William Siri e o ex-presidente da Lona Cultural Elza Osborne, Yves Macena

Quantas vezes você já assistiu a um espetáculo em um teatro na Zona Oeste? E na Zona Sul? Suas respostas provavelmente confirmam o que os números já mostram: a desigualdade no acesso à cultura é evidente quando comparamos as áreas mais ricas do município e as periferias e o subúrbio da cidade.

Apesar de concentrar a maior parte da população do Rio de Janeiro a Zona Oeste tem os piores indicadores culturais em toda a cidade. Santa Cruz, por exemplo, é um bairro com mais de 220 mil habitantes e não possui nenhum teatro. Já os moradores do Leblon, que somam 50 mil pessoas, têm 4 teatros para chamarem de seus.

Mas não se engane! Existe muita arte e cultura na Zona Oeste também. Você já ouviu falar do Teatro Rural do Estudanted? Lançado em 1952, o projeto tinha como objetivo criar um espaço para que os artistas locais praticassem sua arte e para que os moradores tivessem mais acesso à cultura. Depois de 4 anos em espaços improvisados, em 1956 os moradores de Campo Grande receberam o presidente Juscelino Kubitschek para lançar a pedra fundamental, marcando a construção do teatro de arena, local onde hoje funciona a Lona Cultural Elza Osborne. Os artistas locais levaram o nome de Campo Grande para toda a cidade – apresentando espetáculos no Theatro Municipal, por exemplo – e também para todo Brasil, vencendo o Festival Nacional do Teatro do Estudante. Mas o projeto arquitetônico do Teatro Rural do Estudante; que incluía escola de música, alojamentos, sala de leitura, cinemateca e uma sala para 200 pessoas; nunca saiu do papel. Hoje, a Lona Cultural segue resistindo com uma estrutura muito aquém do necessário, já que se encontra no bairro mais populoso do Brasil.

Falta incentivo à cultura na Nossa Zona Oeste e esse problema se repete em todo o país! Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram que quase 60% da população brasileira nunca foi a um teatro ou a um show de dança e aproximadamente 70% jamais esteve em museus ou centros culturais.

Pensando nisso, apresentei um Projeto de Lei, que foi aprovado essa semana em primeira votação, para criar o Dia do Teatro da Zona Oeste, a ser comemorado em 14 de julho. A data foi escolhida em homenagem ao dia da fundação do Teatro Rural do Estudante, de Campo Grande, que foi um dos movimentos teatrais mais importantes da Zona Oeste. O objetivo do projeto é reconhecer o legado, a arte e  as riquezas culturais da região.

Também criamos na Câmara de Vereadores a “Frente Parlamentar de Proteção e Ativação do Patrimônio Histórico-cultural da Zona Oeste”, iniciativa que vai promover o debate e propor soluções para impulsionar a cultura local, contando com a participação de moradores da cidade, especialistas sobre o tema e Poder Público.

Celebrar o teatro da Zona Oeste e promover discussões sobre o patrimônio da região é trazer visibilidade para a arte produzida neste território e para a luta de redução das desigualdades que atravessam a cidade. Precisamos celebrar e fortalecer nossas histórias e memórias, reconhecendo o valor do passado, mudando a realidade do presente e projetando outros futuros para Zona Oeste e todo o Rio de Janeiro.

Este é um artigo de Opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do DIÁRIO DO RIO.

Vereador do Rio, economista e morador da Zona Oeste. É um dos criadores do coletivo Tudonumacoisasó, que já realizou mais de 10 projetos sociais na cidade e um dos fundadores do Movimento Inter-religioso da Zona Oeste (Mirzo).

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui