José Ricardo Pereira, 65 anos, que morou 20 anos nas ruas do Rio | Foto: Divulgação

No primeiro trimestre deste ano, a Secretaria Municipal de Assistência Social bateu recorde no número de atendimentos a pessoas em situação vulnerável: foram 265.719 pessoas atendidas em apenas três meses.

Entre esses casos, o de José Ricardo Pereira, de 65 anos, que morou 20 anos nas ruas do Rio e, finalmente, aceitou morar num abrigo, com o acolhimento do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) Daniela Perez. Os CREAS cuidam das violações de direitos das populações vulneráveis, de idosos, crianças e adolescentes vítimas de violência, e de moradores em situação de rua.

Estamos reorganizando a gestão para que, mesmo com os atuais problemas financeiros herdados pela atual gestão, oferecermos melhores condições de atender a população vulnerável de nossa cidade“, disse a secretária Laura Carneiro.

A diretora do CREAS Daniela Perez, Cirenice de Souza Nascimento, contou que José Ricardo chegou lá com um saco de lixo nas mãos, com seus poucos pertencentes, sem banho e com os cabelos e a barba desgrenhados e muito compridos. Ao entrar no abrigo, em 27 de março, ele passou mal.

Sou cardíaco e precisava de atendimento médico. Eles me levaram em uma UPA e me atenderam na hora. Saí de lá com consulta marcada com cardiologista. Em todos esses 20 anos na rua, isso nunca tinha acontecido. Me senti especial“, declarou.

Nos últimos oito anos que passou nas ruas, José Ricardo dormiu ao relento nos bancos do Hospital Lourenço Jorge. Antes disso, dormiu em calçadas da Avenida Presidente Vargas e em Copacabana, onde foi abordado pela primeira vez por equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social. “Nunca quis ir para abrigo, temia ficar preso”, disse ele.

Agora, José Ricardo está com roupas novas, cabelos cortados, já conseguiu tirar a segunda via de sua certidão de nascimento e também marcou data no Detran para retirar a segunda via do documento de identidade. Está aguardando, com ansiedade, para tomar a sua dose da vacina contra a Covid-19 e, no dia 15 de maio, vai dar entrada na sua aposentadoria: “Eu tenho certeza que já deu tudo certo! Assim que eu me organizar aqui no Rio de Janeiro e a minha aposentadoria sair, vou voltar para Minas Gerais”.

Nosso trabalho é ampliar e requalificar toda a rede de atendimento da Secretaria, e as condições dos abrigos, é tornar visível essa população vulnerável da nossa sociedade, oferecendo-lhe melhores condições de vida“, afirmou a secretária Laura Carneiro.

Desde 1º de janeiro, foi inaugurado o Espaço Cazuza para crianças de 0 a 8 anos; foi feita parceria com a Fecomércio para reformar os abrigos Dina Sfat e da Ilha do Governador; dois Conselhos Tutelares passaram por reformas e outros dois estão sendo reformados; obras e reparos em 13 abrigos e em sete Conselhos Tutelares; estão em curso manutenção em outros sete abrigos. Além disso, um CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) está em fase de construção, 10 passaram por reparos e/ou manutenção, assim como cinco CREAS.

Do total de 265.719 atendimentos, 229.978 foram feitos pelos CRAS, um crescimento de 34% em relação ao total de serviços feitos no mesmo período do ano passado. Os CRAS trabalham preventivamente na garantia de direitos das famílias em situação de vulnerabilidade social. Enquanto as abordagens de rua aumentaram em 21,5%. Foram 29.396 em 2020 e 35.741 neste ano, entre janeiro e março.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui