alas não estavam bem. Havia muita gente lendo o samba num leque distribuídos minutos antes, inclusive aos espectadores. E muita gente andando. Faltou coro e garra suficientes para animar o povo.

Ensaio 2 No quesito clima, a Mãe Natureza  caprichou. Tirou nota dez. Ao longo do dia, confesso que fiquei preocupado com a atuação do ensaio. Afinal, escola debaixo de chuva fica totalmente diferente da mesma em dia seco. Quando caíram os primeiros pingos, a bateira do Império atingia o setor 7. Minutos depois, ficou mais forte e não houve trégua. Só foi parar na metade da Mocidade.

 

A partir do setor 3 da escola, as alas passaram bem. Porém, com as mesmas características das primeiras. A Bateria, de Mestre Gilmar, não mostrou nenhuma paradinha. Apenas, claro, alguns movimentos dentro da mesma. Assim como, seu recuo no 2º box foi excelente. Por fim, o Império não mostrou nada de mais e, no geral, passou apagada.

 

Ainda debaixo de chuva forte, a Mocidade Independente de Padre Miguel adentrou à Sapucaí com muita loucura. Literalmente. A escola fala de loucura e dela utilizou para fazer seu primeiro ensaio para o carnaval.

 

Em se tratando do mesmo assunto, vários componentes carregavam adereços de mão e ou acessórios. Ursinhos de pelúcia, coraçõezinhos, óculos de festa e perucas de todos os tipos foram o detalhe do povo de Padre Miguel.

 

Altamente saudada por torcidas que lotavam o setor 3, a escola chegou com garra e muito canto na boca do povo. No quesito empolgação transmitido ao público, foi a melhor escola da noite. A bateria de Mestre Bereco, ensaiou várias paradinhas para o delírio da torcida. Houve algumas falhas. Mas foram quase imperceptíveis. Thatiana Pagung foi um caso à parte. Ela reinou no ensaio da Mocidade com louvor.

A ala gay, Ala das Oncinhas, fez a festa dentro e fora dela. Trajando cachecóis e camisas estampadas do animal, os componentes soltaram a franga com um bom remelexo nos quadris. Não se esquecendo de cantar…

 

A Terra de Noel começou seu ensaio debaixo da chuva que teimava em cair. Aliás, Mãe Natureza devia estar sambando também, porque ora chovia, ora parava e assim foi. Mais que acostumados o pessoal de Vila Isabel não se intimidou com a chuva e realizou seu ensaio. A comunidade estava animada. Cantando e sambando a vera. Entretanto, só a comunidade. O público presente não se mexia com o samba de Martinho da Vila. As bandeiras que foram distribuídas nas arquibancadas, quase vazias já, não foram balançadas. O intérprete Tinga a toda hora fazia várias interjeições para alavancar o samba, a escola e o povo.

 

Todos os componentes vestiam chapéu azul de alusão a Noel Rosa. Na hora do refrão "Tem a energia na nossa Vila Isabel" estes eram sacudidos para lá e para cá. A Vila veio com várias mulheres como destaque do chão. Uma delas até abandonou a sandália e foi sambando na ponta do pé como uma bailarina. A comissão de frente com 14 homens imitando Noel foi ovacionada pelo público.

 

Todo mundo entende que um diretor de ala deva controlar a pulso firme seus componnetes para que evolução e harmonia não saiam prejudicados. No entanto, na Vila Isabel, uma diretora inaugurou uma nova maneira de fazer isto. A base de gritos estridentes, parecendo uma águia (da Portela, será?) mantinha seus componentes alinhados. Fui obrigado a dar os parabéns pela tarefa bem sucedida.

A bateria cantou, brincou e acertou nos movimentos. Fizeram várias coreografias com a rainha Gracyane Barbosa junto. Uma que ocorreu na frente do setor 3 e no 11, imitava o balanço do mar, se abrindo no meio deixando o caminho livre para a rainha sambar e saudar os ritmistas. Desnecessário dizer que a platéia aprovou. Não só ela, como também o presidente da Mangueira que gritava e aplaudia a bateria.

Em se tratando de presidência, o quesito só teve nota dez. A primeira vice presidente do Império, Rachel Valença, vinha à frente da escola. O da Vila, Moisés,preocupado, não deixava passar nenhum penetra de pista por onde via, para não atrapalhar a evolução de sua escola.

 

Por fim, não posso deixar de falar que o grande problema do Sambódromo se chama escoamento de água. Após o dilúvio de domingo, foi vergonhoso ver o acúmulo imenso de água parada na pista, ocasionando verdadeiras poças. É uma pena que uma cidade que será sede de Copa e de Olimpíadas e, ainda, em plena consciência de sustentabilidade, ainda não se providencie uma eficiente sistema de escoamento de águas.

 

>>Durante todas as terças-feira do mês de dezembro, acontece no Barril 8000,na Barra da Tijuca, o Encontro de Bambas, com participações de Noca da Portela e o novato João Grillo. Os dois cantores de gerações distintas vão homenagear Dona Ivone Lara, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão dentre outros. Tel: (21) 2433-1730. Horário a partir das 22h. R$15.

 

>> De 15 a 17 de dezembro ocorre também o Fórum "É arte? Carnaval faz Parte!" na Sala Sidney Miller. O evento, promovido pela Diretoria Cultural da Liga Independente da Escolas de Samba do Grupo de Acesso A, Lesga, vão reunir mesas de debates e shows. Para mais informações, basta acessar o site www.tradicaodosamba.com.br e se inscrever. Grátis.

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