O anúncio foi feito pela Secretaria Municipal de Cultura, durante uma oficina do Foca no Território na Rocinha, zona Sul do Rio, na manhã deste sábado (21/08). “Territorializar o recurso público é a nossa maior meta”, assegurou a chefe de gabinete Flávia Piana.

Desde o lançamento do edital do Foca – Fomento à Cultura Carioca, da Prefeitura, funcionários da pasta estão indo a campo auxiliar, esclarecer o edital, motivar e qualificar os proponentes no processo de escrita do projeto. As inscrições para o Foca terminam dia 22 de setembro. Serão disponibilizados R$ 20 milhões a mais de 300 propostas por toda a cidade.

“A gente cansou de ver projetos de dança estrear aqui com pessoas que não eram da Rocinha. Queremos ser protagonistas de todo o processo, desde a elaboração até a execução, e não somente ficar na plateia. Nossa cultura é que tem que se fazer conhecida“, comentou Ana Lúcia Silva, coordenadora do ponto de cultura Cia Livre de Dança.

O produtor e coreógrafo Marcos Bandeira, do Grupo Origens, de Santa Teresa, também participou do encontro, de onde saiu com o projeto rascunhado.

Tinha dúvidas quanto às linhas do edital, em qual me encaixar, mas agora ficou mais claro. Cheguei sem a menor noção de como realizar e saí com um projeto na cabeça”, contou.

Ao mesmo tempo, também aconteceram oficinas em Santa Cruz (zona Oeste), Pedra de Guaratiba (zona Oeste) e Tijuca (zona Norte).

“Muito importante ter este pessoal aqui em Santa Cruz para ajudar quem já faz cultura a entender de edital e tocar seus próprios projetos”, ressaltou Carla Cristinne, do Ser Cidadão.

Ainda no âmbito do Foca, toda quarta-feira às 19h, tem uma live para tirar dúvidas. Qual é a contrapartida? E a prestação de contas? Pode assinatura digital? Quantos projetos por proponente? Estas são algumas das questões mais levantadas pelos interessados no edital, assim como itens como a pré-produção. Para um projeto de dança, por exemplo, pode-se incluir no orçamento a residência artística em parceria com equipamentos culturais.

“Vem no momento muito necessário, sobretudo porque o setor cultural foi um dos mais castigados na pandemia”, disse João Luís Pereira, produtor e articulador territorial de Sepetiba, membro da União Coletiva Pela Zona Oeste (@uczonaoeste). “Em especial os moradores do subúrbio têm mais dificuldade de acessar o poder público.”

Projetos coletivos têm mais chance, uma vez que empregam mais gente. “Eu tinha uma outra visão de reunião com jovens, com encontros assim eu percebo mais portas se abrindo. Mais visibilidade”, ressaltou a produtora Tatiana Enes, do Instituto Agrega, onde ela coordena um projeto de cover de comunidade.

O mais interessante, para Keila Gomes, que é professora, percussionista, brincante de coco de roda e coordenadora do Baque Mulher ZO (@baquemulherzo), é que o Foca vai descentralizar os recursos. 

“Aqui na zona Oeste, a gente faz cultura no peito e na raça, porque a maioria nunca teve a oportunidade nem de entrar num edital”, destacou Keila, moradora de Paciência. “Sabendo o que preencher em cada campo fica mais fácil. A gente perde o medo, oficinas assim nunca chegaram aqui.”

Quem concorda é Taisa Machado, idealizadora do projeto Afrofunk Rio, da Tijuca.

Foi ótimo ver o esforço para retomar as atividades no universo cultural por meio de edital. Oferecer mais oportunidades independentemente do CEP”, concluiu.

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