Sérgio Ricardo: Pelo tombamento do forró como patrimônio imaterial da cultura brasileira

Afinal, na terra dos "Brasis", como originalmente eram chamados os povos originários, há muito tempo, todos os dias tem forró

Neste 13 de dezembro de 2020, mesmo em meio à uma grave crise sanitária (COVID-19), é preciso celebrar o aniversário de Luiz Gonzaga (o “Gonzagão”), nascido em 1912 em Exú, Pernambuco.

Em 2019, a salvaguarda das diversas matrizes do forró que compõem parte indissociável do imaginário coletivo, da história e memória, da cultura e da identidade do povo brasileiro, passou a ser analisada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) à partir de um movimento iniciado em 2011, pela Associação Cultural Balaio Nordeste, o que tem mobilizado músicos, artesãos, mestres forrozeiros, pesquisadores e produtores culturais pelo Brasil à fora.

No Rio de Janeiro, participamos do Fórum Forró de Raiz, cujo grande desafio é o de fomentar políticas públicas voltadas à valorização das múltiplas manifestações do forró e sua importância socioeconômica.

No entanto, considero fundamental acrescentar nesta análise técnica atualmente à cargo do IPHAN, a grande importância da singular Ecologia do Sertão, Agreste, Caatinga e do Cerrado, cujos frágeis ecossistemas, sua paisagem e recursos hídricos (já que a Água é um bem público em constante disputa!), presentes nestes biomas estão super ameaçados por modelos econômicos historicamente predatórios e concentradores de poder econômico e político.

Para isso, na absurda ausência de um Ministério da Cultura que foi equivocadamente extinto de forma abrupta desde 2018, é preciso que o IPHAN também reconheça que, já há alguns séculos, as nossas canções e danças, o cordel, o artesanato, a xilografia e a gastronomia, entre outras manifestações populares, sempre buscaram reverenciar e registrar para as atuais e futuras gerações as riquezas presentes neste extenso território e em seu espaço geográfico e sua diversidade de fauna e flora que têm influência direta nas formas de convivência e re-existência do povo.

Afinal, na terra dos “Brasis”, como originalmente eram chamados os povos originários, há muito tempo, todos os dias tem forró.

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