''Pacarrete'', filme de Allan Deberton, vencedor de 8 Kikitos no Festival de Cinema de Gramado de 2019 - Foto: Luiz Alves

Não se trata de preciosismo, tampouco de patriotismo. Se trata de qualidade, entrega, história e identificação. Confesso que, desde criança, sempre que assisto algo tento encontrar qual seria o personagem mais parecido comigo, ou então qual enredo poderia estar relacionado ao meu. A verdade é que não importa quantos filmes da Marvel eu assista, as narrativas que mais se aproximam de mim são aquelas que se cruzam com a minha realidade.

É um grande desafio defender um cinema que sequer precisaria de defesa, não fosse a falta de interesse e o pré-conceito formado antes mesmo de qualquer informação. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha e o Itaú Cultural mostrou que 19% dos entrevistados nunca foram ao cinema para ver um filme brasileiro. Nas plataformas de streaming, o percentual é de 22%. Pode não parecer um número alto, mas o que isso representa no seu grupo de amigos?

Diferente do que muitos pensam, cinema brasileiro não é um gênero. Explicar isso requer uma didática simples, direta e até mesmo desesperada. O Cinema brasileiro é o cinema produzido no Brasil.

No cinema nacional, há gêneros para todos os gostos. Há susto para quem quer enfrentar seus medos, romance para quem quer amar, comédia para quem precisa sorrir. Tudo isso atrelado à identificação. Na maioria das vezes, quem me lê tão bem é Selton Mello, que reflete minhas inseguranças e paixões, por meio da obra ou da atuação.

Recentemente, tivemos o caso de Bacurau, um terror dramático que fez muito sucesso, carregou milhares de pessoas aos cinemas, e ainda assim muitos comentários eram que o filme é ótimo, e nem parece filme nacional. Nessa narrativa, a única questão que ecoa na mente é o que as pessoas tanto esperam dos filmes nacionais. Seria apenas mais do mesmo?

Jornalista, produtora e apresentadora do podcast cineaspectos. Como amante do cinema, ficou imersa em roteiros fantásticos, conheceu a beleza dos filmes de máfia e os incompreendidos dramas europeus. Sara adora desbravar a singularidade do cinema brasileiro, e acompanha de perto os principais festivais e mostras ao redor do mundo.

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