Por Bernardo Moura

Last Rehearsal Samba School, before to the Carnival Parade por Sebastian Rojan Muñoz A cada dia que passa a gripe suína aumenta. Tem o quê? Quase mil no Brasil?Bem, com certeza, acho que a Liesa toda foi afetada.

 

Originadas de todas as partes, o vírus da gripe atingiu o Rio de Janeiro em cheio. Primeiro lugar veio a tosse. As escolas tossiram os carnavalescos pra lá, cuspiram pra cá e disseminou um pouco a doença. Depois, veio a fadiga. Alguns novos que não sabem o que fazer e outros retornando. Uma espécie de tapas e beijos do samba.

 

O cansaço e as dores musculares apareceram com as especulações de qual tema abordar no próximo carnaval. Os boatos surgiram. Cada coisa que dava arrepio e muito ai ai e ui ui. E, por último, a febre alta. Quarenta, quarenta e um graus é estado de urgência, preocupante. E isso foi o que aconteceu na Liesa, na última noite do dia 1º de julho.

A escola que retorna ao holofote principal, a Ilha, não poderia estar começando. Seu lugar teria que ser sorteado também. Depois, definir que Beija e Flor e Mangueira fechariam os dias de desfile. O que tem em fechar de tão importante? Ganha-se mais? Já leva o titulo? Me desculpa Ivo Meirelles, mas te ouvir falando que daria mais sorte à escola,  é totalmente fora de ordem.

 

Feito o sorteio. As escolas teriam dez minutos para trocarem entre si, se quisessem, suas posições. Só a Vila se manifestou. Ela trocou com a Porto da Pedra. Antes ficaria Vila em segundo de Segunda e Porto a quinta de Segunda. Inverteu-se.

 

O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, disse que os dias estão bem equilibrados. Sinceramente, não o acho. Colocar Salgueiro, Tijuca, Imperatriz e Ilha juntas não equilibra nem na China. As quatro supracitadas têm comunidades de peso, muito fortes, que já demonstraram em outros carnavais o seu poder. E no outro dia, Portela, Mangueira e um pouco da Mocidade e da Vila. As outras escolas são boas, mas não têm muito o que mostrar. Na verdade, a Vila também não teria. Mas acompanho de perto o crescimento desta escola, que a cada dia aprende com os sábios.

 

Portanto, escrevo estas linhas não para arrumar briga com nenhuma diretoria e/ou torcedor. Longe de mim. Mas acho injusto, para todas vocês (12) terem que esbarrar com barreiras impostas pela Liesa. Concordo que todas vocês têm capacidades e “cartas na manga” para desenvolver na avenida, mas ficar com esse jogo de "não posso ficar aí, pois já é de outra" não rola. Imagino que seja broxante para vocês.

Isto quem deveria decidir é o povo. No dia do desfile anterior, fazer um questionário simples perguntando ao folião sobre o próximo. E fazer um resultado que agradasse a todos. Afinal, aquele que se esmerou o ano todo a pagar o caro ingresso para assistir a seis escolas de samba, é a mola propulsora da Sapucaí existir. Sem eles, fica sem graça.

 

No final de semana passado, Parintins deu um show. E como o Milton Cunha falou que alguns carnavalescos aprendem (aprenderam) muito com os de lá, a Liesa deve fazer o mesmo. Foi lindo ver a torcida dentro do espetáculo. Um novo carnaval pro Rio, não acham?

 

Por isso que disse lá em cima, que a instituição organizadora do carnaval carioca foi atingida em cheio pelo vírus H1N1. Eles estão beirando a loucura e passando para outros. As D. Marias e seus Josés das escolas que ralam o ano inteiro para se fazer um carnaval digno começaram a delirar também.

Perdeu-se um pouco da autenticidade. Se continuar assim, vai haver a debandada dos foliões para Parintins ou Uruguaiana. Neste locais, os carnavais são maravilhosos e autênticos.

 

E quase ia esquecendo: ainda tem aquela lenda de desfilar na segunda feira ganha campeonato. Não acredito nestas coisas. Escola boa é aquela que impulsiona o componente, contagia o folião pagante (mesmo que seja de outras escolas) e ainda não deixa o jurado piscar. Quase uma injeção, um remédio. E quando isto acontecer, estarei de pé aplaudindo.

 

Foto: Last Rehearsal Samba School, before to the Carnival Parade por Sebastian Rojan Muñoz

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