Sonhando Acordado – Argentina: Hermanos, chegamos!

Nossos aventureiros seguem desbravando os países América Sul. O destino da vez? Argentina

(Foto: Matfron)

Nossos dias pelo Uruguai terminaram. Caminhamos pela Rambla Fray Bentos durante a manhã conversando sobre a quantidade de lugares fantásticos e experiências incríveis que tivemos a oportunidade de vivenciar nos últimos 15 dias. Passou tudo tão rápido e tão devagar, a sensação era mista, não tinha jeito. Estávamos muito felizes e tínhamos uma certeza: seguir adiante, muita coisa estaria por vir.

Enquanto aguardávamos o resultado dos exames PCR esvaziamos a geladeira. Buscamos consumir tudo o que tínhamos em casa para evitar algum problema de fronteira.

Já eram 17 horas quando saíram os resultados: negativados! Tudo nos conformes, poderíamos cruzar a fronteira. Após os trâmites burocráticos (declaração juramentada de entrada de cada um, PCR negativo em mãos, seguros de saúde, documentação do veículo e seguro carta verde) carimbaram nosso passaporte e pediram apenas para ver a parte interna da casa, sequer entraram. Tudo liberado, estávamos em solo argentino sem sofrer dos horrores migratórios e alfandegários que muitos gostam de exaltar.

Antes de chegarmos em Gualeguaychú (35km) tivemos um pedágio surpresa. Mas não era qualquer pedágio, foi o maior pedágio de toda viagem até agora! Pagamos o equivalente a R$56,25. Por sorte ainda tínhamos pesos uruguaios para segurar essa facada. Porém, ascendemos o alerta para as estradas argentinas, estávamos mal acostumados com as uruguaias, boas e sem pedágios.

Chegamos em Gualeguaychú no início da noite, precisávamos ainda trocar dinheiro, abastecer e encontrar um lugar para dormir. Conversando pelo caminho conhecemos nosso primeiro “Hermano”, um argentino mais do que simpático que estava a caminho do Brasil nos próximos dias para suas férias em família e nos acolheu, aceitando trocar um pouco de real por uma cotação aceitável de pesos, o suficiente para comermos e completar o tanque no nosso primeiro posto YPF da viagem. Mal sabíamos que em breve teríamos tanto carinho por eles que chamaríamos de nova casa!

Chegamos muito animados na Argentina e com algumas missões pós fronteira para cumprir.

Antes de começar, descobrimos uma loja de material de construção (Ferreteria Tutti) próxima ao YPF que dormimos para comprar uma mangueira e aumentar a que deixamos plugada na nossa caixa d’água para ganhar praticidade no dia a dia (2 metros – R$8,10). Estávamos tendo que fazer muita manobra com o veículo e por vezes não conseguíamos abastecer.

Depois fomos fazer câmbio. Após rodarmos um pouco atrás de um ponto do Western Union, encontramos uma casa de seguros com funcionários supersimpáticos e com internet para fazermos a transferência bancária. Uma dica importante é conferir sempre se a agência possui o montante que pretende sacar para não ter problemas, pois o saque parcial não é aceito ou não gera comprovantes. Aqui descobrimos a tradicional “siesta”, a loja e praticamente toda cidade fechou no horário do almoço e só retornou no meio da tarde (costuma ser entre 12:30 e 16:30).

Enquanto esperávamos a operação bancária e reabertura da casa de seguros, almoçamos em uma “rotisseria” indicada pelos funcionários. Um pequeno restaurante com comida caseira para viagem. Um choque positivo com relação aos preços que estávamos pagando no Uruguai, bem mais em conta!

Realizada a “siesta”, conseguimos efetuar nosso saque e partimos para missão número 2, chip do celular. Tivemos que esperar na porta da Claro a reabertura (acredite ou não ela só retornava às 16 horas). Apesar de mal atendidos, habilitamos os dois chips com bônus de ARS$350,00. O que não fez qualquer sentido para nós foi a carga máxima que se pode efetuar por vez: ARS$1.000,00. Como o maior pacote de dados que podíamos adquirir era de ARS$3.300,00, tivemos que ir atrás de 2 “kioscos” para colocar crédito antes de começar a usar. Os “kioscos” são pequenas lojas que vendem absolutamente de tudo um pouco: chocolate, balas, cigarros, sanduiches, biscoitos, pães, carregadores de celular, revistas, todo tipo de bebidas e carga de celular.

Seguimos adiante para adquirir o nosso “kit antipropina”. Infelizmente a má fama da polícia argentina nos deixou preocupados com as eventuais abordagens que poderíamos sofrer nas estradas. Providenciamos ainda no Brasil as Luzes do Mercosul, uma verde do lado do motorista e outra vermelha do lado do carona, ambas na parte traseira do veículo (em que pese não tenhamos encontrado em lugar nenhum a legislação acerca da sua obrigatoriedade). Compramos o que faltava: faixa refletiva vermelha com 1 metro na parte traseira do veículo, adesivo refletivo de velocidade, 2 triângulos, mortalha (lençol branco para o morto (isso mesmo! Risos), colete refletivo, kit de primeiros socorros e cambão (ARS$ 4.260,00 – R$106,50).

Partimos para a missão 4: lavanderia. Queríamos continuar a viagem com a roupa de cama, banho e nossa em dia, de modo a não nos preocuparmos com isso tão cedo. Deu certo, encontramos duas lavanderias com preços acessíveis e dividimos, uma com cobertores e a outra com o restante, ambas entregando no dia seguinte até a hora do almoço (ARS$1440 – R$36,00).

Animados que só, fomos para o mercado descobrir estavam os preços e abastecer a despensa, pois esvaziamos a casa para cruzar a fronteira e começaríamos nossa descida rumo ao Ushuaia. Dois detalhes importantes: os preços são infinitamente mais favoráveis do que no Uruguai; só que não podemos comprar muitas frutas, verduras, legumes e carnes, uma vez que existem barreiras fitossanitárias entre as províncias que proíbem a passagem com esses alimentos.

Exaustos, retornamos de noite para casa com todas as missões cumpridas com sucesso!

No dia seguinte, buscamos a roupa limpinha na lavanderia com sorriso de orelha a orelha. A sensação de casa limpa é uma das pequenas coisas que fomos aprendendo a valorizar cada vez mais.

Fizemos o backup dos arquivos de nossa aventura pelo Uruguai (não fazíamos ideia da trabalheira e tempo que esse tipo de organização consome!) e revisamos a rota que faríamos nos próximos dias, afinal teríamos mais de 3.300km pela frente até o Ushuaia – Fim do Mundo.

Tudo o que não gostaríamos de fazer, decidimos arriscar: ir para cidade grande. Decidimos passar em Buenos Aires para tentar comprar alguns equipamentos que sentimos bastante falta em nossa jornada. De qualquer forma, não dormiríamos por lá. Teríamos que ser cirúrgicos em nossa passagem pela capital.

Quer acompanhar de pertinho essa aventura?! Corre lá no Instagram @sonhandoacordadobr.

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