Bobs

Pelos preços praticados no Rock in Rio é de se imaginar que ao menos pagassem bem aos funcionários que trabalhavam lá. Pois não é isso que uma fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho no Estado do Rio de Janeiro (SRTE–RJ) e uma investigação do o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) verificou. Para a SRTE os ambulantes em vendas de água, refrigerante e cerveja “vivenciaram um conjunto de situações que caracterizam a degradância de trabalho e de vida, acrescido do endividamento prévio e durante a execução do contrato”. Ou seja, tiveram situação análoga ao escravo, nada diferente do que acontece nos grotões do Brasil.

Foram 93 resgatados (isso mesmo, o termo usado foi resgatado), incluindo um adolescente. Eles faziam parte daquele pessoal que ficava trabalhando debaixo do Sol. Nestes 93 havia trabalhadores de outros estados que não receberam alimentação ou alojamento. Sem auxílio para pagar os aluguéis, eles ficaram em casas alugadas sem saneamento básico na favela Vila Autódromo. Outros tiveram de esperar dias do lado de fora da Cidade do Rock pela credencial que daria acesso ao local para iniciar o trabalho.

O número de resgatados poderia ter sido maior, já que foram analisadas 362 carteiras de trabalho, mas o número de resgatados ficou em 93 porque muitos dos trabalhadores foram embora da cidade antes da finalização da ação, em 3 de outubro.

Entre os fatores que caracteriza o endividamento prévio está o fato que eles foram obrigados a pagar R$ 150 para conseguir a credencial que os permitiria entrar e vender no evento. E outros tiveram de comprar ingressos de cambistas para poderem entrar no evento. Lembra das aulas de geografia que falava que tem fazenda que o funcionário é obrigado a comprar na vendinha do fazendeiro e acaba ficando com dívida com o próprio patrão? Pois é, foi similar.

O Bob´s pagou verbas rescisórias no valor de R$ 102.485,57 em um acordo preliminar. O valor total da multa é de R$ 170.389,57.

De acordo com o Mundo do Marketing, fonte deste post:

Em nota, o Bob’s nega ter recebido qualquer notificação por trabalho escravo e diz que registrou problemas trabalhistas com uma das empresas contratadas para fornecimento de mão de obra terceirizada. “No entanto, assim que constatadas tais irregularidades não relacionadas com trabalho escravo, mas sim com o registro dos trabalhadores e pagamento de parcelas previstas na legislação trabalhista, colaborou de todas as formas com as autoridades para o pronto equacionamento da situação”, diz o comunicado da marca.

A rede de fast food diz também que “não teve qualquer ingerência ou participação no trânsito dos trabalhadores da empresa prestadora de serviços ou na escolha de tais trabalhadores quanto ao local de hospedagem. Afirma, no entanto, que os mesmos não estiveram privados de liberdade, sujeitos a dívidas ou quaisquer outras situações que pudessem caracterizar trabalho em condições análogas às de escravo”.

Já o Rock in Rio disse:

A assessoria de imprensa do Rock in Rio declarou que a contratação de funcionários é de responsabilidade, firmada em contrato, dos operadores de bares e lanchonetes e que, ao tomar ciência das acusações, a organização entrou em contato imediatamente com a empresa para que a mesma tomasse as devidas providências.

Mas será que vamos ter Bob´s no Rock in Rio 2015?

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui