Foto: João LIma

Clara Nunes (1942-1983), deixou no país uma marca indelével, fascinando (até hoje) cantoras de diferentes gerações. E artistas em geral, como Clara Santhana. A atriz cresceu ouvindo vários estilos musicais e, na época da faculdade, descobriu a discografia da cantora mineira – e caiu de amores. Começava ali a ideia de contar (e cantar) a vida de Clara no palco. E foi ganhando vulto “Deixa Clarear”, musical com texto de Marcia Zanelatto e direção de Isaac Bernat. A produção estreou em 2013 e, desde então, lotou teatros país a fora, sendo assistido por mais de 500 mil pessoas. Com o avanço da vacinação e a reabertura das casas de espetáculos, o musical volta ao Rio, onde chega ao Teatro Riachuelo em única apresentação no dia 12 de agosto, aniversário de Clara Nunes, que faria 79 anos. A apresentação presencial vai disponibilizar 43% da capacidade da casa, com ingressos entre R$ 80 e R$ 50, e poderá ser vista também de forma remota, a R$ 15.

O samba é um gênero tradicionalmente masculino, ainda que mulheres como Tia Ciata e Chiquinha Gonzaga tenham sido fundamentais para sua consolidação no país. Clara Nunes surgiu como uma cantora de boleros, mas foi no samba que encontrou o terreiro onde fundamentaria seus pilares artísticos. Ela não só abriu caminho para muitas mulheres sambistas (Alcione, Dona Ivone Lara, Leci Brandão etc) como para cantoras da MPB. Foi uma grande vendedora de discos, ficando, nos anos 1970, atrás somente de Maria Bethânia, a primeira mulher no Brasil a atingir a marca de 1 milhão de cópias vendidas. Clara também foi crucial na difusão e na defesa de nossa ancestralidade. O legado africano está presente em muitos dos sambas lançados por ela, assim como na sua figura pública e nas entrevistas concedidas ao longo da carreira.

E muito dessa persona artística está presente em “Deixa Clarear”, em cuja narrativa misturam-se as trajetórias de Clara com signos e fundamentos da mitologia yorubá, num amálgama que une música e poesia. Estão lá, por exemplo, a Clara que, na infância, influenciada pelo pai músico, encantava a todos ao soltar a voz em “Casinha pequenina”. Há também a Clara que viu no programa do apresentador Chacrinha a porta de entrada nos lares (e nos corações) do grande público. “Nossa ideia é a de apresentar o legado da cantora às novas gerações”, explica Clara Santhana, atriz e idealizadora do projeto.

Em cena, Clara tem a companhia de quatro músicos, sob a direção musical de Alfredo Del Penho. O repertório traz clássicos como “O canto das três raças” (Paulo Cesar Pinheiro\Mauro Duarte), “O mar serenou” (Candeia), “Morena de Angola” (Chico Buarque), “Na linha do mar” (Paulinho da Viola) e “Um ser de luz” (João Nogueira\Paulo Cesar Pinheiro e Mauro Duarte).

Trajetória de sucesso

“Deixa Clarear, musical sobre Clara Nunes” estreou na Festa Internacional de Teatro de Angra dos Reis (Fita), em 2013, ano em que completaram os 30 anos da morte da cantora. Aos poucos, a peça cresceu e chamou a atenção da crítica e do público. Cumpriu três temporadas de sucesso no tradicional Teatro João Caetano, passou pelos mais importantes palcos da cidade, entre eles o Imperator – Centro Cultural João Nogueira, o Teatro das Artes, o Teatro Maison de France, o Teatro Glauce Rocha e o Teatro da Uff, em Niterói.  Fora do Rio, o espetáculo circulou pelas cidades de Goiânia, Salvador e São Paulo.  Em Minas Gerais, fez turnê dentro do circuito SESI, sendo visto em Belo Horizonte, Contagem, Itaúna, Uberlandia, Ouro Preto, Mariana e Tiradentes. Em Uberaba, incentivado pelo SESI Minas, foi registrado em DVD, sendo lançado com selo da gravadora Biscoito Fino.

Ficha técnica:
Idealização e atuação – Clara Santhana
Texto: Marcia Zanelatto
Direção: Isaac Bernat
Direção Musical: Alfredo Del Penho
Músicos: João Paulo Bittencourt (violão),Gustavo Pereira (Cavaco/ percussão), João Gabriel Gomes (flauta) e Michel Nascimento (percussão)

Cada vez mais, o Shopping Paço do Ouvidor se fortalece como ponto de encontro no Centro do Rio. Passa no Paço.

Serviço:
Deixa Clarear – musical sobre Clara Nunes
Data e hora: 12 de agosto (quinta-feira), às 19h
Local: Teatro Riachuelo (Rua do Passeio, 38/40 – Centro. Tel: 21 3554-2934)
Ingressos: R$ 80 (plateia VIP), R$ 70 (plateia e balcão nobre), R$ 50 (balcão simples) e R$ 15 (apresentação remota)
Capacidade permitida: 430 espectadores (43% da capacidade total da casa)

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