Um termo de cooperação técnica foi assinado entre as prefeituras de Rio e São Paulo, visando a um intercâmbio entre artistas das duas cidades. A cerimônia, conduzida pelos secretários de Cultura Marcus Faustini, do Rio, e Alê Youssef, de SP, aconteceu na manhã desta quinta-feira, dia 17 de junho, no Palácio Rio 450 – inaugurado em 2015 para se tornar a terceira sede administrativa do município -, em Oswaldo Cruz, zona Norte do Rio.

“Esta troca já existe entre as duas cidades desde janeiro, este ato é mais para marcar. Mais um passo nesta perspectiva de união entre os municípios, para suprir a ausência do governo federal. Fizemos questão de assinar este termo em Madureira, que será uma das zonas de cultura, projeto lançado em breve, uma grande política protagonista da gestão. Vem aí uma mudança radical”, comenta Faustini.

“A nossa discussão aqui é trazer a visão do território para o centro da vida pública, práticas para a gente retomar a cultura brasileira. Primeiro este encontro de São Paulo com Rio, duas cidades que se somarem esforços de defesa e troca de experiências será possível combater os ataques do governo federal à Cultura. Outra coisa é acabar com o bairrismo e furar bolhas, construir pontes e deixar a cultura no eixo central da vida social das nossas cidades, nossos estados e nosso país”, ressalta Youssef.

Em seguida, Faustini apresentou Youssef a agentes culturais do Rio, em especial, de Madureira, bairro escolhido para estrear o programa “Zona de cultura”, de territorialização e fomento, previsto para ser lançado até o fim do ano. O mini tour terminou com  a famosa feijoada da Tia Surica.

Desde o início da gestão, o prefeito Eduardo Paes e o secretário Marcus Faustini ensaiam dobradinha com o governo municipal de São Paulo em ações na área da Cultura, a fim de debaterem projetos conjuntos, troca de saberes, experiências e reflexões acerca das leis de incentivo à cultura, fomento à periferia, carnaval de rua, programa de formação cultural para jovens e intercâmbio cultural.

“O protagonismo do Rio existe, apesar da péssima gestão Crivella, assim como o do país, apesar de terem acabado com o MinC. A referência existe. A potência do Rio é real, para os cariocas e todos os brasileiros. Está na alma. Isto aqui hoje vislumbra um futuro muito bacana”, diz Youssef.

Alê Youssef foi procurado por Faustini em janeiro, e eles trataram da criação de um grupo de trabalho para trocar experiências. Entre os temas da conversa, programas de fomento e de incentivo realizados ou reconfigurados nos últimos anos.

Será criado um Plano de Trabalho, no qual devem constar objetivos, metas e cronograma de ações, acordado e assinado por ambos os partícipes. A ideia não é a de reproduzir projetos idênticos nas duas cidades, mas sim estabelecer parcerias e compartilhar ideias, pensando na aplicabilidade delas nos diferentes contextos locais. 

Para o secretário de SP, além da necessidade inequívoca de parceria entre as cidades, é preciso compreender que estamos fazendo aqui um marco civilizatório contra a barbárie e o pensamento contra a estupidez. 

“Valorização da democracia, não aceitar o ódio, a criminalização da arte e do artista. Hoje, estamos olhando a partir das duas maiores cidades do Brasil e dizendo para o governo Federal que nenhum sistema vai nos calar, isto não vai acontecer, porque temos entes federativos capazes de resistir a esta esculhambação patética com a cultura do Brasil. Neste sentido, esta dimensão política de resistência, cultural, pró ativa das duas maiores cidades do país está neste termo assinado hoje.”

O prazo do documento é de 12 meses a partir da data da sua assinatura, podendo ser prorrogado em comum convênio entre as partes.

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