Punch por Corrine Klug
Punch por Corrine Klug

Ideias não valem nada, mas calma que eu eu vou explicar.

O Rio, como a maioria das grandes cidades, encontra-se numa crise crescente que não será resolvida com atitudes de conformidade. Desde que a o status de capital mudou para Brasília em 1960, a Cidade perdeu não só o poder político, mas também o econômico.

A cultura ficou! Sim, a cidade que viu boa parte de sua indústria partir, abraçou o turismo, os serviços e a cultura. E essas são, sem dúvida, algumas das vocações cariocas, uma das regiões onde o patrimônio cultural e a criatividade nacional despontam para ganhar o mundo. E isso acontece na moda, no estilo de vida, passando pela música e carnaval.

Mas, do que adianta ter um dos povos mais criativos do mundo, se suas energias criativas são gastas por inúmeros problemas sociais, burocráticos, econômicos e das mais diferentes ordens. Será que não podemos agregar mais valores dessa força criativa no desenvolvimento da cidade? Afinal, como defendido por John Howkins, um dos papas da economia criativa no mundo, “uma sociedade que reprime ou utiliza mal seus recursos criativos e adere ao contrato de propriedade incorreto não pode prosperar”.

O desafio de repensar o papel da cidade como finalidade para sobreviver em termos econômicos, não basta. Precisamos ajustar a cidade e seus processos para um novo tempo com urgência.

Não defendo que qualquer esfera de governo tenha que bancar, pelo menos não sozinha, a força da economia criativa Carioca, mas, se deixarem de atrapalhar, já ajudariam bastante, afinal, vemos produtoras de audiovisual pedindo menos burocracia para rodar filmes no Rio de Janeiro, ou seja, até mesmo para mostrar as belezas cariocas e vender a cidade, existem barreiras. Ao mesmo tempo que, produtores de eventos buscam milhares de autorizações em diversas secretarias para realizarem um evento que emprega, atrai investidores e agita as cadeias produtivas da cidade.

Esses empecilhos precisam ser revistos em diversas áreas. Lembre-se de que a economia criativa é transversal, compõe e é composta de diversos segmentos da economia tradicional. Se o PIB destinado diretamente a ela é pequeno no percentual total, é porque boa parte dele ainda não é contabilizado pelos órgãos competentes. Quanto do PIB da indústria têxtil como produto bruto, vem dos segmentos de moda, que são a aplicação da economia criativa nessa indústria têxtil. Quanto do PIB das indústrias de automóveis são resultados da tecnologia aplicada? e daí por diante…

Por isso, para que a economia criativa possa desempenhar o seu papel no desenvolvimento dos territórios, são necessárias ferramentas facilitadas de execução sejam. Basta a desburocratização, a revisão da política de impostos, de relações trabalhistas, entre outros.

Como falei, ideias não valem nada. Você pode vender uma centena de ideias por R$ 2,00, porque, sem a capacidade de execução elas não terão o menor valor, mesmo que sejam geniais em suas origens. O que tem verdadeiro valor econômico é aquilo que conseguimos fazer com elas. Uma ideia parada, é no máximo um pedaço de papel com ótimas oportunidades. Um ideia executada é inovação, renda e desenvolvimento

Diretor de Criação da MESA Comunicação e professor da ESPM - RJ. É graduado em Publicidade e Propaganda, Pós-Graduado em Marketing Digital e Mestrando em Gestão da Economia Criativa. É também apaixonado pelos seus filhos Théo e Sophia e pelo Rio de Janeiro.

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