Sérgio CabralPoucas vezes na história da política do Rio de Janeiro um governante teve sua imagem desintegrada de forma tão profunda como ocorre agora com Sérgio Cabral. Menos vezes ainda esse desmanche total ocorreu em grande parte por culpa do próprio político.

O Governador Sérgio Cabral se envolveu em relações promíscuas com empresários porque quis. Usou jatinhos de Eike Batista e depois o privilegiou em negócios públicos, gerando a presunção de uma lógica de troca, pois teve vontade de fazê-lo. Ninguém o obrigou. Não foi um adversário que enviou Cabral a Paris por tantas vezes ou lhe colocou um guardanapo na cabeça. A oposição não poderia mandar o helicóptero do Governador buscar o cachorro Juquinha.

Foi o chefe do Poder Executivo fluminense que decidiu oprimir os bombeiros, que formam a instituição com maior credibilidade junto à população. Também foi Cabral, sozinho, que resolveu propagandear Dilma estando bêbado na Sapucaí, chorar no caso dos royalties do petróleo, permitir os absurdos do transporte coletivo e ignorar a saúde pública.

Sérgio Cabral paga pelos próprios erros. Não é vítima. Não é à toa que personifica os alvos da indignação popular. Enquanto sua imagem se desintegra, descobre que muitos aliados sumiram, que alguns empresários, logo eles, defendem sua renúncia, que seu herói da segurança pública está inerte e que seu nome contamina seu pretenso sucessor.

O que não era sólido, mas parecia, desmanchou no ar. Quase voluntariamente.

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