‘Startup’ do ramo imobiliário dispensa mais 380 funcionários e total de demitidos, desde abril, é de 543

A Loft já havia demitido, em abril, 159 trabalhadores da área de crédito, como medida de reorganização do setor. Muitas demissões também no concorrente Quinto Andar.

Copacabana também registrou uma valorização dos seus imóveis / Praia de Copacabana: Reprodução

Avaliada em US$ 2,9 bilhões e com 3,2 mil funcionários, a Loft, startup especializada em compra e venda de imóveis, anunciou nesta terça-feira (5), mais uma rodada de demissões. Na primeira rodada, em abril, foram demitidos 159 trabalhadores da área de crédito. Agora, foram 384, 12% do seu quadro funcional. As informações são do jornal o Estado de São Paulo.

Os demitidos, segundo a Loft, ainda contarão com alguma ajuda por parte da companhia, como plano de saúde por mais 2 meses, ajuda para recolocação profissional e facilitação da participação no plano de stock options para pessoas elegíveis. “A Loft agradece a dedicação dos colaboradores desligados, está empenhada em ajudar no que for possível para a sua recolocação no mercado e lamenta a perda destes profissionais”, comunicou a empresa por meio de nota.

No primeiro semestre de 2021, a startup levantou US$ 525 milhões, tornando-se um dos principais “unicórnios” – startups avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão – do Brasil. A partir de então, assumiu uma estratégia agressiva de crescimento para se tornar uma das líderes do setor imobiliário nacional. No mesmo ano foram comparados a fintech CredPago, que faz o papel do fiador na locação de imóveis; a startup de crédito imobiliário CrediHome, e o portal de listagem de imóveis 123i. A Loft também firmou parcerias com as imobiliárias Mirantte e Zimmerman. E, começou 2022, com a compra da Vista, empresa especializada em software de gestão para imobiliárias.

Os ventos da bonança, no entanto, podem ter mudado de direção. Em abril deste ano, tiveram início as demissões. Foram 159 dispensas e 52 remanejamentos, como parte de um plano de reorganização da área de crédito da empresa. Professionais das áreas comercial, operação, produto e tecnologia foram afetados pela reestruturação.

Tais mudanças ocorreram 8 meses depois da compra da startup de crédito imobiliário, CrediHome. Antes, porém, a Loft já havia comprado a startup InvestMais, que também trabalha com produtos de crédito. Segundo a empresa, a aquisição de 2 empresas de crédito somado ao desenvolvimento da Loft Cred – braço de crédito nascido dentro da empresa -, exigiram uma nova reorganização da companhia.

A Loft, no entanto, não é a única startup a passar por dificuldades no Brasil. Desde o início do ano empresas semelhantes têm realizados cortes, em meio a escassez de capital, caso da rival QuintoAndar, que dispensou 4% da sua força de trabalho em março. Ao todo, os unicórnios demitiram mais de mil profissionais, sendo 543 pertencentes à Loft, muito afetada pela alta global dos juros, um dos maiores embaraços na compra de apartamentos e casas.

A empresa Quinto Andar ficou conhecida por oferecer prêmios incomuns a corretores de imóveis e pessoas que indiquem imóveis para a plataforma. Chega a fazer pagamentos aos profissionais autônomos por cada visita e por cada indicação de imóvel, além da comissão a que tais profissionais sempre têm direito. A imobiliária, que arrecadou milhões de reais no mercado financeiro, paga 700 reais por cada indicação de imóvel publicado. Oferece também prêmios a porteiros. Segundo especialistas, pagar por visita é um movimento arrojado, pois não há como garantir que quem visite o imóvel seja efetivamente interessado. “Eles sabem disso; mas querem inflar a base pra demonstrar que fazem milhares de visitas, e isso facilita vender investimento no negócio a investidores“, disse um conhecido dirigente de empresa do ramo. Para ele, a premiação faz parte do negócio de corretagem de imóveis, mas com critérios mais controláveis. A empresa, ainda, tem feito disparos de WhatsApp para corretores de imobiliárias tradicionais no Rio, com intuito de cooptá-los.

De acordo com a leitura dos cenários nacional e internacional, a crise das startups brasileiras é multifatorial. Alta global nos preços e a guerra da Ucrânia, são fatores que desorganizam a cadeia produtiva mundial, freando investimentos de risco, como startups.

Mas os unicórnios já haviam sido avisados sobre as tormentas futuras por fundos de investimentos, como o SoftBank, um dos maiores investidores de startups no Brasil, que reduzirá os aportes financeiros em empresas de tecnologia, em 2020, diante dos maus resultados apresentados por elas, segundo o jornal Financial Times.

A aceleradora Y Combinator, uma das mais conhecidas no Vale do Silício, também acendeu o sinal vermelho, orientando as startups que reavaliassem suas finanças e ficassem prontas para cortar gastos, como medida de previsão de vacância de investimentos por até 24 meses. Em nota ao mercado, a Y Combinator concluiu: “Crises econômicas geralmente se tornam grandes oportunidades para os fundadores que mudam rapidamente sua mentalidade, planejam com antecedência e garantem que sua empresa sobreviva.”

Segundo uma grande pesquisa realizada com clientes compradores de imóveis realizada pela Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias – ABRAINC, 48% deles não teve nenhuma experiência digital na compra de imóveis, e para 29% deles sua experiência online acabou se limitando à busca do endereço do imóvel via internet. Só 22% dos compradores negociaram com corretores através do computador. “30% das nossas ligações de clientes vêm através de anúncios de jornal, e 10% vêm das placas, e cerca de 10% vem de indicações de outros clientes satisfeitos. Os outros 50% são clientes on-line. Mas gostam muito de negociar e conversar cara a cara. Além disso, gostam de falar com quem entende da parte jurídica do negócio“, disse ao DIÁRIO a executiva Lucy Dobbin, Superintendente de Vendas da quase centenária Sergio Castro Imóveis.

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3 COMENTÁRIOS

  1. As startups do ramo imobiliário tiveram que cortar custos como todas as empresas têm feito. As corretoras tradicionais não tem esse problema de custos porque os corretores associados não têm remuneração fixa (ou é ínfima), mas isso não significa que não estejam sofrendo uma pesada redução na receita. Duvido que os corretores imobiliários estejam em um bom momento também…

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