Foto: Negrices produção

O corpo do cantor e compositor Dominguinhos do Estácio foi sepultado nesta segunda-feira (31/05) no Cemitério do Catumbi, região central da cidade. O intérprete faleceu no último domingo (30/05) em decorrência de uma hemorragia cerebral aos 79 anos.

Dominguinhos estava internado desde o dia 11/05 no Hospital Azevedo Lima, em Niterói, cidade da Unidos do Viradouro, uma das escolas de samba em que o compositor passou parte de sua carreira. A agremiação lamentou a morte do intérprete, por meio uma de publicação em seu perfil do Instagram.

Zé Paulo Sierra, interpréte da Viradouro, que tinha Dominguinhos como ídolo antes de conhece-lo, destaca que o carnaval perde um grande ídolo e a principal referência para os cantores de samba enredo.

“Seu Domingos era um cara fantástico.Tive o privilégio de conviver com ele, principalmente nos últimos anos, de 2017 pra cá, quando gravamos juntos na viradouro e nessa ocasião eu criei um bordão e falava para ele: Dominguinhos do Estácio, é uma honra cantar do seu lado. È coisa de pai pra filho. Ele me respondia: Zé Paulo, isso é coisa de ilho pra pai. Dalí em diante, a relação de um garoto que era apaixonado por samba, carnaval, passa a ser uma relação profissional com um ídolo. Então é um misto de emoções que a gente nem sabe explicar. Depois teve aquele encontro na quadra, em 2020, antes do carnaval, em que nada foi combinado, mas a gente pode homenagea-lo. Depois o título da Viradouro“.

O cantor acrescenta que a data é de muita tristeza para o mundo samba.

Fico triste na partida de seu Domingos, mas na certeza que ele foi para um lugar melhor e está descansando, está bem. Fica o legado dele, a história dele para o Carnaval, para nós cantores de samba enredo. A vida realmente é um sopro, a gente precisa aproveita-la ao máximo. Acho que seu Domingos teve isso. Foi canpeão do carnaval com a Viradouro, com a Estácio. Cantou em grandes agremiações. Gravou LP, CD, fez vários amigos, deixa um legado enorme para o mundo do samba e eu só tenho a agradecer a ele por ter me permetido fazer parte desse convivio com ele”, diz Zé Paulo.

Dominguinhos participou do título da Viradouro em 1997 e voltou à escola, quando cantou junto com Zé Paulo Sierra em 2017. No carnaval de 2020, o intérprete teve um infarto na avenida no desfile das campeãs.

A Estácio de Sá, escola que Dominguinhos carregava no nome, também fez uma homenagem em sua página no Instagram, àquele que a agremiação considera a “voz marcante” em seus desfiles.

Em entrevista ao Diário do Rio, André Bonatte, Diretor Cultural da Imperatriz Leopoldinense, agremiação em que o interpréte também passou, disse que Dominguinhos representa a voz das Escolas de Samba na Sapucaí e deixa um legado para os novos intérpretes.

Como ele falava, ele não era da Estácio, ele era do Estácio. E ele foi um grande intérprete que passou por várias escolas, claro, tendo sua referência lá no morro de São Carlos, mas fez sua história em outras agremiações, assim como na nossa Imperatriz. Dominguinhos chega em 79 e a Imperatriz conquista seu primeiro campeonato já no ano seguinte, em 1980. Em 1981 seu bi-campeonato, também embalado na voz do grande mestre. Dominguinhos deixa na verdade um legado de inspiração para todos os novos intérpretes. O reio da afinação, o rei da Sapucaí. Não tenho dúvidas de que vai deixar saudade, mas a sua história é eterna e vai ser sempre lembrada por todos aqueles que amam o samba”, afirma o direitor cultutal da Imperatriz.

Para Milton Cunha, Dominguinhos será lembrado pela voz e presença em clássicos da Sapucai.

“O Dominguinhos foi um inesquecivel intreprete. Ele tinha primeiro uma voz, um registro potente. E depois ele dividia, respirava as notas, de uma forma muito pessoal. Ele esteve em clássicos da Sapucaí como Paulicéia Desvairada e Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós. Ou seja, ele junta um carisma pessoal com uma carreira de muito sucesso e ele entra nesse panteão de Deuses Sapucaianos. Ele tá nesse olimpo. Bravo, Dominguinhos“. comenta Cunha.

Durante o Supultamento foi realizada uma homenagem ao interpréte. Personalidades do do samba estiveram como componentes da ala de compositores da Estácio; Maria Helena (eterna Porta Bandeira) e o interpréte Preto Joia da Imperatriz, presentes na cerimônia.

Costa do mar, do Rio, Carioca, da Zona Sul à Oeste, litorânea e pisciana. Como peixe nos meandros da cidade, circulante, aspirante à justiça - advogada, engajada, jornalista aspirante. Do tantã das avenidas, dos blocos de carnaval à força de transformação da política acreditando na informação como salvaguarda de um novo tempo: sonhadora ansiosa por fazer-valer!

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