Foto: Reprodução Supervia

Em entrevista ao jornal O DIA, o presidente da Supervia, empresa que administra o serviço de trens no Rio, Antonio Carlos Sanches, disse que após uma redução acumulada de 31 milhões de passageiros e um rombo de R$ 102 milhões na arrecadação desde março, a companhia alerta agora para um risco de paralisação das operações em meados de agosto.

De acordo com Sanches, diversas medidas já foram tomadas para tentar equacionar as contas, mas se nenhum aporte financeiro for realizado pelo governo estadual ou federal o colapso será “inevitável” e todos os ramais seriam interrompidos.

O risco de paralisação existe, não temos condições de operar sem o caixa em dia. São R$ 102 milhões de perdas, que podem chegar em R$ 285 milhões até o fim do ano. Sem ajuda, a empresa entra em colapso financeiro e não consegue pagar os funcionários, a energia e a manutenção dos trens“, destacou.

Antes das medidas de isolamento social no estado por conta do novo coronavírus, a SuperVia transportava cerca de 600 mil passageiros por dia útil. Nos últimos meses, a queda média foi de 65%. Ou seja, menos 400 mil pessoas nos trens do Rio diariamente.”Mesmo com a flexibilização nos últimos dias, só tivemos um aumento de 5% no número de passageiros diários. Estamos com uma perda mensal de R$ 30 milhões”, lamentou Sanches.

Precisamos de um socorro imediato de R$ 100 milhões até o mês de agosto. Para isso, estamos conversando com o governo estadual, BDNES e também com os ministérios da Economia, da Casa Civil e do Desenvolvimento Regional. Todos estão sabendo da situação. A maior questão é o tempo, não podemos ter uma solução para novembro, dezembro. Se tiver um colapso, isso vai atingir toda a SuperVia, não vai dar para reduzir a operação“, explicou o presidente da concessionária.

O executivo acredita, entretanto, que a situação será resolvida antes de uma paralisação.

Tenho convicção que as negociações vão evoluir e teremos uma solução para que a coisa não chegue a esse ponto. Mas é importante alertar que não é só um problema do Rio, mas do transporte público de todo país. São empresas privadas que precisam de apoio“, disse.

Secretário estadual de Transportes do Rio negocia com a União uma Medida Provisória

Para o secretário estadual de Transportes do Rio, Delmo Pinho, a questão é ainda mais grave do que parece, pois se trata de uma crise em todo o sistema de mobilidade urbana fluminense. Pinho tenta, assim, negociar com a União uma Medida Provisória (MP) com um socorro federal à Supervia, MetrôRio, CCR Barcas e às concessionárias de ônibus intermunicipais.

Não se trata de salvar um, temos que viabilizar o conjunto. Essa é a maior crise no setor dos últimos 50 anos e a retomada da economia ficará comprometida se não houver transporte público operando. Estou, junto aos secretários de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, tentando uma parceria com o governo federal. Não é apenas uma ajuda econômica, queremos aproveitar o momento para uma reestruturação, para um transporte público com mais eficiência, transparência e redução dos preços das passagens“, afirmou ele.

Simultaneamente, o governo estadual verifica possíveis dívidas com as concessionárias de transporte. Se confirmados, os valores poderiam ser repassados às empresas, o que daria um fôlego enquanto uma ajuda federal não chega. “Mas sabemos que isso não será suficiente e depende de um trâmite junto a Alerj, Tribunal de Contas e Ministério Público“, ponderou Pinho.Procurados, os Ministérios da Economia, da Casa Civil e do Desenvolvimento Regional não responderam as solicitações da reportagem.



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4 COMENTÁRIOS

  1. Uma clarã intenção de tirar recurso federal, além de manipular e enfraquecer a população menos assistida tirando o poder de ir e vir e dependente de um governo estadual que colhe impostos e não entrega serviços!

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