Visita ao bairro Pedra de Guaratiba ( junho/2021). Foto: Felipe Ouverney - Equipe William Siri.

Tem muito lugar bonito para passear e admirar na Zona Oeste do Rio de Janeiro! E nosso querido bairro Pedra de Guaratiba é um deles. Localizado às margens da Baía de Sepetiba, possui uma ampla área de redutos ambientais, com expressivos ecossistemas naturais e uma grande vocação para o turismo histórico-cultural, gastronômico e ecológico.

A região era considerada uma área rural, voltada principalmente para a pesca artesanal. O comércio, antigamente pouco desenvolvido, era formado por pequenos estabelecimentos direcionados ao consumo dos próprios moradores e alguns poucos restaurantes de frutos do mar, destinados ao turismo de fim de semana.

Fatores como a crescente especulação imobiliária de bairros adjacentes – Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes –, a implantação da Companhia Siderúrgica da Guanabara (COSIGUA), a criação do Porto de Sepetiba (atualmente chamado de Porto de Itaguaí), os investimentos na área de habitação em programas como “Minha casa, minha vida” e a facilidade de acesso com a abertura do Túnel da Grota Funda e a implementação do Corredor do BRT Trans oeste, impulsionaram o aumento populacional do bairro. Assim, de área rural e de veraneio, Pedra de Guaratiba, transformou-se em local de residências fixas, ganhando maior visibilidade.

Mas nem tudo é motivo de comemoração! A Zona Oeste cresceu sem o devido planejamento público e Pedra de Guaratiba não fugiu à regra. O bairro se expandiu de maneira desordenada, e até mesmo as áreas de proteção ambiental foram sendo ocupadas. Pela falta de coordenação dos agentes públicos, esse crescimento não veio acompanhado de infraestrutura e o bairro, para o potencial que possui, pouco se desenvolveu.

Há carência nos serviços voltados à educação e saúde. O bairro possui apenas uma creche, três escolas de ensino fundamental e nenhum local voltado para o Programa de Educação de Jovens e Adultos (PEJA) – o que é preocupante, já que a região de Guaratiba como um todo tem um dos maiores índices de analfabetismo da cidade do Rio de Janeiro. Em relação à saúde, Pedra de Guaratiba dispõe de atendimento voltado apenas para atenção primária, contando com uma Clínica da Família, um Centro Municipal de Saúde e uma Estação Observatório.

Nosso mandato foi em junho deste ano em Pedra de Guaratiba e pode ver de perto o abandono. Falta asfaltamento, os serviços de captação de águas pluviais e esgoto canalizado são precários, o abastecimento de água é bastante irregular e os moradores ainda sofrem com as constantes enchentes e com a escassa oferta de transporte público. Além disso, constatamos que as infraestruturas instaladas na região estão abandonadas. Um dos principais cartões postais do bairro – o Píer de Pedra de Guaratiba –, encontrava-se em péssimo estado de conservação, com riscos de acidentes. Fizemos cobranças à Prefeitura para que as necessidades de infraestrutura do bairro sejam atendidas.

Outro ponto sensível para toda Zona Oeste é a falta de espaços destinados à cultura e lazer. Existe muita arte e cultura em nossa região, mas o Poder Público parece não se importar. Já falamos por aqui como nosso acesso à cultura é desigual se compararmos a bairros mais ricos do município do Rio de Janeiro (confira aqui).

Olhando para Pedra de Guaratiba, identificamos que o bairro possui apenas um local destinado à cultura e lazer – a Arena Carioca Chacrinha – e um espaço voltado para lazer e práticas esportivas – Vila Olímpica (Ginásio Experimental Olímpico) -, sendo inexistentes outras opções de entretenimento como cinemas, teatros, bibliotecas e museus.

Mas caso você esteja procurando um local rico em histórias e com paisagens de tirar o fôlego, Pedra de Guaratiba é uma boa sugestão. No campo histórico-cultural não podemos deixar de recomendar uma visita à charmosa Igreja de Nossa Senhora do Desterro, que é a terceira mais antiga da nossa cidade. No bairro podem ser encontrados ainda sítios históricos e arqueológicos e dois sambaquis – Embratel, com idade estimada em 2.260 anos, e Zé Espinho, com cerca de 1.180 anos.

Mas, infelizmente, por causa da ausência do Poder Público, não podemos apreciar toda arte e cultura que o bairro tem a oferecer. Você sabia que Pedra de Guaratiba possui a mais antiga banda de música em atividade no município? Estamos falando da Sociedade Musical Deozílio Pinto, fundada  por pescadores do bairro em 1870. Já foi considerada uma das instituições culturais mais importantes de nossa cidade, mas atualmente a população não pode mais desfrutar de suas apresentações, pois, com a suspensão da verba pública, a banda está parada.

Essa desvalorização da arte, cultura e história da nossa região me causa muita tristeza! Com o objetivo de reverter esse descaso, o nosso mandato tem como uma das principais pautas a valorização cultural da Zona Oeste. Com esse comprometimento conseguimos aprovar na Câmara dos Vereadores o Projeto de Lei do Dia do Teatro da Zona Oeste (PL Nº452/2021) e criamos a Frente Parlamentar de Proteção e Ativação do Patrimônio-Histórico Cultural da Zona Oeste. Ambos têm como objetivo dar mais visibilidade e valorização a toda arte e cultura de nossa região.

Em relação ao turismo ecológico, Pedra de Guaratiba está muito longe de oferecer todo seu potencial. As trilhas são encantadoras, mas há necessidade de aumentar placas sinalizadoras, ampliar o programa de trilhas e construção de mirantes.

As praias seguem em condições impróprias para o banho e a orla está abandonada, sendo necessária uma requalificação em toda extensão. A má condição das praias afasta turistas e prejudica toda cadeia produtiva de pesca artesanal. Muitos estabelecimentos fecharam suas portas, dentre eles o famoso Candido’s, que era um dos mais recomendados, sendo comparado a restaurantes de Paris em colunas especializadas de jornais.

O Parque APA das Brisas, principal destino de ecoturismo da região, está totalmente abandonado. Em agosto deste ano realizamos uma visita ao parque e o que vimos foi assustador! Infelizmente a área virou um lugar de descarte de diversos tipos de materiais. Encontramos pichações, entulhos de obras, lixo doméstico, resto de animais e tudo mais que não deveria estar em um local de proteção ambiental.

A falta de um olhar mais sensível para Zona Oeste por parte do Poder Público foi e ainda é um entrave ao desenvolvimento socioeconômico da região. Há diversos potenciais não explorados! Pedra de Guaratiba mesmo poderia ser hoje um balneário agradável se suas vocações locais fossem incentivadas, mas o que temos é um paraíso esquecido. Para além da falta de estímulos, nos deparamos com má conservação, destruição e desvalorização de patrimônios, da história, da cultura, do meio ambiente e do comércio. Nosso mandato segue firme nas fiscalizações e cobranças à Prefeitura, empenhado na luta por mais investimentos, políticas públicas e preservação de toda Zona Oeste!

Este é um artigo de Opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do DIÁRIO DO RIO.

Vereador do Rio, economista e morador da Zona Oeste. É um dos criadores do coletivo Tudonumacoisasó, que já realizou mais de 10 projetos sociais na cidade e um dos fundadores do Movimento Inter-religioso da Zona Oeste (Mirzo).

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