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Hoje, finalmente, o governador Sergio Cabral (PMDB) renuncia ao cargo de governador e não será pelos motivos certos. Sua renúncia já era esperada há pelo menos mais de um ano, ou seja, bem antes das manifestações de julho de 2013 que fizeram sua popularidade fazer água. O único motivo de renunciar hoje é eleitoral, abrir espaço para que seu vice e candidato a governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), aumente a visibilidade. Além de Cabral ter liberdade de ser candidato ao Senado ou deputado federal (para o Senado está difícil, como mostra última pesquisa).

Cabral sai no pior momento de seu governo, com as UPPs fracassando (por motivos óbvios, cobertor curto e não ter um passo seguinte pós ocupação), inclusive assumindo o fracasso da segurança pública ao permitir que o Exército praticamente intervenha no estado do Rio. Como disse Cesar Maia em seu ex-blog de 31 de março:

A entrada do Exército na ocupação da favela da Maré no Rio é a demonstração do fracasso da segurança pública do Rio. É a declaração, explícita, feita para toda a imprensa pelo governadorCabral de que o governo do Estado não tem mais condições de manter a lei e a ordem em seu território. E 3 dias depois, Cabral renuncia, abandona seu cargo e seu fracasso, e entrega o grave problema ao Exército e a seu plácido vice-governador.

Ou seja, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro passa a ficar sob o comando do Exército na área de intervenção. Realmente, área de intervenção. O Estado naquela região está sob intervenção e, nessa condição, o governador Cabral estimulador da intervenção, pede o boné e entrega o cargo. Grave! Muito Grave! Mas transformar esse triste momento de desintegração da autoridade estadual em vitória, midiatização e coreografia para as câmeras é alegórico, se não macabro.

Hoje Cabral sairá pela porta dos fundos, deixando um histórico de guardanapos, mal feitos na CEDAE, nos transportes públicos e, sua joia da coroa, as UPPs sem o brilho de outrora. O carioca não sentirá saudades.

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